Antevisão: Angrajazz 2017

Jon Irabagon

Neste ano de 2017, o Angrajazz, festival internacional de jazz de Angra de Heroísmo, chega à sua 19ª edição. O evento vai realizar-se entre os dias 4 e 7 de Outubro e apresenta um total de sete concertos. Como habitualmente, terá lugar no Centro Cultural e de Congressos e apresenta um programa que alterna entre grandes nomes internacionais com projectos portugueses de mérito reconhecido.

O festival arranca no dia 4 de Outubro, quarta-feira, com a já habitual participação da Orquestra Angrajazz (21h30). Este projecto formativo com direcção de Pedro Moreira e Claus Nymark, surgiu em 2002 e vem mostrando a sua qualidade de ano para ano. Actualmente, já não se trata de uma simples “big band” eficiente que interpreta “standards” sem mácula; a orquestra vem trabalhando uma música cada vez focada e, na edição do ano passado, apresentou uma sólida interpretação da peça “Far East Suite” de Duke Ellington. A OA conta todos os anos com a participação de convidados especiais e, desde a sua génese, já actuou com nomes consagrados da cena jazz portuguesa, como Paula Oliveira, Mário Laginha, Zé Eduardo e, mais recentemente, Ricardo Toscano. O primeiro dia de festival fecha com o duo Baptiste Trotignon & Minimo Garay (23h30). O pianista francês Trotignon e o argentino Garay (percussão) prometem um jazz de travo sul-americano, conforme revela o aplaudido disco “Chimichurri” (edição Okeh, 2016).  Continue reading “Antevisão: Angrajazz 2017”

Imaxinasons revela cartaz

A décima terceira edição do Imaxinasons – Festival de Jazz de Vigo realiza-se entre os dias 30 de Junho e 8 de Julho e apresenta um cartaz rico e variado. Do programa fazem parte grandes nomes internacionais do jazz e da improvisação (Uri Caine, Marc Ducret, Alexander Von Schlippenbach, etc.), muitos nomes espanhóis e até um projecto liderado por um músico português (Carlos Bica & Azul). Aqui fica o cartaz completo.

Mealhada acolhe novo festival de jazz

A Mealhada vai acolher a primeira edição do MeaJazz, um novo festival de jazz. O festival realiza-se nos dias 30 de junho e 1 de julho e terá lugar na Quinta da Nora (centro da cidade, junto ao IC2). O festival vai apresentar um total de sete concertos ao longo de duas noites, propostas oriundas de diversos países, numa vasta amplitude estilística.  Na programação destacam-se projectos nacionais como The Rite of Trio (trio de André Bastos Silva, Filipe Louro e Pedro Melo Alves, na foto), Jeff Davis Trio e Orquestra Jazz de Leiria (direção de César Cardoso). Todos os concertos têm entrada livre. Aqui fica o programa completo.

30 Junho
21h30: The Rite of Trio
22h30: Jazz PÁ
23h30: Jeff Davis Trio
00h30: Andrea Bucko

1 Julho
21h30: José Valente
22h30: Orquestra Jazz de Leiria
23h30: El Show de Dodó

Nadia Schilling apresenta música nova

A cantora Nadia Schilling acaba de apresentar uma música nova. “Kite” é o primeiro single de Above the Trees, o disco de estreia de Nadia que será editado no Outono. Neste disco participam músicos como Filipe Melo, João Hasselberg, Bruno Pedroso e Mário Delgado, entre outros. O single de apresentação conta com um vídeo originalíssimo, realizado por João Pombeiro.

Notícia publicada no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/ultimas/80989-nadia-schilling-revela-musica-nova/

Revelada programação do JiGG 2017

Entre 5 e 14 de julho o jardim do Goethe Institut, em Lisboa, vai acolher sete concertos de jazz e música improvisada. Com programação de Rui Neves, o festival Jazz im Goethe-Garten (JiGG) apresentará projectos oriundos de sete países europeus. O festival abre com a actuação do grupo português Earnear, trio que junta João Camões (viola), Rodrigo Pinheiro (piano) e Miguel Mira (violoncelo). Entre a programação do JiGG, destacam-se ainda os espanhóis Liquid Trio (Agustí Fernández, Albert Cirera e Ramon Prats), os italianos Roots Magic e os alemães Rotozaza (Tobias Delius, Nicola L. Hein, Adam Pultz Melbye e Christian Lillinger). Os concertos têm sempre hora marcada para o final da tarde (19h00) e a entrada para cada concerto vale 5€ (3€ com desconto, para estudantes, reformados e alunos do Goethe-Institut). Aqui fica o programa completo.

5 Julho: Earnear
6 Julho: Liquid Trio
7 Julho: Namby Pamby Boy
10 Julho: Oğuz Büyükberber & Tobias Klein
12 Julho: Roots Magic
13 Julho: Weird Beard
14 Julho: Rotozaza

Entrevista: Gabriel Ferrandini


Gabriel Ferrandini [Fotografia: Márcia Lessa]

Gabriel Ferrandini é um baterista enérgico que vem desenvolvendo um sólido percurso que ultrapassa fronteiras – geográficas e de estilo. É o esteio dos dois grupos mais representativos da improvisação nacional, Red Trio e Rodrigo Amado Motion Trio, ambos de reputação internacional. Figura omnipresente da cena improvisada lisboeta, o baterista também explora projetos de rock mais livre e já tocou e gravou com Thurston Moore (Sonic Youth) e Alex Zhang Hungtai (Dirty Beaches). Numa conversa em que olha para o passado, Ferrandini recorda os ensinamentos de Evan Parker, analisa a residência artística “Volúpia das Cinzas”, que o levou a trabalhar afincadamente na composição e que resultará na edição de um disco, e lança projetos para o futuro.

Entrevista completa no site Jazz.pt:
http://jazz.pt/entrevista/2017/05/24/liberdade-em-construcao/

Livro: “Mas é Bonito” de Geoff Dyer

Mas-e-Bonito

O livro “Mas é Bonito” – “But Beautiful” no título original – é apresentado como “um livro sobre jazz”. E é verdade. O autor Geoff Dyer apresenta um conjunto de textos sobre figuras centrais da história do jazz: Lester Young, Thelonious Monk, Bud Powell, Ben Webster, Charles Mingus, Chet Baker e Art Pepper (selecção curiosa, evitando nomes óbvios). Os textos sobre cada um dos músicos são intermediados por diálogos entre Duke Ellington e Harry Carney, numa longa viagem entre concertos.

Ao longo do livro Dyer desenvolve textos breves, ficcionados a partir de momentos/histórias reais, sobretudo tendo por base fotografias icónicas e histórias conhecidas. Os textos são desenvolvidos com criatividade, pontuados por emoção, fazendo sempre uma ligação entre momentos da vida pessoal de cada músico e as características da própria música de cada um dos intervenientes.

A leitura é fácil e agradável e, além de desvendar episódios pessoais, tem como principal ponto positivo a capacidade de despertar a curiosidade sobre as músicas – o mais importante. As críticas estampadas na contracapa referem que este será “provavelmente o melhor livro que alguma vez se escreveu sobre jazz”. Claro exagero, tendo em conta a produção literária que vem sendo desenvolvida, mas não deixa de ser um objecto simpático.

Contudo apesar do tom agradável que caracteriza a maior parte da obra, o livro fecha num tom dissonante, com o acrescento de um posfácio desnecessário com o título “Tradição, Influência e Inovação”. Para encerrar, o autor apresenta ensaio-crítica sobre a história do jazz, partindo de uma análise social/histórica numa perspectiva pessoal – e muito superficial. Infelizmente, além de nada acrescentar à boa dinâmica literária, serve-se de factos errados para alimentar e condicionar uma linha de pensamento.

Entre as várias ideias questionáveis, refere-se à enérgica fase final de Coltrane como “esgotamento criativo”, faz uma ligação directa entre a ascensão do free jazz ao declínio de vendas de discos – factualmente errado, o jazz já há muito que tinha perdido as vendas, desde a afirmação do rock como música popular. Lamentável é também ignorar a contínua evolução da história do jazz, fazendo apenas uma breve referência aos anos 1980s para assinalar o ressurgimento do hardbop. É uma pena que o autor tenha acrescentado este posfácio, porque de resto se trata de um objecto literário aprazível, bem estruturado e desenvolvido.

Nota sobre a tradução:
A tradução para português foi realizada por Bruno Vieira Amaral. Não li o original para uma análise aprofundada, mas percebe-se que o trabalho de tradução de uma obra destas não será tarefa fácil, não só pela diversidade termos técnicos musicais, sobretudo pelas expressões características da cena jazzística. Contudo o maior problema – e mais visível – é mesmo o título do livro. “But Beautiful” é também o título de uma canção, standard intemporal, e seria difícil encontrar uma equivalência perfeita em português. Não seria um daqueles casos (raros) em que se poderia deixar o original, compensado com o subtítulo explicativo?