Rui Eduardo Paes apresenta novo livro

Rui Eduardo Paes [Fotografia: Paulo Leal Duarte]

O musicólogo Rui Eduardo Paes vai apresentar um novo livro. O novo trabalho, com o título “O Fagote de Shatner”, vai contar com ilustrações de Rudolfo e será publicado pela editora Chili Com Carne. Neste seu novo livro, o décima obra publicada pelo ensaísta, editor da Jazz.pt e programador, serão abordados três temas centrais:  o sexo, a loucura e a morte. Está prometida uma abordagem ampla, que atravessa “o jazz criativo, a música improvisada e os vários experimentalismos do presente”, mas também passará “pelo hip-hop queer, pelo nintendocore e por outras correntes menos conhecidas”.

O evento de apresentação do livro terá lugar na SMUP, na Parede, no dia 16 de Março, às 22h00. Além da apresentação do livro, que conta com André Calvário e João Sousa como oradores, o evento vai contar com actuações musicais de três projectos experimentais: Ameeba, Salomé e Svayam. O trio Ameeba junta Frederico Pais (guitarra eléctrica), Carlos Paes (baixo eléctrico) e Pedro Lourenço (bateria). Salomé é um projecto que reúne Ricardo Jacinto (violoncelo, electrónica), André Calvário (baixo eléctrico) e Patrícia Guerra (bateria). E Svayam é um projecto a solo de João Sousa, que utiliza taças tibetanas e guitarra. O evento tem entrada livre, mediante donativos para os músicos.

Livro: “Jazz Posters”

“Jazz Posters”
João Fonseca
(Argumentum, 2018)

No ano em que assinalam os 70 anos da sua fundação, o Hot Clube de Portugal promove a edição de um livro que reúne cartazes históricos de concertos. Esta publicação “Jazz Posters” – edição bilingue, em português e inglês – reúne cerca de 60 cartazes criados por João Fonseca (1958-2011). Não sendo designer de formação, o arquitecto e ilustrador João Fonseca criou cartazes para concertos do histórico clube de jazz, entre os anos de 1985 e 1989. Fonseca trabalhou para o Hot Clube sempre em regime “pro bono”, pelo amor à música, sem nunca receber nada em troca.

Por um lado, estes cartazes são verdadeiros objectos de arte e o livro funciona como um catálogo, uma mostra do design português de uma época. Cada concerto tinha uma imagem própria, assente num trabalho original de tipografia e composição gráfica, comunicando visualmente a música de cada grupo. Com recursos limitados, Fonseca trabalhava à mão e criava obras especiais, aqui reproduzidas na escala real (A3). Em cada cartaz vemos uma imagem original, única, irrepetível. Continue reading “Livro: “Jazz Posters””

Livro: “Playing Changes – Jazz for the New Century” de Nate Chinen

Por aqui já repetimos muitas vezes a ideia de que o jazz não morreu (nem tem um cheiro estranho), de que não podemos ficar pelo jazz cristalizado em fotografias a preto e branco de clubes fumarentos, de que o jazz tem evoluído continuamente, de que está vivo e que no século XXI esta música assume múltiplas formas. Acaba de sair o livro do crítico Nate Chinen, onde o autor acaba por reforçar aquilo que dizemos há muito tempo: o jazz está bem vivo e agora apresenta-se numa vasta pluralidade de formas. Aqui fala-se de músicos como Kamasi Washington, Mary Halvorson, Steve Coleman, Brad Mehldau e Jason Moran, entre outros. Todo o respeito aos clássicos, mas valorizemos o jazz do nosso tempo, o jazz do século XXI. Este livro é obrigatório para todos aqueles que tenham interesse em aprofundar o jazz do nosso século e está disponível para encomenda online nos sites internacionais do costume (Barnes & Noble, Amazon, etc.).

Mais informação: www.playingchangesbook.com

Livro: “The History of European Jazz”

Acaba de ser publicado o livro “The History of European Jazz – The Music, Musicians and Audience in Context“. Com coordenação do divulgador italiano Francesco Martinelli, o livro tem o objectivo de fazer um retrato vasto da história do jazz europeu. O livro está estruturado por áreas geográficas e países, ficando a parte final reservada para artigos temáticos (jazz e cinema, música judaica, avant-garde e festivais, entre outros).

O panorama português é retratado em dois artigos, com as contribuições de Pedro Cravinho (que analisa o período 1920-1974) e Rui Eduardo Paes (que escreve sobre o período 1974-2000). Este livro, verdadeiro calhamaço de 752 páginas (e preço igualmente pesado), resulta de uma iniciativa da Europe Jazz Network, com edição da Equinox Publishing. O livro foi apresentado oficialmente durante a Conferência Europeia de Jazz, que se realizou em Lisboa no mês de Setembro.

Livro: “As Serious As Your Life” de Val Wilmer

O livro “As Serious As Your Life” de Val Wilmer acaba de ser reeditado. Aqui fica um texto sobre o livro, publicado originalmente na revista Mondo Bizarre em Abril de 2005.

Val Wilmer
“As Serious As Your Life”
(Serpent’s Tail)

Dedicated to Ed Blackwell, Dollar Brand, Don Cherry and the late Jimmy Garrison, for a memorable night at Ornette’s when the music healed my New York blues. Esta é a dedicatória que introduz o leitor à aventura. E o leitor desatento que se previna pois, se não tiver cuidado, ao fim da leitura pode ter algumas dezenas de discos novos a forrar a casa, de artistas com nomes estranhos como Leroy Jenkins, Kalaparusha, Grachan Moncur III ou Sirone. “As Serious As Your Life” é um retrato completo da cena do free jazz, em Nova Iorque nas décadas de 1960 e 1970, que vai para além da música e dos músicos, fala das pessoas, das suas circunstâncias e das suas relações. Val Wilmer conta a grande odisseia do “free”, mas fá-lo com a marca de quem esteve lá, de quem conviveu de perto com as pessoas, de quem ouviu os músicos a tocar a partir da primeira fila. Ao longo de pouco mais de 250 páginas é apresentada uma biografia deste movimento musical, frequentemente designado de “New Black Music” – há ênfase na defesa orgulhosa da cultura negra. O especial (e óbvio) destaque vai para os pilares artísticos fundadores da revolução do jazz: John Coltrane, Cecil Taylor, Ornette Coleman, Sun Ra, Albert Ayler. E alonga-se noutros nomes basilares, mas aqui os bateristas ganham atenção especial em relação aos demais: Sunny Murray, Milford Graves, Andrew Cyrille, Rashied Ali são figuras presentes em múltiplos momentos. Repartida por dezasseis capítulos, esta obra analisa pormenorizadamente os elementos fundamentais desta música de criatividade efervescente: personagens, eventos, organizações e factores condicionantes à criação da arte (o mais citado e recorrente será a dificuldade de fazer da criação artística o modo de vida). A edição deste livro foi um passo marcante para a credibilização de um estilo musical que ao longo da sua história sempre foi desvalorizado, quando não foi mesmo ridicularizado. Mas, como sintetizou McCoy Tyner, o pianista do célebre quarteto de John Coltrane: “music is not a plaything – it’s as serious as your life”. Este livro, tal como a música, é para ser levado muito a sério.

Livro “As Serious As Your Life” reeditado

O livro “As Serious As Your Life: Black Music and The Free Jazz Revolution, 1957–1977”, da autoria de Val Wilmer, acaba de ser reeditado pela Serpent’s Tail.  O livro é já um clássico obrigatório para os fãs de jazz, com a fotógrafa e escritora Valerie Wilmer a documentar a cena free jazz através dos percursos musicais e pessoais de músicos como John Coltrane, Albert Ayler, Ornette Coleman e Sun Ra. Assinalado esta nova edição da “bíblia” do free, a revista Wire acaba de publicar um excerto do livro, que pode ser consultado aqui.

As imagens de Sei Miguel

O trompetista e compositor Sei Miguel acaba de publicar o “Livro das Imagens”, numa edição d’O Homem do Saco em colaboração com a Marmita de Gigante. O livro reúne um conjunto de 72 ilustrações originais da autoria de Sei, desenvolvidas entre 2012 e 2015. O livro inclui também dois comentários poéticos de Gastão Cruz: “Divagação” e “A Beleza dos Seres”.  Tal como a sua música, também o traço de Sei Miguel é único: convoca um universo pessoal, é enigmático, convoca referências múltiplas, aproxima-se até de um certo surrealismo. Tal como acontece também com a sua música, Sei convoca-nos para a sua beleza particular, desafia e nunca resolve de forma óbvia.

Ver é torcer a beleza dos seres
por estarem talvez demasiado
iluminados e vivos
Gastão Cruz (excerto)

Sei Miguel lança “Livro das Imagens”


[Sei Miguel]

O trompetista e compositor Sei Miguel vai apresentar um novo trabalho, desta vez um livro. O “Livro das Imagens” reúne um conjunto de ilustrações da autoria de Sei, numa edição d’O Homem do Saco em colaboração com a Marmita Gigante. O livro inclui ainda dois comentários poéticos de Gastão Cruz e foi impresso na Europress, numa tiragem de 400 exemplares. O evento de lançamento terá lugar no dia 17 de Dezembro, domingo, às 18h00 na Galeria ZDB, em Lisboa.

Livro: “Convergences, Divergences and Affinities”

“Convergences, Divergences and Affinities:
The Second Wave of Free Improvisation in England 1973–1979”

Trevor Barre
(Compass Publishing, 2017)

Com o livro Beyond Jazz – Plink, Plonk & Scratch o inglês Trevor Barre fez a cartografia da génese da improvisação livre em Inglaterra, focando-se num período temporal entre os anos de 1966 e 1972. Neste novo livro Convergences, Divergences and Affinities o autor continua o trabalho e analisa a chamada “segunda vaga” da improvisação entre 1973 e 1979 (novamente um período de sete anos). Se no primeiro volume era analisado o nascimento da música livre (identificando os primeiros momentos, os primeiros concertos, as primeiras salas) até ao processo de afirmação de nomes que ficaram para a história – como Evan Parker e Derek Bailey -, neste seu segundo livro Barre faz a continuação da história, focado na evolução da música durante a década de 1970.  Continue reading “Livro: “Convergences, Divergences and Affinities””