3 Discos? A escolha de Ana Brandão

[Fotografia: Vitorino Coragem]

“Ana Brandão é actriz e cantora. Tem 46 anos. Formou-se como actriz no curso do Instituto Franco-Português. A mãe é a Gracinda e o pai era o Júlio. Tem três irmãos e três sobrinhos. Teve quatro animais. O peixe Bomba, o canário Filipe, o gato Beckett e o cão Tricky. Teve muitos namorados. Tem um namorado. Fez muitas peças de teatro e muitos concertos. Casas e pessoas boas com quem trabalhou: Teatro O Bando, Primeiros Sintomas, Tep, Teatro Aberto, Mala Voadora, Nuno Cardoso, Beatriz Batarda; Carlos Bica, João Paulo Esteves da Silva, Real Combo Lisbonense. O cinema que fez com o João César Monteiro, Raquel Freire, Margarida Gil, José Filipe Costa. Viajou muito a trabalhar: Bogotá, Querença, São Tomé e Príncipe, Rio de Janeiro, Sever do Vouga, Viena, Braga, Sarajevo, Montalegre, Puerto Natales, Paredes de Coura, Puerto Mont, São Miguel, Maputo. Anda de bicicleta na sua cidade. Tem saudades do pai.”

  

Kate Bush – “Hounds of Love”
(EMI, 1985)
“Quando era adolescente ouvia a Lena D’Água e a Xana mas quem me tirava do sério era a Kate Bush. Além da voz era a maneira como dançava e representava nos seus videoclipes. Tentava imitá-la cantando para o espelho do guarda fatos, no quarto dos meus pais. Neste álbum rodopiava e não parava até ficar tonta.
The morning fog
I am falling
Like a stone
Like a storm
Being born again
Into the sweet morning fog
D’you know what?
I love you better now.

Keith Jarrett – The Köln Concert
(ECM, 1975)
“Aprendi a cantar cada nota deste concerto. Ouvi-o repetidamente até à exaustão. Quando fiz a audição para cantar com o Carlos Bica disse-lhe que conseguia cantar o Köln Concert. Ele sorriu e deve ter achado que eu era maluquinha. Hoje já o ouço e consigo estar em silêncio.”

Marco Franco – “Mudra”
(Revolve, 2017)
“O disco que mais ouvi este ano. Conhecia o Marco dos Tim Tim por Tim Tum. Óptimo baterista, mas neste seu “Mudra” a delicadeza, a fragilidade e o respeito pelo piano tocaram-me imenso. Tive a sorte de assistir a tudo isto ao vivo, no seu primeiro concerto, no Festival Rescaldo. Um momento muito especial que não esquecerei.”

Festival Porta-Jazz anuncia a sua maior edição de sempre 

Ricardo Toscano [Fotografia: Márcia Lessa]

A Porta-Jazz acaba de apresentar a programação do seu festival, anunciando que esta será a sua maior edição de sempre. Como habitualmente, o festival realiza-se no mês de Dezembro e esta edição terá lugar entre os dias 2 e 9. O 8º Festival Porta-Jazz terá como palcos o Rivoli, a Casa da Música, a FEUP, o Passos Manuel e a Sala Porta-Jazz – sede da associação; haverá ainda workshops na ESMAE e um encontro de escolas de jazz no Conservatório de Música do Porto. Os bilhetes  estão à venda nas respectivas salas e custam 5€ por concerto (gratuito para os membros da Associação Porta-Jazz). Aqui fica o programa completo.

2 Dez, 18h00: Gysler-Perez-Nick Trio (CH) | Sala Porta-Jazz
2 Dez, 19h00: The Nada (PT) | Sala Porta-Jazz
2 Dez, 22h00: Controvento (CH) | Sala Porta-Jazz

3 Dez, 11h00: Encontro de Escolas (Workshop) | Conservatório
3 Dez, 14h30: Encontro de Escolas | Conservatório
3 Dez, 21h30: Coreto (PT) | Casa da Música
3 Dez, 22h30: Sylvain Darrifourcq’s In Love With (FR) | Casa da Música

5 Dez, 14h00:Workshop | ESMAE
5 Dez, 21h30: Mirrors (PT, ES) | Passos Manuel
5 Dez, 22:30: Jam Session | ESMAE

6 Dez, 21h30: Ariel Bringuez Quarteto (CU, AG) | FEUP

7 Dez, 21h30: Ricardo Toscano Quarteto (PT) | Rivoli
7 Dez, 22h30: Eduardo Cardinho Group (PT, NL) | Rivoli
7 Dez, 23h30: Gomes/Rosado/Monteiro (PT) + Jam Session | Rivoli

8 Dez, 18h00: AP Quarteto (PT) | Rivoli
8 Dez, 19h00: LAMA (PT, CA) | Rivoli
8 Dez, 21h30: Porto-Barcelona Connection (PT, ES) | Rivoli
8 Dez, 22h30: João Mortágua Axes (PT) | Rivoli
8 Dez, 23h30: ESMAE Ensemble + Jam Session | Rivoli

9 Dez, 19h00: Bode Wilson (PT, AR) | Sala Porta-Jazz
9 Dez, 22h00: Ricardo Formoso (PT, ES) | Sala Porta-Jazz

Há improvisação em Aveiro


Helena Espvall [Fotografia: Vera Marmelo]

No mês de Dezembro realiza-se a quarta edição do MEIA, o Festival de Música Experimental e Improvisada de Aveiro. O festival realiza-se nos dias 15, 16 e 20 de Dezembro e terá lugar na VIC Aveiro Arts House. Serão apresentados sete concertos ao longo de três noites e o programa inclui nomes como Helena Espvall, São Bernardo, Pássaro Macaco, os espanhóis Fuego e Escaire e o grupo Ensembleia (Helena Espvall, Bernardo Álvares, Bruno Pinho, Rui Veiga e Bitocas Fernandes). Aqui fica o programa completo.

15 Dez, 21h30: São Bernardo
15 Dez, 22h30: Helena Espvall
15 Dez, 23h30: Ensembleia
16 Dez, 21h30: Pássaro Macaco
16 Dez, 23h00: Salvi / Carvalhais / Tudela / Morais
20 Dez, 21h30: Fuego
20 Dez, 22h30: Escaire

André Matos apresenta novo projecto


[Fotografia: José Sarmento Matos]

O guitarrista André Matos, residente em Nova Iorque, vai apresentar um novo projecto ao vivo em Lisboa. O concerto realiza-se no dia 28 de Dezembro, às 20h00,  e terá lugar na Appleton Square (Rua Acácio Paiva 27 R/C). Este espectáculo resulta de uma colaboração com o seu irmão, o foto-jornalista José Sarmento Matos.

“É a primeira vez que procuro esta aliança entre som e imagem. O Zé enviou-me algumas fotografias e imediatamente surgiram novas ideias e possibilidades. Alguma da música virá do meu álbum “Múquina” mas também do novo álbum prestes a sair, assim como composições ainda mais recentes e improvisações.”

Granular Fest realiza-se em Dezembro


Fred Lonberg-Holm

O Granular Fest vai realizar-se nos dias 15 e 16 de Dezembro. O festival é promovido pela Granular, associação cultural dedicada ao desenvolvimento e promoção da arte experimental, e vai apresentar um total de quatro concertos de música improvisada, reunindo músicos nacionais e internacionais. No dia 15, sexta-feira, actuam dois grupos: o quarteto de Carlos Zíngaro, Fred Lonberg-Holm, Alvaro Rosso e Nuno Morão e o trio Emídio Buchinho, Carlos Santos e Abdul Moimême. No sábado actuam mais duas formações: quarteto de Pedro Carneiro, Yedo Gibson, João Madeira  e Ulrich Mitzlaff e o trio CCV Wind3 (Paulo Curado, Paulo Chagas e João Pedro Viegas) com o convidado Rodrigo Pinheiro. O festival terá lugar no O’culto da Ajuda, em Lisboa, e os concertos começam às 21h30.

20 discos: Improvisação livre em Inglaterra 1966-1979


Derek Bailey e Evan Parker [Fotografia: Ken Pickering]

Na sequência da edição dos dois livros de Trevor Barre que documentam os primeiros anos da música improvisada inglesa [“Beyond Jazz – The Golden Age of Free Music in London 1966-1972” e “Convergences, Divergences and Affinities – The Second Wave of Free Improvisation in England 1973-1979“], aqui fica uma selecção de 20 discos que representam a cena musical nesse período. É inevitável a presença repetida dos músicos Evan Parker e Derek Bailey, figuras centrais e incontornáveis, bem como de vários discos da sua editora Incus. Continue reading “20 discos: Improvisação livre em Inglaterra 1966-1979”

Entrevista: Luís Figueiredo


[Fotografia: Márcia Lessa]

O pianista e compositor Luís Figueiredo começou por se afirmar na cena jazz nacional com aedição de dois discos de originais: “Manhã” (2010) e “Lado B” (2012). Com o contrabaixista João Hasselberg trabalha o duo Songbird, fazendo revisões instrumentais de canções populares, e colabora com os cantores Nuno Dias (“Canções Pagãs”), Sofia Vitória e Cristina Branco. Tem desenvolvido um sólido trabalho como produtor e arranjador e foi responsável pelos discos de Luísa Sobral e Ana Bacalhau. É dele o arranjo da canção “Amar pelos Dois”, o emotivo tema que venceu surpreendentemente a Eurovisão. Agora o pianista está focado na sua própria música e prepara-se para editar o novo disco “Kronos / Penélope”, um ambicioso álbum duplo onde apresenta composições originais ao leme de um grupo alargado. Numa conversa sem pressa, o pianista de Coimbra fala sobre o seu percurso, os arranjos, a Eurovisão e o novo disco.

Continue reading “Entrevista: Luís Figueiredo”

Livro: “Convergences, Divergences and Affinities”

“Convergences, Divergences and Affinities:
The Second Wave of Free Improvisation in England 1973–1979”

Trevor Barre
(Compass Publishing, 2017)

Com o livro Beyond Jazz – Plink, Plonk & Scratch o inglês Trevor Barre fez a cartografia da génese da improvisação livre em Inglaterra, focando-se num período temporal entre os anos de 1966 e 1972. Neste novo livro Convergences, Divergences and Affinities o autor continua o trabalho e analisa a chamada “segunda vaga” da improvisação entre 1973 e 1979 (novamente um período de sete anos). Se no primeiro volume era analisado o nascimento da música livre (identificando os primeiros momentos, os primeiros concertos, as primeiras salas) até ao processo de afirmação de nomes que ficaram para a história – como Evan Parker e Derek Bailey -, neste seu segundo livro Barre faz a continuação da história, focado na evolução da música durante a década de 1970.  Continue reading “Livro: “Convergences, Divergences and Affinities””

Manuel Mota lança disco duplo


[Fotografia: Vera Marmelo]

O guitarrista Manuel Mota acaba de anunciar o lançamento de um novo álbum. Editado com o selo Headlights, o disco tem formato duplo e tem como título “I II”. Este novo álbum reúne um conjunto peças de guitarra solo que Mota gravou no início deste ano de 2017 e a edição está limitada a 200 cópias. O disco novo – e outro material antigo, como o excelente “Sings” – pode ser escutado no Bandcamp de Manuel Mota, recentemente criado: manuelmota.bandcamp.com.