Livro: “Loft Jazz – Improvising New York in the 1970s”

O free jazz teve como principal espaço de desenvolvimento os “jazz lofts” de Nova Iorque. Com os espaços tradicionais (bares/clubes) a fecharem a programação a propostas mais exploratórias e inovadoras, começaram a surgir alternativas informais. Assim, antigos espaços industriais amplos (abandonados) em Manhattan, foram sendo transformados em áreas de criação cultural, especialmente focados no jazz criativo. No livro “Loft Jazz: Improvising New York in the 1970s”, Michael C. Heller analisa o fenómeno dos lofts, fazendo um retrato completo, combinado o contexto social e económico, além de todo o envolvimento musical. O texto do livro é desenvolvido de forma neutra, incluindo diversas perspectivas e visões, mas há uma linha que funciona de fonte principal, a perspectiva de Juma Sultan – activista e promotor de um dos lofts mais activos e representativos da cena, o Studio We.

Texto completo no site Bodypace:
http://bodyspace.net/etc/49-loft-jazz-improvising-new-york-in-the-1970s/

Disco: “Nowruz” de João Lobo

João Lobo
“Nowruz”
(Three:Four Records, 2017)

Quando João Lobo chegou, viu e rapidamente convenceu o mundo do jazz: vimo-lo a acompanhar em palco o lendário Enrico Rava; integra o grupo Matéria Prima de Carlos Bica. Mas o baterista vai também a outras músicas: faz parte do quarteto transnacional Tetterapedequ, tem colaborado regularmente com o guitarrista Norberto Lobo, recentemente homenageou Moondog numa parceria com Filipe Melo, vem participando em múltiplos projectos. E foi o director musical do filme “John From”, que estreou nas salas portuguesas no ano passado. Agora, Lobo apresenta uma proposta arriscadíssima: um solo de bateria.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3141-nowruz/

Ao vivo: The Rite of Trio

O ciclo “Jazz +351”, programado por Pedro Costa (Clean Feed), tem levado à Culturgest algumas das propostas mais relevantes da actual cena jazz nacional. E estas são cada vez mais, porque todos os anos há dezenas de novos discos publicados, há centenas de músicos em actividade, há propostas mais variadas e mais criativas. A última edição do ciclo, no passado dia 2 de Março, contou com The Rite of Trio e, mais uma vez, a performance confirmou a pertinência da escolha. O trio vem do Porto e, na sequência do seu disco de estreia, editado pela imparável Carimbo Porta-Jazz, vinha gerando algum burburinho.

Reportagem completa no site Jazz.pt:
http://jazz.pt/report/2017/03/03/comprovacao-em-lisboa/

Disco/livro: “Cinza” de Carlos Santos / Nuno Moita

Carlos Santos / Nuno Moita
“Cinza” 
(Grain of Sound, 2017)

A mais recente edição da editora Grain of Sound é um objecto atípico. Não é um simples álbum, trata-se de um livro de fotografia que inclui um disco, sendo que os dois objectos se complementam para a fruição seja completa. Por um lado, o livro reúne um conjunto de fotografias da autoria de Nuno Moita, registadas entre 2009 e 2016, num total de 72 páginas. As fotografias são todas a preto e branco, com pouco contraste, sobressaindo sempre o cinzento – daí o “Cinza” do título. Cada imagem resulta de uma composição onde se juntam várias fotografias sobrepostas. O resultado não só é uma original mescla de mundos visuais, como cada imagem é intrigante, desperta a curiosidade.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3121-cinza/

Jazz’Aqui leva jazz português a Berlim

Entre os dias 23 e 25 de Março realiza-se em Berlim a primeira edição do festival Jazz’Aqui. O festival terá lugar no clube de jazz Kunstfabrik Schlot e será o primeira edição de uma série de festivais que irão decorrer anualmente, sempre em diferentes países, com o objectivo de promover a internacionalização do jazz português. No dia 23 de Março, quinta-feira, actua o trio de Marco Santos, com Diogo Duque e João Frade. No dia seguinte, sexta 24, há dois concertos: Rui Faustino (solo de bateria) e sexteto Slow Is Possible. O festival fecha no dia 25, sábado, com mais dois concertos: o trio Cat In a Bag e o grupo de Mané Fernandes.

Informação completa no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/ultimas/80508-jazz39;aqui-leva-jazz-portugues-a-berlim/

Sobre o filme “La La Land”

Confesso que depois de tanta conversa esperava mais, mas o filme é giro, vê-se bem. O que me aborreceu foi aquele discurso do “jazz puro”, de que “o jazz está a morrer”, a ideia de que a fusão (pop/eléctrica) é uma coisa má, de que é preciso salvar o “jazz a sério”. Ora bem, a fusão do jazz já tem mais de quarenta anos, já faz parte da história do jazz. E o jazz sempre viveu de permanente evolução, o jazz é a música mais miscigenada e promíscua que existe. A conversa de que o jazz está a morrer vem desde sempre, desde que os Beatles começaram a dominar as tabelas de vendas, desde que morreu o Coltrane, desde que o Miles se meteu a brincar com a eletricidade, etc. Mas o jazz não morreu nem vai morrer tão cedo e dizer baboseiras deste tipo equivale a promover um ideal de jazz cristalizado nas imagens de bares fumarentos a preto e branco, equivale a ignorar e desvalorizar todo o jazz criativo que tem sido feito desde os anos 60, todo o jazz criativo que continua a ser feito hoje em dia. O jazz contemporâneo de 2017 tem por base a história, mas combina a improvisação com o rock, com a electrónica, com o groove, etc, etc. O jazz continua vivo na música actual de Kamasi Washington, dos Dawn of Midi, do RED trio, do João Hasselberg, do André Santos – só para citar alguns exemplos de música do nosso tempo (e alguns da nossa terra). Não temam, o jazz não está para morrer, amigos.

Discos: “Live at Zaal 100” + “In Layers” + “Salão Brazil”

Twenty One 4tet
“Live at Zaal 100”
(Clean Feed, 2016)

Govaert / Reis / Vicente / Martinsson
“In Layers”
(FMR, 2016)

Dikeman / Vicente / Antunes / Ferrandini
“Salão Brazil”
(No Business, 2016)

A cena improvisada portuguesa começa a dar nas vistas, particularmente a nível internacional – sim, a mais recente edição da revista Wire destaca a “Lisbon’s new jazz vanguard”, mas os ouvidos atentos sabem que não é de agora, já há muitos anos essa música incrível vem florescendo. E se os discos de Rodrigo Amado e do Motion Trio já são presença regular nas listas dos melhores do ano de publicações especializadas há algum tempo, outros músicos portugueses têm vindo a apostar na internacionalização, fomentando projectos com músicos estrangeiros, editando discos em parceria. O trompetista Luís Vicente tem vindo a realizar um trabalho exemplar e os três discos aqui reunidos – todos gravados em quarteto – são reflexo dessa intensa actividade.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3124-live-at-zaal-100-in-layers-salao-brazil/

Entrevista: João Barradas


João Barradas [Fotografia: Márcia Lessa]

Acordeonista virtuoso, João Barradas começou a dar nas vistas muito jovem. Arrecadou prémios internacionais desde muito novo, criando desde logo uma enorme expectativa. Explorou diferentes géneros e encontrou no jazz o território ideal para trabalhar a sua visão musical, navegando à volta da improvisação. Vem trabalhando em múltiplos projectos – nacionais e internacionais – e prepara-se agora para editar o seu primeiro disco na condição de líder, publicado na reputada editora Inner Circle, com a participação do saxofonista Greg Osby. No momento em que lança o álbum “Directions”, o acordeonista, compositor e improvisador apresenta-se ao mundo.

Entrevista completa no site Jazz.pt:
http://jazz.pt/entrevista/2017/01/25/improvisar-com-sotaque/