Entrevista: Luís Figueiredo


[Fotografia: Márcia Lessa]

O pianista e compositor Luís Figueiredo começou por se afirmar na cena jazz nacional com aedição de dois discos de originais: “Manhã” (2010) e “Lado B” (2012). Com o contrabaixista João Hasselberg trabalha o duo Songbird, fazendo revisões instrumentais de canções populares, e colabora com os cantores Nuno Dias (“Canções Pagãs”), Sofia Vitória e Cristina Branco. Tem desenvolvido um sólido trabalho como produtor e arranjador e foi responsável pelos discos de Luísa Sobral e Ana Bacalhau. É dele o arranjo da canção “Amar pelos Dois”, o emotivo tema que venceu surpreendentemente a Eurovisão. Agora o pianista está focado na sua própria música e prepara-se para editar o novo disco “Kronos / Penélope”, um ambicioso álbum duplo onde apresenta composições originais ao leme de um grupo alargado. Numa conversa sem pressa, o pianista de Coimbra fala sobre o seu percurso, os arranjos, a Eurovisão e o novo disco.

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Livro: “Convergences, Divergences and Affinities”

“Convergences, Divergences and Affinities:
The Second Wave of Free Improvisation in England 1973–1979”

Trevor Barre
(Compass Publishing, 2017)

Com o livro Beyond Jazz – Plink, Plonk & Scratch o inglês Trevor Barre fez a cartografia da génese da improvisação livre em Inglaterra, focando-se num período temporal entre os anos de 1966 e 1972. Neste novo livro Convergences, Divergences and Affinities o autor continua o trabalho e analisa a chamada “segunda vaga” da improvisação entre 1973 e 1979 (novamente um período de sete anos). Se no primeiro volume era analisado o nascimento da música livre (identificando os primeiros momentos, os primeiros concertos, as primeiras salas) até ao processo de afirmação de nomes que ficaram para a história – como Evan Parker e Derek Bailey -, neste seu segundo livro Barre faz a continuação da história, focado na evolução da música durante a década de 1970.  Continue reading “Livro: “Convergences, Divergences and Affinities””

Manuel Mota lança disco duplo


[Fotografia: Vera Marmelo]

O guitarrista Manuel Mota acaba de anunciar o lançamento de um novo álbum. Editado com o selo Headlights, o disco tem formato duplo e tem como título “I II”. Este novo álbum reúne um conjunto peças de guitarra solo que Mota gravou no início deste ano de 2017 e a edição está limitada a 200 cópias. O disco novo – e outro material antigo, como o excelente “Sings” – pode ser escutado no Bandcamp de Manuel Mota, recentemente criado: manuelmota.bandcamp.com.

Novembro na Porta-Jazz

Pedro Neves

A Associação Porta-Jazz já apresentou a sua programação de concertos para o mês de Novembro. O programa apresenta dois projectos internacionais e dois grupos nacionais onde, curiosamente, todos os grupos andam à volta do piano. Além dos grupos da espanhola Marta Sánchez e do americano Jacob Sacks, actuam também duas formações com discos editados no Carimbo Porta-Jazz: o quarteto MAP e o Pedro Neves Trio – este último já editou dois discos – “Ausente” e “05:21” – ambos excelentes e pouco reconhecidos. Os concertos são sempre aos sábados na Sala Porta-Jazz – Avenida dos Aliados, 168, 4º – e todos os concertos incluem duas sessões: a primeira às 19h00, a segunda às 22h00. Aqui fica o programa:

4 Nov: Marta Sánchez Quintet
11 Nov: Pedro Neves Trio
18 Nov: Jacob Sacks Trio
25 Nov: MAP

O’culto da Ajuda acolhe CreativeFest XI

O festival CreativeFest, promovido pela editora Creative Sources, chega este ano à sua décima primeira edição. O festival realiza-se entre os dias 21 e 25 de Novembro e terá lugar no O’culto da Ajuda, em Lisboa. O CreativeFest XI vai apresentar ao longo de cinco dias um conjunto alargado de propostas de música improvisada, entre grupos inéditos e formações consagradas – pelo festival vão passar projectos como Variable Geometry Orchestra, RED Trio, IKB Ensemble, Sei Miguel Quarteto, entre outros. Aqui fica o cartaz completo.

Going em estreia nacional

João Lobo [Fotografia: Vera Marmelo]

O grupo Going, que integra o baterista português João Lobo, vai actuar pela primeira vez em Portugal para apresentar o seu novo disco. O quarteto trabalha uma música experimental e reúne Pak Yan Lau (teclados e efeitos), Giovanni Di Domenico (Fender Rhodes e efeitos), Mathieu Calleja (bateria) e Lobo (bateria). O grupo prepara-se para editar o disco “Going III (Disque D’ORgue)”, numa co-produção Meakusma/Silent Water, e vai apresentar-se ao vivo em quatro datas entre o norte e o sul do país. Aqui fica a agenda completa da tour nacional.

31 Out: Antiga Casa da Cultura, Caldas da Rainha
2​ Nov: Damas, Lisboa
3​ Nov​:​ SMUP, Parede
4​ Nov: Sonoscopia, Porto

Miguel Ângelo aventura-se a solo

O contrabaixista Miguel Ângelo acaba de anunciar a edição de um novo disco. Membro dos grupos Ensemble Super Moderne, MAP e Pedro Neves Trio, também líder do seu próprio quarteto (que gravou os discos “Branco” e “A Vida de X”), atira-se agora a uma aventura a solo, sem rede, focado numa música livremente improvisada. O novo álbum, com o “I think I’m going to eat dessert”, será editado pela Creative Sources e vai ser apresentado ao vivo no dia 5 de Novembro no ciclo Solilóquios (Porto).

O contrabaixista apresenta assim o disco: “Fazer música é um ato de ousadia, chega mesmo a ser um ato de loucura, fazê-lo a solo é o ainda mais. Desde sempre estive envolvidos em processos de criação a solo, sobretudo numa vertente multi-instrumentista, gosto do que me tira dos eixos e dos caminhos habituais. Hoje, sinto-me com maturidade e desenvoltura suficiente para o fazer com o contrabaixo a solo. É música, sobretudo improvisada, experimental, onde exploro os sons e vozes do contrabaixo, afinações, timbres e alguns efeitos e loops, tudo criado em tempo real.”

Novembro no Hot

Luís Figueiredo [Fotografia: Vera Marmelo]

O Hot Clube de Portugal acaba de apresentar a sua programação para o mês de Novembro. Pelo clube da Praça da Alegria vão passar projectos internacionais como VEIN feat. Rick Margitza (dias 9 e 10), Spiral Trio (17 e 18) ou o trio Pinheiro/Cavalli/Ineke (23 e 24). A cena nacional também estará bem representada, com as actuações de Luís Figueiredo (dia 11, a apresentar o  ambicioso disco duplo “Kronos/Penélope”), João Espadinha Sexteto (dia 25), o regresso da dupla Filipe Melo & André Santos (dia 19, com o baterista brasileiro Paulo Braga) e João Barradas com o projecto “Undercovers” (dias 30 Novembro, 1 e 2 de Dezembro). Já no início de Dezembro irão actuar também o Ariel Bringuez Quartet (dia 7) e Ricardo Toscano Quarteto (dia 8). As jam sessions – sempre às terças-feiras, com entrada livre – são organizadas pelo baterista Luís Candeias.

Programa completo [PDF]

3 Discos? A escolha de João Hasselberg

[Fotografia: Teresa Q]

João Hasselberg é um jovem compositor e contrabaixista português. Editou dois excelentes discos em nome próprio – “Whatever It Is You’re Seeking, Won’t Come In The Form You’re Expecting” (2013) e “Truth Has To Be Given In Riddles” (2014) – e, em parceria com o guitarrista Pedro Branco, publicou entre o final do ano passado e o início de 2017 mais dois discos marcantes e originais: “Dancing Our Way to Death” e “From Order to Chaos”. Está envolvido noutros projectos, como Spectral Songs, Whirlpool Ensemble ou Songbird (duo com o pianista Luís Figueiredo). Actualmente reside em Copenhaga, onde está a concluir um mestrado, e mantém colaborações com músicos como Luísa Sobral, Beatriz Pessoa ou Tiago Bettencourt. Estas são as suas escolhas.

  

Alva Noto & Ryuichi Sakamoto – “Vrioon”
(Raster-Noton, 2002)
“Este disco é, do meu ponto de vista estético, um equilíbrio perfeito entre o sintético e o acústico. Por coincidência estou a trabalhar num projecto a solo de electrónica e contrabaixo intitulado A Origem do Universo que lida com essa mesma dualidade da fonte sonora.”

Hajk – “Hajk”
(Jansen, 2017)
“É uma banda pop norueguesa. Para além de gostar muito das canções, a qualidade da produção é do outro mundo.”

Arvo Pärt / Latvian Radio Choir – “Da Pacem Domine”
(Ondine, 2016)
“A espiritualidade do Arvo Pärt é uma coisa avassaladora. Ando a ouvir/ler tudo o que encontro dele e sobre ele, primeiro porque me faz bem emocionalmente, segundo para tentar perceber de onde vem e como posso acentuar isso na minha música.”