Terence Blanchard vai à Casa da Música

O trompetista Terence Blanchard vai apresentar-se ao vivo na Casa da Música no dia 14 de Março. O virtuoso trompetista, também compositor e responsável pela música de muitos filmes (destaque para a sua parceria com o realizador Spike Lee) apresenta-se em concerto com a sua banda The E-Collective. A acompanhar o trompete de Blanchard estarão Charles Altura (guitarra), Fabian Almazan (piano), David “DJ” Ginyard Jr. (baixo) e Oscar Seaton (bateria). O preço dos bilhetes varia entre os 16 e 20.

Diatribes ao vivo no Lisboa Incomum

Os suíços Diatribes vão apresentar-se em concerto no próximo dia 30 de Janeiro, às 19h00, no espaço Lisboa Incomum (Festival DME). A formação actual do grupo junta Cyril Bondi (percussão e objectos) e D’incise (computador e objectos). Aqui fica o texto que escrevi em 2006 para as liner notes do álbum “Parenthèse Polonaise“, editado pela netlabel Test Tube.

Diatribes is the name of a 1996 album by Napalm Death. With no apparent relation, Diatribes is also the name of a trio dedicated to improvised music. Originally from Geneva, this trio is Cyril Bondi (drums, percussion), Gaël Riondel (saxophones, clarinet, flute) and Laurent Peter – a.k.a. d’Incise – (laptop, objects, effects). Working exclusively with digital distribution, this swiss trio have released a total of six works to this moment, each through a different label: Edogm, Zymogen, Tulipesä, Insubordinations, Stomoxine and Digitalbiotope. “Parenthèse Polonaise”, their new work released by Test Tube, shows off a band exploring free improv soundworks. On the trio’s website we find three words to classify their sound: free jazz/electro-acoustic/noise. None of them is wrong, but this may not be the absolutely right definition. More than free jazz or noise, this music is descendant of European driven free/improv, in the lines of Derek Bailey, Evan Parker, Han Bennink or Peter Brötzmann. Right on the first track, “Cieszyn 1.1”, there is a percussion sequence which evokes Tony Oxley experiences. d’Incise’s work, on laptop and effects, complements the percussion action, forming a cohesive sound block. Gaël Riondel’s blowing works as contraposition, in an insanely interaction. Sometimes the drums elaborate a certain rhythmic steadiness, but don’t extend it on too rigid formulas, the blowing is strong and inconstant, and the effects sharp ‘round the corners. The recording, with all the background room and audience noise, probably isn’t the most appropriate for audiophile fans, but encapsulates the session’s informality – and, consequently, the expressively freedom of this music. As the most evident example of this trio’s creativity, there is track #11, “Trzebinia 1.4”, where tribal sounds are mixed together with crescendos and noise. The following track, “Bielsko Biala 1.3”, on the other hand goes to more familiar territories; it is a piece closely related to the free jazz of the New York loft scene. Closing the album, an 8 and a half minutes track starts slowly to grow until it arrives to a diabolic free finale. It’s safe to say that these Diatribes don’t come from death metal, but they’re not far from the devil.

RED Trio Celebration Band: cinco nomes confirmados


[Fotografia: Petra Cvelbar]

O RED Trio vai levar ao Teatro Maria Matos um concerto especial no próximo dia 10 de Fevereiro. Celebrando o seu décimo aniversário, o grupo de Rodrigo Pinheiro, Hernâni Faustino e Gabriel Ferrandini vai convidar vários músicos que formarão uma “Celebration Band“. Acabam de ser confirmados os primeiros nomes dos convidados especiais que vão acompanhar o trio em palco: John Butcher, Mattias Ståhl, Rodrigo Amado, Sei Miguel e David Maranha. O grupo de músicos irá interpretar três composições, cada peça escrita por cada um dos membros do RED Trio. Em breve será anunciada a lista final de convidados do concerto.

Disco: “Basement Sessions Vol. 4” de Aalberg / Kullhammar / Zetterberg / Santos Silva

Aalberg / Kullhammar / Zetterberg / Santos Silva
“Basement Sessions Vol. 4 (The Bali Tapes)”
(Clean Feed, 2017)

As “Basement Sessions” são uma série de gravações de um grupo base constituído por três nomes fortes da cena jazz nórdica: o saxofonista Jonas Kullhammar, o contrabaixista Torbjörn Zetterberg e o baterista/percussionista Espen Aalberg . Os dois primeiros volumes, editados em 2012 e 2014, apresentavam música exclusiva do trio. Já no “Vol. 3 (The Ljubljana Tapes)”, gravado no festival de jazz de Ljubljana, a formação base contou com o acrescento do saxofonista norueguês Jørgen Mathisen.

Chegados ao quarto volume, o grupo mantém o formato quarteto, agora com o acrescento da trompetista portuguesa Susana Santos Silva. Muito ligada à cena nórdica, com parcerias com o contrabaixista Zetterberg (atenção aos discos “Almost Tomorrow” e “If Nothing Else”!), Santos Silva sente-se em casa acompanhada por um grupo de músicos que trabalham a improvisação estruturada em composições.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3255-basement-sessions-vol-4-the-bali-tapes/

Rajada apresentam disco novo

[Fotografia: Vera Marmelo]

O trio Rajada, grupo que junta Pedro Sousa (saxofone tenor), Miguel Mira (violoncelo) e Afonso Simões (bateria), acaba de editar o seu disco de estreia, numa edição da polaca Multikulti. Assinalando o lançamento, o frenético trio improvisador apresenta-se ao vivo em dose dupla: na noite de quinta-feira, dia 25 de Janeiro, actua no Damas, em Lisboa; no dia seguinte, 26, toca na SMUP, na Parede – na mesma noite actua também o duo Pedro Gomes & Gabriel Ferrandini.

Fevereiro no Hot Clube

Demian Cabaud [Fotografia: Antonio Porcar]

O Hot Clube de Portugal já apresentou a programação para o mês de Fevereiro (e início de Março). Pela Praça da Alegria vão passar vários projectos nacionais e internacionais: Demian Cabaud Astah, Mário Franco (com o excelente disco “Rush”), Lithium (quarteto luso-finlandês com André Fernandes), o histórico Lokomotiv de Carlos Barretto e o novo trio Bica/Santos/Mortágua. Em Fevereiro e Março realiza-se ainda o ciclo especial “Piano Solo”, com várias actuações de pianistas: Filipe Raposo (27 Fev.), João Paulo Esteves da Silva (28 Fev.), Óscar Marcelino da Graça (1 Mar), Mário Laginha (6 Mar.), Paula Sousa (7 Mar.) e Luís Figueiredo (8 Mar.). Há jam sessions nos dias 13 e 20 de Fevereiro, organizadas pelo saxofonista César Cardoso, com entrada livre.

Programa completo [PDF]

Disco: “Autres Paysages” de Camões / Cappozzo / Foussat

João Camões / Jean-Luc Cappozzo / Jean-Marc Foussat
“Autres Paysages”

(Clean Feed, 2017)

Nascido em Coimbra em 1983, João Camões estudou viola no Conservatório de Música de Coimbra e, já em Lisboa, descobriu a cena improvisada e experimental. Herdeiro musical de Carlos Zíngaro (pioneiro da improvisação em Portugal, com quem tem trabalhado), Camões explora na viola d’arco uma combinação de abordagens criativas com técnicas clássicas, sempre com fluência improvisacional. Actualmente integra os grupos Open Field, Earnear e Nuova Camerata – quinteto “all-star” com Zíngaro, Ulrich Mitzlaff, Miguel Leiria Pereira e Pedro Carneiro.

Camões teve uma recente estadia em Paris onde desenvolveu contactos com a cena improvisada local e este disco é o resultado desse trabalho. Neste novo disco a viola d’arco de João Camões tem a companhia do trompete de Jean-Luc Cappozzo e da electrónica de Jean-Marc Foussat. Se, pela própria natureza instrumental, o trio por vezes se aproxima de uma vertente camarística (característica que se assume de forma mais clara sobretudo num seu outro projecto, a Nuova Camerata), a integração da electrónica vem adicionar um carácter de originalidade e diferença. (…)

Texto completo no site:
http://bodyspace.net/discos/3253-autres-paysages/

Memória: “Ascension” de John Coltrane

Em 2006 o Gonçalo Loureiro convidou-me para escrever um texto para o seu blog “Entrelinhas“. Escrevi sobre um dos discos favoritos de sempre, o clássico (e pouco consensual) “Ascension” de John Coltrane. Aqui fica o texto.

John Coltrane
“Ascension”
(Impulse!, 1965)

Numa era que valoriza a simplificação, o jazz não será certamente a matéria mais fácil para abordagens condescendentes. Cem anos de história investem à música mais genuinamente americana um emaranhado de dados, elementos, personagens e referências que formam uma malha complexa, impossível de reduzir a meia dúzia de palavras. Não é sequer unânime, entre melómanos afincados, a escolha de um nome único que seja o sinónimo da palavra “jazz”. Haverá uma shortlist de candidatos – Louis Armstrong, Charlie Parker, Miles Davis e John Coltrane (Duke Ellington, Ornette Coleman, Dizzy Gillespie, Charles Mingus seriam outros possíveis) – mas nenhum deles consegue aprovação universal. Apenas uma selecção alargada de discos, de vários músicos e das suas várias fases, pode dar uma orientação consistente, ainda assim meramente introdutória.

Entre todos, John Coltrane. Se é que existe um instrumento que seja sinónimo de jazz, esse instrumento é o saxofone, particularmente o saxofone tenor. E Coltrane, o seu máximo explorador, representa o jazz. Desde que surgiu, como sideman, até que se afirmou com a obra-prima do hardbop “Blue Train” (Blue Note, 1957), o seu crescimento foi permanente. E o crescimento continuou desde que marcou presença no hiper-clássico “Kind of Blue” (Columbia, 1959) até fundar o seu mítico quarteto – McCoy Tyner, Jimmy Garrison, Elvin Jones – e daí até às estrelas. Nunca parar, nunca estancar, progredir sempre. Desde que levou o saxofone aos limites da exploração harmónica até à sua aventura pela liberdade total, John William Coltrane (1926-1967), lutou até ao fim pela premissa maior do jazz: a improvisação. Continue reading “Memória: “Ascension” de John Coltrane”

DME-Sources no Lisboa Incomum

Bruno Gonçalves

Nos dias 19 e 20 Janeiro realiza-se a 57ª edição do festival Dias de Música Electroacústica, denominado “Sources”. O festival terá lugar no espaço Lisboa Incomum (Rua General Leman 20, Lisboa) e vai apresentar actuações de vários músicos ligados à improvisação livre: Tiago Varela, Monsieur Trinité, Maria Radich, Pedro Santo, Bruno Parrinha, Carlos Santos, Maria do Mar, Helena Espvall, Hernâni Faustino, João Madeira, Anna Piosik, Bruno Gonçalves, João Valinho, Agustín Castilla-Ávila, María Casares, Ernesto Rodrigues, Nuno Torres e Abdul Moimême.

Programa