3 Discos? A escolha de Filipe Melo


Filipe Melo [Fotografia: Vitorino Coragem]

O Filipe Melo é pianista, autor de BD (“Vampiros”, “As Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy”), realizador e está actualmente a programar as “Sessões de Culto” no Espaço Nimas. Estas são as suas escolhas.

  

Marco Franco – “Mudra”
(Revolve, 2017)
“É um disco para se ouvir de uma ponta à outra, como quem segue uma narrativa de um livro ou de um filme. O Marco Franco arranja sempre maneira de me surpreender. É um dos músicos mais livres e mais criativos que conheço, e a sua aproximação ao piano e à composição impressionam-me muito. Tenho muita inveja (da boa!) da inspiração que o caracteriza.”

Giovanni Guido Trio – “This is the day”
(ECM, 2015)
“Apesar de gostar do som geral do trio, o que me agrada especialmente e o que acho que faz com que a música seja verdadeiramente original é a forma como toca o nosso compatriota João Lobo. O João consegue distorcer a música de uma forma completamente instintiva, criando momentos de incrível suspense e imprevisibilidade. É muito emocionante ouvi-lo a tocar neste disco.”

Miles Davis – “Kind of Blue”
(Columbia, 1959)
“No rescaldo da polémica do disco “Blue” do grupo Mostly Other People Do The Killing, dei por mim a ouvir repetidamente o álbum original que deu origem a este insólito produto: se não sabem do que falo, investiguem – é uma ideia muito inusitada e que dá o mote para uma discussão artística relevante. O “Kind of Blue” é um disco que toda a gente conhece, é certo. Recomendo-o porque mesmo sabendo o disco quase de cor, ainda consigo descobrir coisas novas. É um disco perfeito, que resume tudo aquilo que este género de música representa. Como tudo o que é bom, quanto mais se ouve, mais se gosta.”