3 Discos? A escolha de Joana Barra Vaz

Joana Barra Vaz vem trilhando um percurso original entre a música e o cinema. Em 2012 realizou o documentário “Meu Caro Amigo Chico“, no mesmo ano editou o EP “Passeio pelo Trilho” e já em 2016 lançou o disco “Mergulho em Loba“. Já este ano participou na final do Festival da Canção interpretando a belíssima música “Anda Estragar-me os Planos“, original de Francisca Cortesão e Afonso Cabral. Três discos de jazz? Estas são as suas escolhas.

 


Billie Holiday with Ray Ellis and His Orchestra
“Lady in Satin”
(Columbia, 1958)

“Se hoje me atrevo a cantar só pode ter sido por ter escutado a Billie Holiday na adolescência durante tardes e noites sem fim — foram as minhas aulas de canto. Neste disco, a voz de Billie Holiday — amparada pelos arranjos para orquestra de Ray Ellis — está mais madura, com marcas da sua experiência de vida e da sua saúde frágil. Ainda hoje me lembro da sensação de espanto ao ouvi-la assim: cada palavra com o seu peso, intenção, e emoção. O que se escuta aqui não é só um disco, é também tudo o que está bem perceptível nas pausas, nas mudanças de melodia, nas respirações, nas quebras de voz: é uma vida inteira cravada nestas canções.”

 


Charles Mingus
“Mingus Plays Piano: Spontaneous Compositions and Improvisations”

(Impulse, 1964)

“Já não sei se foi quando vi o “Shadows” do John Cassavetes, ou se foi antes disso, que me agarrei à música do Charlie Mingus. Dos discos do Mingus, este é o mais rodado da minha colecção. Sei-o de cor. É um luxo poder ouvi-lo assim a cru: a improvisar e a compor como se estivesse no piano da minha sala. Mesmo que a certa altura durante a gravação se oiça Mingus a dizer: “I don’t think I should improvise man. It’s not like sittin’ at home, I can tell you that. It’s not like playing at home by yourself.””

 


Marco Franco
“Mudra”

(Revolve, 2017)

“É tão bonito que me comove. Apanhou-me de surpresa. É daqueles discos que desenha o seu próprio lugar quando se escuta. Impossível não o ouvir por completo de todas as vezes. Também é um disco que veio sustentar a minha crença que quando um músico se desprende do seu instrumento chega a novas formas de expressão musical e, sem rede, descobre novos lugares.”