Há jazz em Fafe


Miguel Ângelo

Durante o mês de Outubro a cidade de Fafe acolhe a terceira edição do ciclo “Jazz em Fafe”. Promovido pela Câmara Municipal, o ciclo vai promover três concertos no Teatro Cinema, sempre com entrada gratuita: Renato Dias Trio (dia 13); Roberto Pianca (dia 20); e Miguel Ângelo Quarteto (dia 27). Além destes, realizam-se concertos pela cidade, organizados pela Escola de Jazz do Porto, nos dias 14, 21 e 28.

Ao Vivo: Angrajazz 2017


Yilian Cañizares [Fotografia: Jorge Monjardino]

Chegado à sua 19ª edição, o festival da Ilha Terceira manteve a habitual coerência na programação, apresentando uma linha programática focada num jazz “mainstream”, sem esquecer propostas mais arrojadas, mas acessíveis. A edição de 2017 do Angrajazz, que decorreu entre os dias 4 e 7 de Outubro no Centro Cultural e de Congressos, seguiu a tradição da sua linha estética, não faltando a habitual presença de um/a cantor/a e, num gesto de diferença, apresentando duas propostas mais próximas da música latina. Este ano o evento arrancou mais cedo, a 29 de Setembro, com o ciclo de concertos “Jazz na Rua” a antecipar as quatro noites do programa oficial. Foram três os projectos musicais que actuaram em diversos locais da cidade de Angra do Heroísmo, levando propostas de jazz a locais populares, com entrada livre. Nesta iniciativa participaram o duo Mano a Mano, dos irmãos André e Bruno Santos, e dois projectos de músicos que integram a Orquestra Angrajazz: Wave Jazz Ensemble e Sara Miguel Quarteto. Continue reading “Ao Vivo: Angrajazz 2017”

Jazz ao Centro 2017​: formato alargado


Quartabê

A 15ª edição do Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra realiza-se decorre entre os dias de 13 a 28 de Outubro. O festival reformulou o seu conceito e para esta edição de 2017 alargou a programação de concertos a vários municípios da região Centro: Coimbra, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Penela e Vila Nova de Poiares. A programação, que tinha um histórico de apostar no jazz de vanguarda, este ano mostra uma abertura a outras linhas estéticas, algumas que fogem mesmo ao âmbito jazzístico. Do programa fazem parte nomes como Peter Evans Ensemble, Quartabê, Sei Miguel, Carlos Bica & Azul, Lina Nyberg, Ambiq, Carmen Souza e Norberto Lobo (quarteto com Yaw Tembe, Ricardo Jacinto e Marco Franco), entre outros. Aqui fica a programação completa.

13 Out: Jazz na Filarmónica Mirandense | Casa das Artes | Miranda do Corvo
13 Out: Carmen Souza Trio | Auditório da Biblioteca Municipal | Penela
14 Out: O Jazz é Fixe! | Auditório Municipal | Figueira da Foz
14 Out: Lina Nyberg Band | Casa das Artes | Miranda do Corvo
20 Out: Lisbon Freedom Unit | Salão Brazil | Coimbra
20 Out: Palestra “Estórias da História do Jazz em Portugal” por Rui Eduardo Paes | Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
21 Out: Masterclass: Carlos Bica / Frank Mobus / Jim Black | Convento São Francisco | Coimbra
21 Out: Nils Berg Cinemascope | Convento São Francisco | Coimbra
21 Out: Camões / Lemaire / Arques + Alvaro Rosso | Convento São Francisco | Coimbra
21 Out: Ambiq | Convento São Francisco | Coimbra
21 Out: Carlos Bica & Azul | Convento São Francisco | Coimbra
21 Out: Quartabê |  | Salão Brazil | Coimbra
26 Out: Marcelo D2 & Sambadrive  | Convento São Francisco | Coimbra
27 Out: Sei Miguel Quarteto / Fail Better! / Älforjs / PeterGabriel | Vários locais da Baixa | Coimbra
27 Out: Pablo Lapidusas International Trio | Salão Brazil | Coimbra
28 Out: Peter Evans Ensemble | Conservatório de Música | Coimbra
28 Out: Norberto Lobo | Salão Brazil | Coimbra
13-28 Out: Oficina c/ Filarmónica Fraternidade de Poiares (direcção de Eduardo Lála) | Vila Nova de Poiares
13-28 Out: Exposição “Histórias do Jazz” | Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra

The Rite of Trio em Nova Iorque

O grupo portuense The Rite of Trio actuou em Nova Iorque no mês passado, num concerto organizado pela Associação Jazz’Aqui em parceria com o Arte Institute. O concerto teve lugar no dia 16 de Setembro no Joe’s Pub at The Public e a actuação do trio português deixou boas memórias.

Pedro Moura Alves, do Jazz’Aqui, conta a sua perspectiva do concerto: “Os músicos apresentaram-se em palco com um som poderoso, ao mesmo tempo melancólico e único, que nos faz ficar agarrado à cadeira em cada nota,  sempre à espera de uma nova surpresa, tal é o bouquet de estilos que nos presenteiam em cada tema deste Jambacore – como os próprios músicos o definem.  O concerto terminou com a participação de uma convidada surpresa, Aubrey Johnson, que presenteou o público com a sua voz de tal forma cativante e entrosada com a música interpretada, que nos fez pensar que tal conexão com os The Rite of Trio já era fruto de uma longa colaboração. Se tal não era verdade, uma vez que os músicos se conheceram nesse mesmo dia, o fruto desta colaboração tem pernas para andar. O público presente, embora não preenchendo a totalidade do espaço, participou de forma activa no concerto, partilhando o entusiasmo da organização e dos músicos. A garra, e o carácter único deste som, arrebatou o público, que foi soltando uns sons e uns risos descontrolados de descompressão de quando em vez, após cada mudança tanto a nível de estilo como ao volume de som que os The Rite of Trio emanava do palco. No final do concerto houve ainda tempo para os presentes conversarem com os músicos, dando o seu feedback, que foi deveras positivo.” Continue reading “The Rite of Trio em Nova Iorque”

João Lencastre apresenta a sua nova batida


João Lencastre e Alexandre Frazão

O baterista João Lencastre acaba de lançar o seu novo projecto Share Your Beat, uma série de vídeos disponibilizados online que registam momentos em duo com bateristas – música em duo e entrevista/diálogo. Em exclusivo, o baterista apresenta este novo projecto.

O que é o Share Your Beat?

Em cada programa há um convidado diferente e o programa divide-se em três partes. Na primeira parte há uma improvisação em que o convidado tem total liberdade para tocar o quiser e partilhar por assim dizer o “seu beat”. Na segunda parte há uma conversa entre mim e o convidado sobre discos que mais o marcaram na sua evolução enquanto músico, que lhe deram uma direcção, e vai-se desenvolvendo assim uma conversa sobre música. A terceira parte é uma improvisação de duas baterias entre mim e o convidado. Esta primeira temporada conta com a participação de bateristas que vêm de backgrounds diferentes, desde o jazz, ao rock, world music, etc… E é esse o principal objectivo do programa, dar a conhecer as diferentes formas de expressão musical…  Continue reading “João Lencastre apresenta a sua nova batida”

Memória: “Junk Magic” de Craig Taborn

Texto publicado originalmente no site Tomajazz, em Abril de 2005.

Craig Taborn
“Junk Magic”

(Thirsty Ear, 2004)

El catálogo “Blue Series” del sello Thirsty Ear, de cuya dirección se encarga el pianista Matthew Shipp, promueve algunos de los proyectos más interesantes de la vanguardia del jazz inconformista de la actualidad. Siempre explorando nuevos rumbos, este sello no se cansa de presentar proyectos innovadores que son, al mismo tiempo, siempre interesantes y agradables. Ejemplos de ello son las grabaciones de los renacidos Spring Heel Jack (con invitados), del gigante William Parker, del propio Matthew Shipp (a su nombre, liderando la Blue Series Continuum o en colaboración con Antipop Consortium), quienes, entre otros, ya han presentado resultados excelentes. Una de las más recientes ediciones del catálogo es la grabación de una sesión liderada por el pianista Craig Taborn. “Junk Magic” es el resultado de un gran proyecto de Taborn en el que cuenta con la colaboración de Aaron Stewart (saxo tenor), Mat Maneri (viola) y David King, miembro The Bad Plus (batería). Continue reading “Memória: “Junk Magic” de Craig Taborn”

Maranha leva “Cai-Bem” à ZDB


[Fotografia: Vera Marmelo]

David Maranha acaba de apresentar um novo disco, publicado pela editora Tanuki Records. Este novo trabalho é o resultado de um novo quarteto onde cada músico toca instrumentos com os quais estará, à partida, pouco familiarizado: David Maranha na bateria, Manuel Mota no baixo, Margarida Garcia no órgão e Miguel Abras na voz e multitrack cassete recorder. O novo disco “Cai-Bem” – título inspirado na Cova do Vapor – já pode ser ouvido e encomendado online. Assinalando esta edição, o quarteto de Maranha apresenta-se ao vivo na Galeria ZDB, em Lisboa, no dia 27 de Outubro (bilhetes a 6€). 

José Dias apresenta o projecto Awareness

O guitarrista José Dias vai apresentar o seu novo projecto ao vivo na SMUP (Parede) no próximo dia 13 de Outubro. O novo quarteto chama-se Awareness e surge após a edição de dois discos em nome próprio – “360” e “What Could Have Been” – e do trio Magenta.

Em exclusivo, o guitarrista apresenta este novo projecto: “Depois desses discos com, sobretudo, composições minhas, tomei algum tempo para repensar a minha forma de abordar a composição e a improvisação. Nesse período, comecei a explorar algo que hoje faço com bastante regularidade – a improvisação livre para filmes mudos. Esse acto de re-focar a minha atenção – não apenas no som e em formas mais estáticas, mas também no estímulo visual e na imprevisibilidade narrativa de fazer som para uma história, situação ou paisagem que se desenrola à nossa frente em tempo real – fez-me tomar consciência de outros recursos que não tinha explorado até aqui. O quarteto chama-se Awareness sobretudo por isso.”

Para este novo grupo Dias reuniu três músicos portugueses: Francisco Andrade (saxofones tenor e alto), Gonçalo Prazeres (saxofones alto, tenor e barítono) e Rui Pereira (bateria). O guitarrista explica a escolha: “São músicos que admiro e com quem me identifico, não só como improvisadores, mas também como compositores. Os concertos funcionam como uma sessão de improvisação para um filme mudo – mas que pode também ser para uma cena de um romance ou de um conto – partindo de estruturas e motivos mínimos. Por isso, a maior parte dos meus temas tem como inspiração personagens “irresolvidas” nos romances que protagonizam – John Willoughby de “Sensibilidade e Bom Senso”; Angela Vicario de “Crónica de uma Morte Anunciada”; Gustav de “Morte em Veneza”; ou Humbert Humbert de “Lolita”. No caso do Francisco Andrade há quase que uma atenção laboratorial ao uso individualizado de mecanismos musicais – as dinâmicas, os ciclos melódicos e harmónicos. No Gonçalo Prazeres há um nítido desafio aos limites da harmonia. E o Rui Pereira cria contrastes muito interessantes entre padrões rítmicos pouco usuais e sequências harmónicas bastante abertas. No fundo, todos nos encontramos no ponto em que, na música que fazemos, estamos sobretudo focados em construir paisagens sonoras. O facto de – propositadamente – não existir contrabaixo adensa o desafio de se criarem texturas novas.”

O concerto na SMUP vai ser gravado para edição discográfica em 2018, altura em que serão apresentados mais concertos em Portugal e no Reino Unido.