Documentário sobre a editora Blue Note no Doclisboa

A edição 2018 do festival Doclisboa arranca no próximo dia 18 de Outubro e, como habitualmente, não faltarão documentários sobre música (na secção “Heartbeat”). Um dos destaques do programa é o filme “Blue Note Records: Beyond the Notes”, da autoria da realizadora Sophie Huber. O documentário tem como foco a lendária editora Blue Note, cujo percurso se confunde com a própria história do jazz, juntando entrevistas com músicos, imagens de arquivo e sessões de gravação. O filme terá duas exibições no festival, nos dias 18 de Outubro (21h15) e 25 de Outubro (16h15), ambas na Culturgest.

Gravações inéditas de Dexter Gordon e Woody Shaw

A editora Element editou este ano gravações inéditas de dois músicos lendários, Dexter Gordon e Woody Shaw. Foram agora publicados em CD e LP registos de concertos que os dois músicos americanos deram na Europa e Japão, gravações que não tinham sido editadas até ao momento. Do saxofonista Dexter Gordon foram lançados os discos “Tokyo 1975” e “Espace Cardin 1977” (gravado em Paris). Do trompetista Woody Shaw foram editados os registos “Tokyo ’81” e “Live In Bremen 1983”.  Na gravação de Tóquio Dexter Gordon lidera um quarteto com Kenny Drew (piano), Niels-Henning Ørsted Pedersen (contrabaixo) e Albert “Tootie” Heath (bateria). Já na actuação de Paris Gordon está acompanhado pelo contrabaixista Pierre Michelot, pelo baterista Kenny Clarke e, atenção, pelo pianista Al Haig (este é o único registo gravado da colaboração entre estes dois músicos). No disco “Tokyo ’81” Woody Shaw está à frente de um quinteto com Steve Turre (trombone), Mulgrew Miller (piano), Stafford James (contrabaixo) e Tony Reedus (bateria) – a mesma formação que gravou “The Time is Right” (1983). No concerto “Live In Bremen 1983” o trompetista lidera um quarteto com os mesmos músicos, com a excepção do trombonista. Não sendo discos fundamentais para se compreender o percurso de cada um dos músicos, nem tendo propriamente um som perfeito, são objectos interessantes, particularmente para coleccionadores e completistas.

Ao vivo: Angrajazz 2018

Chegado à sua 20ª edição, o festival de Angra do Heroísmo aproveitou a ocasião para celebrar: apresentou um total de sete concertos, incluindo três orquestras, lançou o segundo disco da Orquestra Angrajazz e, apesar do cancelamento de última hora de Jazzmeia Horn, conseguiu encontrar em Camila Meza uma substituição de bom nível.

Reportagem completa no site Jazz.pt:
https://jazz.pt/report/2018/10/12/festa-20-anos-depois/

Jazz ao Centro 2018: jazz regressa a Coimbra

Sylvie Courvoisier & Mary Halvorson

O jazz vai regressar a Coimbra. A edição 2018 do festival Jazz ao Centro realiza-se entre os dias 17 e 27 de Outubro, em diversos espaços da cidade. Os principais destaques do festival são o Carla Bley Trio (com Steve Swallow e Andy Sheppard), o duo Sylvie Courvoisier & Mary Halvorson (estreia em Portugal), o LAN Trio (novo projecto de Mário Laginha com Julian Argüelles e Helge Norbakken) e o novo grupo que junta Alexander Hawkins, Mark Sanders e John Dikeman com os portugueses Hugo Antunes e Luís Vicente. Aqui fica o programa completo.

17 Out, 19h00: Sylvie Courvoisier & Mary Halvorson (Museu Machado de Castro)
18 Out, 22h00: Pinheiro / Ferrandini / Sousa (Salão Brazil)
19 Out, 22h00: André Fernandes’ Centauri (Salão Brazil)
20 Out, 22h00: Lokomotiv (Salão Brazil)
25 Out, 22h00: Fragoso Quinteto (Salão Brazil)
26 Out, 17h30-23h59: Apresentação da oficina / João Mórtágua “Holi” / Paisiel / Desidério Lázaro “Moving” (Centro Histórico de Coimbra)
26 Out, 21h30: Carla Bley Trio (Convento São Francisco)
27 Out, 21h30: LAN Trio (Convento São Francisco)
27 Out, 23h00: Antunes / Dikeman / Hawkins / Sanders / Vicente (Salão Brazil)

Vem aí mega-caixa do Art Ensemble of Chicago

O mercado de reedições está em alta e neste final do ano vem aí uma mega-caixa do Art Ensemble of Chicago. Esta box luxuosa, intitulada “The Art Ensemble of Chicago and associated ensembles”, será editada pela ECM e vai reunir 21 CDs, juntando discos editados pelo Art Ensemble of Chicago, seus músicos e projectos associados, como Wadada Leo Smith, Lester Bowie’s Brass Fantasy, Roscoe Mitchell & The Note Factory, Transatlantic Art Ensemble e Jack DeJohnette’s New Directions. Esta edição assinala o 50º aniversário da fundação do grupo de Chicago, reúne dezoito álbuns (incluindo três discos duplos) gravados entre 1978 e 2015, e ainda um booklet de 300 páginas.

Larry Ochs junta-se ao Rodrigo Amado Motion Trio

O veterano saxofonista Larry Ochs, fundador do Rova Saxophone Quartet, vai juntar-se ao Motion Trio de Rodrigo Amado, actuando como músico convidado em dois concertos em Lisboa. No dia 8 de Novembro o saxofonista junta-se ao trio de Rodrigo Amado, Miguel Mira e Gabriel Ferrandini para um concerto na Galeria ZDB; na noite seguinte, dia 9 de Novembro, o americano junta-se à Motion Trio Orchestra, num concerto enquadrado no Creative Sources Festival (no O’culto da Ajuda).

Bar Irreal: a nova vida antes do fim

O Bar Irreal, em Lisboa, tem encerramento anunciado para Fevereiro/Março de 2019. Mas, antes disso, o bar vai viver uma nova fase, com programação musical da responsabilidade de dois músicos, Pedro Sousa e Gabriel Ferrandini. Para já, a programação do mês de Outubro já está fechada e apresenta muitas propostas, sobretudo ligadas à música improvisada.

Aqui fica a agenda completa do mês: Raphael Soares (3 Out), Cátia Sá (4), Sousa/Pinheiro/Ferrandini (7), Laurent Paris (10), Pedro Brito Dj + Set Simão Simões (11), DJ Problemas (12), Helena Espvall (13), Mary (14), Primeira Dama (17), Calcutá (18), Margarida Garcia (19), André Gonçalves (20), Dru (21), Piotr Damasiewicz & Hernani Faustino (21), Sar (25), Albert Cirera (26), Abras (27), Simão Simões (28) e Manuel Mota (31). O Irreal vai morrer, viva o Irreal!

Astronauta Desaparecido regressa aos concertos

Rui Eduardo Paes [Fotografia: Paulo Leal Duarte]

O Astronauta Desaparecido, projecto dos irmãos Rui Eduardo Paes e Carlos Paes, vai regressar aos concertos. Após a recente reedição do disco “Sound & Fury”, o Astronauta vai apresentar-se ao vivo com um concerto no dia 14 de Outubro. O concerto realiza-se no Encontrão A Besta, às 19h00, na Estudantina de S. Domingos de Rana, onde irão tocar duas outras bandas do colectivo A Besta, Bleandante (17h00) e Gásmo (18h00). Será uma oportunidade rara para conhecer ao vivo um OVNI da história da música experimental portuguesa.

Outubro no Hot Clube

Andy Sheppard [Fotografia: Márcia Lessa]

O Hot Clube de Portugal acaba de apresentar a programação para o mês de Outubro de 2018. Pela Praça da Alegria vão passar músicos e projectos como Andy Sheppard Quartet, Bode Wilson, José Salgueiro (Transporte Colectivo), Espen Eriksen Trio e Bernardo Moreira (Entre Paredes). A programação inclui ainda três noites dedicadas ao jazz da Extremadura, com concertos de Mili Vizcaíno Quintet, Iván Sanjuán 4tet e Javier Alcantara. Aqui fica o programa completo.

Programa [PDF]

3 discos? A escolha de Marta Hugon

A cantora Marta Hugon é uma das grandes vozes do jazz português. Iniciou a sua discografia com o álbum “Tender Trap”, em 2005, tendo editado seguidamente os discos “Story Teller” (2008), “A Different Time” (2011) e “Bittersweet” (2016) – onde se incluiu uma inesperada parceria com Samuel Úria, no tema “Insane“. Já este ano a cantora apresentou-se com um novo projecto, Elas e o Jazz, trio de jazz vocal com Joana Machado e Mariana Norton, onde se reinventam temas do cancioneiro jazzístico tradicional e da Broadway com refinadas harmonias vocais. Três discos de jazz? Estas são as suas escolhas.

 

Brad Mehldau Trio
“Places”
(Warner, 2000)

“Gosto de todos os discos de Mehldau. Adoro o que faz às canções que vai buscar fora do jazz. Mas este disco é todo feito de originais, na sua maioria escritos enquanto andava na estrada com Jordi Rossy e Larry Grenadier. Places é um disco sublime sobre a procura do sublime na vida e na música. Uma espécie de geografia da própria memória dos lugares por que Mehldau passou, que tem como fio condutor o desejo de recuperar e tornar próximo aquilo que o tempo tornou distante. É um sentimento com o qual me identifico e a sua música consegue torná-lo tangível.”

 

Keith Jarrett
“The melody at night with you”
(ECM, 1999)

“Algumas das mais belas versões de standards de jazz que conheço estão neste disco. É um disco de referência, daqueles que me fizeram apaixonar por esta música. Há uma grande intimidade e ao mesmo tempo uma espécie de exaltação nesta gravação. O som é maravilhoso, próximo e quente, como se estivéssemos na sala com Jarrett e o seu piano. A sua interpretação de “I loves you Porgy” faz-me sempre chorar. Os discos, como os livros, estão muitas vezes associados a fases da nossa vida e este está diretamente ligado à altura em que comecei a estudar jazz. Volto muitas vezes a ele.”

 

Andy Bey
“American Song”
(Savoy, 2004)

“Descobri o Andy Bey há muito tempo num concerto no North Sea Jazz Festival, num auditório pequenino. Era uma voz linda de barítono, profunda, cheia da história dos seus quase 70 anos, naquela altura. Foi um lindo concerto, com ele muito tímido e talvez até um pouco magoado com alguma falta de reconhecimento do público. Bey sempre cantou mas teve uma espécie de ressurgimento musical no final dos anos 90. Este “American Song” acabou por ser nomeado para um Grammy. Inspirei-me na sua interpretação para gravar o “River Man” e o “Never let me go” do meu segundo disco.”