Disco: “Praise of Our Folly” Lisbon Freedom Unit

Lisbon Freedom Unit
“Praise of Our Folly”
(Clean Feed, 2018)

Quando, num longínquo futuro, se fizer a arqueologia da música improvisada em Portugal no início do século XX, este disco será um documento fundamental para se entender as dinâmicas da improvisação mais pura. Quem não quiser esperar, poderá ouvir já este disco.

Texto completo no jornal Público: https://www.publico.pt/2018/10/25/culturaipsilon/critica/turbilhao-1848539

O jazz regressa à Marinha Grande

João Paulo Esteves da Silva Trio [Fotografia: Vitorino Coragem]

Vem aí a quarta edição do Festival de Jazz da Marinha Grande, que decorre entre os dias 10 e 24 de Novembro. O festival irá levar espectáculos à Casa da Cultura Teatro Stephens e ao Auditório José Vareda, no Sport Operário Marinhense. O festival arranca com a apresentação dos combos das oficinas, dinamizadas pelos professores César Cardoso e Pedro Nobre, e inclui actuações de Paula Oliveira (com o novo projecto “Canções Possíveis”), João Paulo Esteves da Silva Trio (do trio que gravou o magnífico “Brightbird”), Gonçalo Marques Quarteto (com Jacob Sacks, Masa Kamaguchi e Marco Franco) e (a apresentar o disco “A Dança dos Pássaros”, reinterpretação da música de António Pinho Vargas). Aqui fica o programa completo.

10 Nov: Apresentação dos combos (Teatro Stephens)
16 Nov: Paula Oliveira “Canções Possíveis” (Sport Operário Marinhense)
17 Nov: João Paulo Esteves da Silva Trio (Teatro Stephens)
23 Nov: Gonçalo Marques Quarteto (Sport Operário Marinhense)
24 Nov: Orquestra Jazz do Hot Clube de Portugal (Teatro Stephens)

Ricardo Toscano Quarteto toca Bernardo Sassetti no CCB

O Centro Cultural de Belém vai acolher um concerto especial do Ricardo Toscano Quarteto, que vai interpretar a música de Bernardo Sassetti. O espectáculo realiza-se no dia 25 de Outubro, às 21h00, no Pequeno Auditório. Este concerto resulta de um convite da Casa Bernardo Sassetti, numa iniciativa que tem o objectivo de homenagear a obra do pianista e compositor e, também, de fazer a ligação com a nova geração de músicos portugueses.

A directora artística da Casa Bernardo Sassetti, Inês Laginha, justifica a escolha: “O jovem saxofonista tem-se vindo a afirmar nos últimos anos como um músico emergente e incontornável da nova geração de instrumentistas de jazz portugueses e com ele os músicos que constituem o seu quarteto. Tocam juntos há 5 anos e se a sua abordagem se apoia fortemente no jazz tradicional, como o fez aliás Bernardo Sassetti no início da sua carreira, a sua tenra idade vem acompanhada de uma inevitável curiosidade e abertura à exploração musical. É nesse sentido que a Casa Bernardo Sassetti escolheu desafiá-lo para este concerto: para que música do Bernardo seja relembrada, mas mais ainda para que seja explorada nas mãos de alguém que tendo os pés na tradição tem o olhar no futuro.”

Luís Vicente: Um trompete a dialogar

O trompetista Luís Vicente já se afirmou como um dos mais internacionais músicos portugueses da sua geração. Músico com um percurso vasto, tem actuado pela Europa fora, tem alimentado colaborações com diversos músicos estrangeiros e tem acumulado gravações que documentam as mais diversas parcerias. Se é verdade que a música improvisação livre tem vivido tempos particularmente ricos em Portugal, Vicente consegue destacar-se como um dos mais notáveis improvisadores, exibindo técnica e versatilidade. Editou em 2012 o seu disco de estreia como líder, “Outeiro”, e tem colaborado em projectos como Clocks & Clouds, Fail Better!, Twenty One 4tet , Dikeman/Vicente/Antunes/Ferrandini, In Layers, Deux Maisons e What About Sam?, entre outros projectos e participações em grupos ad-hoc. Acabando de editar quatro discos novos, o trompete de Luís Vicente mostra-se imparável. Continue reading “Luís Vicente: Um trompete a dialogar”

Disco: “Olho de Peixe” de Daniel Neto

Daniel Neto
“Olho de Peixe”
(Edição de autor, 2018)

O guitarrista Daniel Neto nasceu em Calw, nos arredores de Estugarda, no ano de 1979, e começou a tocar guitarra aos 14 anos. Estudou na Escola de Jazz Luiz Villas-Boas do Hot Clube de Portugal (entre 2001 e 2007) e em 2009 entrou no curso de Jazz da Universidade de Évora. É professor de guitarra desde 2006, licenciado em Música – Ramo Guitarra Jazz Performance pela Universidade de Évora desde 2013 e formado em Guitarra Clássica com o 8º Grau pelo Trinity College London desde de 2017.

O guitarrista tem tocado e colaborado com músicos e projectos diversos, como Joana Barra Vaz, Alexander Search e Jungle Jazz Orchestra, entre outros. Em paralelo, Daniel Neto tem construído uma carreira em nome próprio e editou o seu disco de estreia, “Embrião”, em 2015 – o disco foi gravado em Estugarda com um trio de músicos locais: Bernard Birk (no órgão), Georg Bomhard (no contrabaixo) e Thorge Pries (na bateria). Continue reading “Disco: “Olho de Peixe” de Daniel Neto”

Novembro no Hot Clube

Ricardo Toscano Quarteto

O Hot Clube de Portugal acaba de apresentar a programação para o mês de Novembro de 2018. A histórica casa da Praça da Alegria vai acolher os seguintes concertos: Wako (quarteto da Noruega), Jazz Ensemble Düsseldorf (da Alemanha), Ricardo Toscano Quarteto (a apresentar o seu muito aguardado disco de estreia), Michael Lauren AllStars, Home (de João Barradas), Paula Oliveira (apresentado “Canções Possíveis” para os “Poemas Possíveis” de José Saramago), Lucian Ban & Mat Maneri, Francesca Tandoi Trio, André Fernandes’ Kinetic, Umbrella e Gonçalo Marques Quartet (super-grupo com Jacob Sacks, Masa Kamaguchi e Jeff Williams). Aqui fica o programa completo.

Programa [PDF]

Amaro Freitas: do Brasil com amor

Nos últimos tempos o Brasil tem estado no centro de todas as atenções, assombrado pelo fantasma do fascismo. Mas nem tudo são más notícias e do Brasil chega-nos também um novo talento do jazz contemporâneo, o pianista Amaro Freitas. O músico de Pernambuco editou o seu disco de estreia “Sangue Negro” em 2016 e está quase a lançar o seu novo álbum, intitulado “Rasif”, editado pela inglesa Far Out Recordings. O pianista vai passar pelo festival Outono em Jazz e promete um jazz criativo injectado de ritmos brasileiros. O novo disco já pode ser escutado no Spotify.

Vem aí o Caldas Nice Jazz

SFJazz Collective

Está a chegar a edição 2018 do festival Caldas Nice Jazz, que arranca no próximo dia 25 de Outubro. O festival caldense conta com um programa rico, apresentando concertos ao longo de sete noites no CCC – Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha. O festival apresenta concertos da Orquestra de Jazz de Matosinhos (25 Out.), Salomão Soares Trio (26 Out.), SFJazz Collective (27 Out.), Matt Chandler Trio (1 Nov.), Julia Biel (2 Nov.) e Alfa Mist (3 Nov.). Em paralelo decorrem actividades paralelas, concertos em vários locais e outros eventos, onde se inclui a exposição “Txim, txim, txim, pó, pó, pó, pó: 100 anos de Jazz em Portugal”, organizada por João Moreira dos Santos.

Documentário sobre a editora Blue Note no Doclisboa

A edição 2018 do festival Doclisboa arranca no próximo dia 18 de Outubro e, como habitualmente, não faltarão documentários sobre música (na secção “Heartbeat”). Um dos destaques do programa é o filme “Blue Note Records: Beyond the Notes”, da autoria da realizadora Sophie Huber. O documentário tem como foco a lendária editora Blue Note, cujo percurso se confunde com a própria história do jazz, juntando entrevistas com músicos, imagens de arquivo e sessões de gravação. O filme terá duas exibições no festival, nos dias 18 de Outubro (21h15) e 25 de Outubro (16h15), ambas na Culturgest.

Gravações inéditas de Dexter Gordon e Woody Shaw

A editora Element editou este ano gravações inéditas de dois músicos lendários, Dexter Gordon e Woody Shaw. Foram agora publicados em CD e LP registos de concertos que os dois músicos americanos deram na Europa e Japão, gravações que não tinham sido editadas até ao momento. Do saxofonista Dexter Gordon foram lançados os discos “Tokyo 1975” e “Espace Cardin 1977” (gravado em Paris). Do trompetista Woody Shaw foram editados os registos “Tokyo ’81” e “Live In Bremen 1983”.  Na gravação de Tóquio Dexter Gordon lidera um quarteto com Kenny Drew (piano), Niels-Henning Ørsted Pedersen (contrabaixo) e Albert “Tootie” Heath (bateria). Já na actuação de Paris Gordon está acompanhado pelo contrabaixista Pierre Michelot, pelo baterista Kenny Clarke e, atenção, pelo pianista Al Haig (este é o único registo gravado da colaboração entre estes dois músicos). No disco “Tokyo ’81” Woody Shaw está à frente de um quinteto com Steve Turre (trombone), Mulgrew Miller (piano), Stafford James (contrabaixo) e Tony Reedus (bateria) – a mesma formação que gravou “The Time is Right” (1983). No concerto “Live In Bremen 1983” o trompetista lidera um quarteto com os mesmos músicos, com a excepção do trombonista. Não sendo discos fundamentais para se compreender o percurso de cada um dos músicos, nem tendo propriamente um som perfeito, são objectos interessantes, particularmente para coleccionadores e completistas.