Março no Hot (em festa)

Maria Mendes

Assumindo como data oficial de fundação o dia 19 de Março de 1948, o Hot Clube de Portugal (HCP) vai celebrar este mês o seu 70º aniversário. O processo do HCP de fundação foi moroso, a proposta de estatutos foi entregue em 1946 e só foi aprovada em 1950, mas o clube assume como data oficial o dia em que o fundador Luís Villas-Boas preencheu a sua ficha de sócio.

Além dos já anunciados concertos no Teatro São Luiz, o Hot Clube apresenta ainda duas noites de concertos com o trio Fascination de Joe Lovano (dias 21 e 22). A programação do mês inclui ainda actuações do grupo Lokomotiv de Carlos Barretto (o trio celebra 20 anos e apresenta disco novo), do novo trio João Mortágua / André Santos / Carlos Bica e da cantora Maria Mendes (que convida Karel Boehlee e Ricardo Toscano), entre outros. A jam sessions, lideradas pelo saxofonista César Cardoso, realizam-se este mês apenas duas vezes (dias 20 e 27). Excepcionalmente, o Septeto do HCP dará um concerto na noite de domingo, 18 de Março, celebrando à meia noite os 70 anos do clube.

Programa completo [PDF]

Pedro Costa ganha prémio de “programação aventureira”

Pedro Costa e Bogdan Benigar [Fotografia: Žiga Koritnik]

O Prémio da Europe Jazz Network para a “programação aventureira” foi atribuído este ano ao Festival Jazz de Ljubljana. O festival contou nos últimos anos com direcção artística conjunta de Bogdan Benigar e Pedro Costa (Clean Feed), uma parceria que se iniciou em 2011 e se prolongou até ao ano passado, tendo resultado também na edição de vários discos gravados ao vivo. Os vencedores das edições anteriores do Prémio EJN foram: Tampere Jazz Happening (2017), Manchester Jazz Festival (2016), Moers Festival (2015), Jazz em Agosto (2014), Bimhuis (2013) e  12 Points Festiva (2012).

A dupla de directores artísticos, Costa e Benigar, emitiu o seguinte comunicado: “We’re delighted to receive this Award. We always believed that our choices are futuristic and strong examples how to point out the art form which has no boundaries and it’s only limited by creative thinking in making music with an important thought of how to present it live on stage.”

Joe Lovano vai à festa do Hot Clube

Assinalando o seu 70º aniversário, o Hot Clube de Portugal promove dois concertos especiais no Teatro São Luiz. No dia 23 de Março, às 21h00, a Orquestra de Jazz do Hot Clube de Portugal actua com o veterano saxofonista Joe Lovano como convidado (bilhetes de 9€ a 17€). No dia 25 de Março, domingo, às 17h30, o São Luiz acolhe um espectáculo que vai reunir actuações de várias formações de jazz (entrada livre sujeita à lotação da sala).

“Diz” celebra 20 anos no São Luiz

[Fotografia: Valério Romão]

Em 1998 o contrabaixista Carlos Bica gravou o disco “Diz” em parceria com a cantora e actriz Ana Brandão. Vinte anos depois a dupla reúne-se para um concerto de celebração no Teatro São Luiz. Em palco Bica e Brandão irão contar com a companhia de João Paulo Esteves da Silva (piano), Filipe Bica (violino) e Valentin Gregor (viola de arco).

A cantora Ana Brandão aproveita para revelar uma curiosidade: “A novidade será o violinista [Filipe Bica], que é o filho do Bica. Há vinte anos, no nosso primeiro concerto, no fim ele subiu para o palco e abraçou o pai. Agora, vinte anos depois, vai substituir a mãe.” O concerto terá lugar no dia 24 de Março, às 21h00, na sala Luis Miguel Cintra do Teatro São Luiz.

Desidério Lázaro leva “Moving” ao Hot Clube

[Fotografia: Márcia Lessa]

O saxofonista Desidério Lázaro acaba de publicar um novo disco. Editado pela Sintoma Records, o disco “Moving” é o quinto álbum de Lázaro na condição de líder e apresenta uma música que o próprio classifica como “enérgica e emocional”. Este disco foi gravado em quarteto na companhia de João Firmino (guitarra), Francisco Brito (contrabaixo) e Joel Silva (bateria). Lázaro vai apresentar a sua música nova em três noites no Hot Clube, nos dias 22, 23 e 24 de Fevereiro.

Memória: A guitarra saturnina de Mary Halvorson

[Fotografia: Nuno Martins]

A guitarrista Mary Halvorson já não será uma surpresa para ninguém. O álbum “Saturn Sings”, de composições aventureiras, foi a confirmação definitiva de um talento da guitarra que não vai deixar ninguém indiferente. Começou por tocar violino, mas cedo mudou para a guitarra eléctrica. Teria uns onze anos: “Aborrecia-me tocar em orquestras e nunca gostei muito do violino. Nessa altura comecei a ouvir coisas como Jimi Hendrix e The Allman Brothers e decidi que queria tocar guitarra”. A chegada ao jazz não foi intencional: “o professor de guitarra era músico de jazz, por isso aconteceu por acaso. Além disso, o meu pai tinha muitos discos de jazz em casa e eu comecei a ouvi-los e a ficar interessada.” Desses primeiros discos que lhe chamaram a atenção, a guitarrista refere clássicos: “Kind of Blue” de Miles Davis, “Blue Train” de John Coltrane e uma compilação de Thelonious Monk. Continue reading “Memória: A guitarra saturnina de Mary Halvorson”

Documentário “Amplified Gesture” no Youtube

O filme “Amplified Gesture”, documentário de Phil Hopkins sobre música improvisada, está disponível no Youtube na íntegra. Editado em 2009, o DVD integrou uma edição especial do disco “Manafon” de David Sylvian, o brilhante disco onde o ex-cantor dos Japan mergulha na improvisação livre. O documentário inclui entrevistas com improvisadores como Evan Parker, Otomo Yoshihide, John Butcher, Eddie Prevost, Sachiko M e Christian Fennesz.

Jazz regressa à Amadora

Alexandre Coelho

Vem aí mais uma edição do ciclo Amadora Jazz, que se realiza entre os dias 28 de Fevereiro e 3 de Março. O festival vai apresentar cinco concertos nos Recreios da Amadora e no Cineteatro D. João, numa co-organização da C.M. Amadora e do Jazz ao Centro Clube. O ciclo vai levar quatro concertos aos Recreios da Amadora: Desidério Lázaro (28 Fevereiro, no Salão Nobre, entrada livre), Alexandre Coelho Quarteto (1 Março, 5€), Carlos Martins Quarteto (2 Março, 5€) e Cornettada (trio de Hugo Antunes, Giovanni Di Domenico e João Lobo, 3 Março, 5€). No dia 3 realiza-se também às 17h00 um concerto da Gerajazz, o programa de jazz da Orquestra Geração, no Cineteatro D. João V (entrada livre).

[Notícia actualizada a 28 de Fevereiro: o duo Mano a Mano foi substituído por Desidério Lázaro]

3 Discos? A escolha de Inês Meneses

A radialista Inês Meneses é a voz das manhãs na Rádio Radar e a autora do programa “Fala com Ela” – histórico programa de entrevistas a personalidades da cultura e das artes. Colabora actualmente com o jornal Expresso e mantém programas em parceria com Pedro Mexia (“PBX”, podcast Radar/Expresso) e Júlio Machado Vaz (“O Amor é” na Antena 1). Brinda-nos com palavras, brinca com as palavras e é dela essa voz que preenche o éter português. Três discos de jazz? Estas são as suas escolhas.

“O jazz de que gosto agrava a minha melancolia. É um sopro do coração que um trompete ou um piano empurram para fora e fica à mercê da nossa vulnerabilidade. Uso o jazz para me separar as dores, uma reciclagem que nem sempre consigo com outra música.”

Bill Evans – “Portrait In Jazz” (Riverside, 1960)
“Todos os dias passava numa loja antiga cheia de tralha e ficava a olhar para o vinil de Bill Evans na montra. Aquele disco dava à loja a dignidade que ela parecia ter perdido, e eu hesitei em trazê-lo por isso mesmo: ia levar o disco mais bonito que ali estava. Um dia tive que trazer essa dignidade para minha casa…”

Miles Davis – “Someday My Prince Will Come” (Columbia, 1961)
“Ainda está viva Frances, a mulher da capa deste disco, que foi casada com Miles Davis, uma década. Como seria viver com estes homens tão intensos que parecem estar sempre no limite de qualquer coisa? Sempre prestes a transbordar…? Neste disco, a última colaboração entre Miles Davis e John Coltrane.”

The Modern Jazz Quartet – “Pyramid” (Atlantic, 1960)
“Sem querer, acabo a escolher discos da mesma altura. Este é muito recente em minha casa. Tem o John Lewis ao piano (o fundador do Modern Jazz Quartet), um homem que ouvia e tocava muita música clássica. É um disco de uma elegância tão rara. Veste de tuxedo a minha melancolia.”

Disco: “An End As a New Beginning” de Home

Home
“An End As a New Beginning”
(Inner Circle / Nischo, 2017)

Com o seu disco de estreia, “Directions” o acordeonista João Barradas confirmou-se, mais do que um extraordinário virtuoso, como compositor sólido e, sobretudo, como músico completo, com impecável bom gosto. Esse álbum, um portentoso monumento de jazz mainstream, bateu com uma força enorme num raro momento para o jazz português. Poucos meses depois dessa notável estreia, Barradas apresentou um projecto alternativo, onde se lança para um jazz contemporâneo mais aberto e eléctrico.

Para este grupo o acordeonista, líder e compositor reuniu um grupo de jovens músicos (todos com idades próximas da sua) que exibem a alta qualidade técnica da mais jovem geração do jazz nacional. Sem olhar a geografias, juntou músicos do norte e do sul, numa espécie de “all-star” júnior: Mané Fernandes (guitarra eléctrica), Gonçalo Neto (guitarra eléctrica), Eduardo Cardinho (vibrafone), Ricardo Marques (baixo eléctrico) e Guilherme Melo (bateria).

Instrumentalmente, neste projecto Barradas livra-se do tradicional acordeão clássico, servindo-se exclusivamente do acordeão Midi, instrumento que já havia usado pontualmente no disco anterior. Trabalhando sons aproximados a teclados eléctricos, por vezes soa a um piano eléctrico, outras vezes está mais próximo de um sintetizador. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3269-an-end-as-a-new-beginning/