Culturgest anuncia programação até Setembro

Jonah Parzen-Johnson

A Culturgest acaba de anunciar a programação para os meses de Abril até Setembro. Esta é a última temporada com programação assinada pela anterior administração, liderada por Miguel Lobo Antunes, e representa também o fim do ciclo “Isto é jazz?” comissariado por Pedro Costa, após dez anos de concertos desafiantes de jazz criativo e improvisação.

Assim, serão estes os últimos concertos do ciclo “Isto é jazz?”: Lucia Cadotsch (5 Abril), Jonah Parzen-Johnson (13 Abril) e Sofia Jernberg & Alexander Hawkins (8 Junho). Soma-se ainda o já anunciado concerto do quarteto “allstar” Gabriel Ferrandini / Evan Parker / Sten Sandell / Axel Dorner (11 Maio).

A programação de música na Culturgest será assegurada por Pedro Santos, que transita do Maria Matos acompanhando Mark Deputter.

Jazz em Agosto 2018: à volta de John Zorn

John Zorn [Fotografia: Chad Batka]

Pela primeira vez, o festival Jazz em Agosto foi organizado exclusivamente à volta de um só músico, o norte-americano John Zorn. O festival abre com uma actuação de Zorn com Thurston Moore (“Stone Improv Night”) e a principal novidade no programa são as noites de concertos duplos, dedicadas à interpretação de composições de John Zorn.

O Jazz em Agosto vai apresentar actuações de Mary Halvorson Quartet, Masada, Nova Quartet, Asmodeus, Kris Davis Quartet, John Medeski Trio, Craig Taborn, Simulacrum, Highsmith Trio, Insurrection e Secret Chiefs 3, entre outros. O programa inclui ainda dois projectos portugueses que, não tendo colaborado directamente com o nova-iorquino ou interpretado a sua música, trabalham músicas originais com costelas zornianas: The Rite of Trio e Slow Is Possible.

O festival da Gulbenkian vai realizar-se entre os dias 27 de Julho e 5 de Agosto. Aqui fica o programa completo.

27 Jul, 21h30: John Zorn & Thurston Moore “Stone Improv Night”

28 Jul, 21h30: Mary Halvorson Quartet / Masada “The Book of Angels”

29 Jul, 18h30: Filme “John Zorn (2016-2018)”
29 Jul, 19h30: Jumalatteret
29 Jul, 21h30: The Hermetic Organ

30 Jul, 18h30: The Rite of Trio
30 Jul, 21h30: Nova Quartet / Asmodeus “Bagatelles 1”

31 Jul, 18h30: Ikue Mori “Pomegranate Seeds” (filme-concerto)
31 Jul, 21h30: Simulacrum

1 Ago, 18h30: Robert Dick
1 Ago, 21h30: Kris Davis Quartet / John Medeski Trio “Bagatelles 2”

2 Ago, 17h00: Filme “Bhima Swarga”
2 Ago, 18h30: Slow Is Possible
2 Ago, 21h30: Highsmith Trio

3 Ago, 17h00: Filme “John Zorn’s The Book of Heads – 35 études for solo guitar performed by James Moore”
3 Ago, 18h30: Dither “Game Pieces”
3 Ago, 21h30: Insurrection

4 Ago, 17h00: Filme “Celestial Subway Lines / Salvaging Noise”
4 Ago, 18h30: Trigger “Bagatelles” + “Apparitions”
4 Ago, 21h30: Craig Taborn / Brian Marsella Trio “Bagatelles 3”

5 Ago, 17h00: Filme “Between Science and Garbage”
5 Ago, 18h30: Julian Lage & Gyan Riley
5 Ago, 21h30: Secret Chiefs 3 “Masada”

Abril no Hot Clube

Old Mountain

O Hot Clube de Portugal já apresentou a programação para o mês de Abril. Pela Praça da Alegria vão passar vários projectos internacionais: Tammy Weiss, Marc Miralta, Myriad 3, George Colligan e Lynn Baker. Não faltarão também projectos nacionais, nomeadamente da geração mais jovem: Old Mountain (duo de Pedro Branco e João Sousa), Beatriz Nunes, Pedro Nobre e João Fragoso. Neste mês há ainda quatro jam sessions (dias 3, 10, 17 e 24), organizadas pelo guitarrista Bruno Santos, com entrada livre.

Programa completo [PDF]

Há jazz em Évora

Beatriz Nunes [Fotografia: Rita Carmo]

Vai nascer um novo festival de jazz em Évora. Nos dias 23, 24 e 25 de Março realiza-se a primeira edição do Évora Jazz Fest, que terá lugar no Teatro Garcia de Resende. O festival vai apresentar concertos de Diego El Gavi, Pablo Lapidusas International Trio, Gene García, Mili Vizcaíno e Beatriz Nunes. O festival é organizado pela C.M. Évora e, além dos concertos, promove ainda jam sessions (no bar Mói-te), dois workshops e uma exposição de pintura.

Artigo: Guilherme Rodrigues x 3

[Fotografia: Kezzyn Andrey]

Tem sido difícil acompanhar todo o material publicado pela editora Creative Sources, a editora portuguesa que se tem afirmado internacionalmente na área da improvisação livre. Fundada no ano de 2001, da iniciativa de Ernesto Rodrigues (viola d’arco), a editora tem não só documentado o percurso do fundador, como vem publicando registos de músicos que vêm definido a música improvisada no século XXI: Tetuzi Akiyama, Oren Marshall, Rhodri Davies, Axel Dörner, Peter Evans, Franz Hautzinger, Radu Malfatti, Jean-Luc Guionnet ou Martin Küchen.

Com cerca de quinhentos discos editados(!), a editora tem sido também fundamental a documentar a produção dos improvisadores portugueses, tendo editado trabalhos de Manuel Mota, Sei Miguel, Luís Lopes, Carlos Santos, Paulo Chagas, Miguel Ângelo, Abdul Moimême, Hernâni Faustino e Nuno Torres, entre outros.

Filho de Ernesto, o violoncelista Guilherme Rodrigues (n. 1988) tem seguido as pisadas do pai e vem construindo um sólido percurso na música improvisada entre Lisboa e Berlim. Já participou em mais de quarenta discos, muitos deles em parceria com o pai, e vem trabalhando a sua própria história. Entre o final de 2017 e o início deste ano de 2018 foram publicados estes três discos que contam com a participação de Guilherme Rodrigues: “Zweige”, “As we read along…” e “Laura” – todas edições da Creative Sources. (…)

Artigo completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/artigos/306-guilherme-rodrigues-x-3/

Vem aí super-quarteto: Ferrandini / Parker / Sandell / Dörner


[Fotografia: Márcia Lessa]

O baterista Gabriel Ferrandini vai estrear um novo quarteto, um super-grupo que junta gigantes da improvisação europeia. A acompanhar Ferrandini estarão Evan Parker (saxofones), Sten Sandell (piano) e Axel Dörner (trompete). O quarteto apresenta-se ao vivo em Portugal em duas datas: no dia 10 de Maio no Teatro Viriato, em Viseu, e no dia 11 na Culturgest, em Lisboa (ciclo “Isto é jazz?”​, ​comissariado por Pedro Costa).

Memória: Entrevista a Anthony Braxton

Compositor e saxofonista, o americano Anthony Braxton é uma verdadeira lenda viva da história do jazz.  Herdeiro da “Great Black Music”, prefere classificar o seu próprio trabalho como “música criativa”. Numa conversa de fim de tarde no anfiteatro ao ar livre da Gulbenkian, Anthony Braxton revela-se.

Quem foram os primeiros músicos que o levaram a ser músico?

Os primeiros músicos que tiveram impacto sobre mim foram Miles Davis, Dave Brubeck e Paul Desmond. Mais tarde fui influenciado pela grande música de Lennie Tristano e Warne Marsh, John Coltrane, Jackie McLean também foi importante, a grande música de Albert Ayler – estive muito atraído pela sua música. Foram principalmente os saxofonistas que mais me influenciaram. Também os meus colegas de Chicago, da AACM, a grande música de Roscoe Mitchell e Joseph Jarman foram certamente influências marcantes.

Acabou de referir John Coltrane e Albert Ayler. Na altura em que começava a tocar, Ayler e Coltrane tinham acabado de desaparecer. Alguma vez sentiu que poderia ser o seu sucessor?

Nunca estive a pensar em termos de ser o sucessor de alguém, queria apenas tocar a minha música da melhor forma que conseguisse. Nessa altura eu fui muito influenciado por esses saxofonistas, mas fui também muito inspirado pela tradição da música escrita – a grande música de Arnold Schöenberg, a grande música de Iannis Xenakis, Karlheinz Stockhausen, John Cage. Pela altura em que eu tinha dezassete/dezoito anos eu já sabia o que queria fazer e não estava a pensar em termos de suceder a alguém, queria fazer o melhor que conseguisse. Continue reading “Memória: Entrevista a Anthony Braxton”

Disco: “Stille” de Orquestra del Tiempo Perdido

Orquestra del Tiempo Perdido
“Stille”
(Shhpuma, 2018)

A Orquestra del Tiempo Perdido é um projecto de Jeroen Kimman, compositor e multi-instrumentista holandês. Esta falsa orquestra apresenta o seu disco de estreia numa edição da label Shhpuma, a subsidiária da editora portuguesa Clean Feed para projectos fora da caixa. De facto, ao contrário da maior parte dos outros projectos da editora, que têm algum ponto de proximidade com o jazz e a improvisação, este é um objecto atípico no catálogo, aqui há pouco espaço para improvisar.

O disco arranca com um tema que soa a música infantil, fica a ideia que poderia acompanhar desenhos animados. Após essa surpresa inicial, percebemos esta música vai estar sempre a surpreender. O disco atravessa diversos registos, por vezes poderia tratar-se de pura música popular, outras vezes é quase música de cabaret, poderia ser banda-sonora para um carrossel (ou montanha russa), noutros momentos soa mais experimental e aproxima-se da vanguarda. Sem se fixar num ponto único, desafia o ouvinte, os seus preconceitos e as suas pré-concepções. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3285-stille/

Anthony Braxton no Solilóquios

Vem aí bomba: o saxofonista Anthony Braxton acaba de ser confirmado no ciclo Solilóquios no Porto. Braxton irá actuar no dia 4 de Junho, numa actuação em duo com a harpista Jacqueline Kerrod (um duo que é uma excepção neste ciclo de concertos a solo). Além deste concerto, para os próximos tempos foram já anunciadas as actuações de Hamid Drake, Otomo Yoshihide e Nicole Mitchell, entre outros. Aqui fica a agenda confirmada até ao momento. Os concertos terão sempre lugar no espaço Yoga sobre o Porto.

25 Mar: Theo Bleckmann
2 Abr: Hamid Drake
11 Abr: Steve Swell
21 Abr: Julius Gabriel
5 Mai: Angelica V. Salvi
27 Mai:  Otomo Yoshihide / Chris Pitsiokos (solo+solo+duo)
31 Mai: Jen Shyu
4 Jun: Anthony Braxton & Jacqueline Kerrod (duo)
29 Out: Nicole Mitchell

Disco: “Trapézio” de Susana China

Susana China
“Trapézio”
(Edição de autor, 2018)

O panorama jazz nacional está recheado de boas vozes, sobretudo femininas. Agora acaba de surgir mais uma nova cantora que se afirma com um disco de estreia sólido. Susana China apresenta-se com um álbum onde não só afirma a sua qualidade vocal, como é ainda surpreendentemente marcado pela originalidade, onde a maioria dos temas são originais da sua própria autoria. Mais do que simples intérprete, Susana apresenta-se também como compositora. (…)

A voz de Susana China apresenta-se num precioso ponto de equilíbrio, entre a sobriedade, a sensibilidade e a elegância, conduzindo as canções com segurança e sem gota de exibicionismo. Exibe um óptimo nível técnico, quer na forma mais convencional a cantar as palavras (boa afinação e dicção) como também a cantar sem palavras (ouçam-se os temas “Valsa de fim de Agosto” e “Pé no degrau”) – com uma maturidade saraserpiana. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3284-trapezio/