Vem aí uma nova Festa do Jazz (e não vai ser no São Luiz)

Eduardo Cardinho

A Festa do Jazz chega à sua 16ª edição deixando o Teatro São Luiz, a sua casa de sempre. A nova Festa realiza-se entre os dias 22 e 25 de março e passa a ser organizada exclusivamente pela Associação Sons da Lusofonia. Com direcção artística de Carlos Martins, a festa terá agora lugar no Museu de História Natural e Ciência (concertos) e no Conservatório Nacional (concurso de escolas, showcases e jam sessions).

Pela Festa do Jazz irão passar projectos como João Barradas Trio, The Rite of Trio, Eduardo Cardinho Quarteto, trio Rodrigo Amado / Hernâni Faustino / Harris Eisenstadt (em estreia mundial), João Paulo Esteves da Silva Trio (que gravou o brilhante “Brightbird“) e o novo projecto Centauri de André Fernandes, entre outros. Não faltará também o habitual concurso das escolas de jazz. Aqui fica o programa completo da nova Festa.

Sexta, 23 Março
21h30 João Barradas Trio / The Rite of Trio / PLINT (Museu)

Sábado, 24 Março
14h00 Jazz e Género: uma conversa aberta (Conservatório)
15h00-19h30 Encontro Nacional de Escolas de Música (Conservatório)
17h00 Eduardo Cardinho Quarteto (Museu)
18h30 Rodrigo Amado / Hernâni Faustino / Harris Eisenstadt (Museu)
21h00-23h30 Showcases Escolas Superiores (Conservatório)
21h30 Beatriz Nunes Quarteto (Museu)
23h30 Maria João Ogre (Museu)
23h45 Combo Escola Artística do Conservatório de Coimbra 2017 (Conservatório)
00h15 Jam Session (Conservatório)

Domingo, 25 Março
13h00 Formalização da Rede do Jazz Português (Salon Coeur de Fern)
15h30-17h40 Encontro Nacional de Escolas de Música (Conservatório)
17h00 João Paulo Esteves da Silva Trio (Museu)
18h00 Masterclass com Andy Sheppard (Conservatório)
18h30 André Fernandes’ Centauri (Museu)
21h00 Quinteto Ricardo Pinto (Conservatório)
22h30 Alexandre Coelho Quartet (Conservatório)
00h00 Prémios Encontro Nacional de Escolas (Conservatório)
00h30 Combo Escola Superior de Música de Lisboa 2017 (Conservatório)

Eixo do Jazz promove workshops para músicos

O Eixo do Jazz, Associação Luso-Galaica para Promoção do Jazz, vai promover um ciclo de workshops destinados a músicos, produtores, técnicos e outros profissionais ligados à música. Estas oficinas têm o objectivo de promover a formação em áreas complementares para o exercício da profissão.

Os workshops irão realiza-se aos domingos à tarde, sendo complementados com momentos musicais, criando sinergias e momentos de descontração entre os participantes. O primeiro workshop, com o título “Saúde/Fisioterapia: Prevenção de Lesões do Músico”, realiza-se no dia 11 de Março, às 18h00, orientado por Paulo Hadyk.  As inscrições deverão ser feitas através do email oeixodojazz@gmail.com.

Estão ainda previstas as seguintes oficinas:
– Crowdfunding e Patrocínio de Projectos Culturais – Suzana Costa (SFC Advogados)
– Agenciamento Musical – Olga Neves Carneiro (ONC)
– Contabilidade e Impostos – Amadeu Portilha (Seaga)
– Produção e Itinerância – Cristiana Morais (Produtora Cultural)
– Direito do trabalho – (A nomear)
– Direitos de Autor – (A nomear)
– Imagem e Comunicação – (A nomear)

Clocks and Clouds na SMUP

O quarteto Clocks & Clouds vai actuar na SMUP, na Parede, na próxima sexta-feira, dia 9 de Março. O grupo junta Luís Vicente (trompete), Rodrigo Pinheiro (piano), Hernâni Faustino (contrabaixo) e Marco Franco (bateria), numa espécie de equipa “all-star” da improvisação nacional. O quarteto editou o seu disco de estreia, homónimo, pela editora inglesa FMR Recordings em 2014, e está agora de regresso para uma rara apresentação ao vivo. O concerto tem início marcado para as 22h00 e os bilhetes custam 5€ (4€ para sócios SMUP).

3 discos? A escolha de Rodrigo Amado

[Fotografia: André Cepeda]

Rodrigo Amado é um saxofonista português com uma sólida carreira internacional, ao leme dos grupos Motion Trio (com Miguel Mira e Gabriel Ferrandini), Northern Liberties e Wire Quartet, entre outros projectos, parcerias e colaborações. Com o quarteto This Is Our Language (com Joe McPhee, Kent Kessler e Chris Corsano) prepara-se para lançar um novo disco, “A History of Nothing”, numa edição da austríaca Trost Records. 3 discos? Estas são as suas escolhas.

“Para esta escolha, optei por três reedições relativamente recentes que me têm dado a volta à cabeça. Três discos gigantes que saem do universo infinito da música ainda por descobrir. Qualquer um destes discos ensina-nos que é possível criar música que não só sobrevive, e bem, à passagem do tempo, como cresce de forma contínua em actualidade e relevância. Numa primeira escolha, um pouco mais alargada, estavam também “European Radio Studio Recordings” do quarteto de Albert Ayler (Hatology), “New York Concerts” de Jimmy Giuffre, em trio e quarteto (Elemental), “Flight For Four” do quarteto de John Carter e Bobby Bradford (International Phonograph), e o surpreendente “There’ll Be No Tears Tonight” de Eugene Chadbourne (Corbett vs Dempsey).”

 


Jimmy Giuffre 3 with Paul Bley and Steve Swallow
“Bremen & Stuttgart, 1961”

(Emanem, 2016)

“Verdadeiro tratado na arte da composição em tempo real, este foi um disco essencial à minha compreensão da música de Giuffre. As improvisações são incisivas, de uma concentração e contenção estonteantes, e reinventam-se a cada nova audição. O Giuffre, tal como o Cecil Taylor ou o Anthony Braxton, é um daqueles músicos que só agora sinto ter verdadeiramente a capacidade para compreender.”

 


Joe McPhee
“Nation Time – The Complete Recordings”

(Corbett vs Dempsey, 2013)

“A minha relação com a música do Joe é, compreensivelmente, especial, e quanto melhor o conheço mais vontade tenho de mergulhar na discografia dele, que é imensa. Esta reedição do clássico “Nation Time”, revisto e aumentado, veio dar-me a oportunidade de viajar no tempo com um improvisador que considero único e puro como poucos. Inspiração absoluta para projectos futuros.”

 


Sonny Rollins Trio

“Live In Europe 1959 – Complete Recordings”
(Essential Jazz Classics, 2016)

“Esta é, desde há algum tempo, a minha edição preferida do Sonny Rollins. Tornou-se para mim, não só uma referência em termos daquilo a que pode soar um saxofone tenor, mas também uma lição sobre a criatividade no pensamento musical dele. É difícil compreender a frustração que o Rollins sentia na altura com a sua própria música, razão pela qual decidiu abandonar os palcos durante mais de dois anos. A secção rítmica do Henry Grimes com o Pete La Roca é absolutamente brutal.”

Oba Loba na ZDB

[Fotografia: Vera Marmelo]

O grupo Oba Loba, de Norberto Lobo e João Lobo, vai apresentar-se ao vivo na Galeria Zé dos Bois no próximo dia 17 de Março. O grupo editou no ano passado o disco “Sir Robert Williams” pela Three:four records. O grupo é agora um sexteto e na ZDB João e Norberto irão contar com a companhia de Giovanni Di Domenico, Ananta Roosens, Jordi Grognard e Lynn Cassiers.

Lx Jazz Sessions em Março

João Lencastre

Acaba de ser anunciada a programação das Lx Jazz Sessions para o mês de Março. O Rive Rouge vai continuar a acolher concertos de tons jazzísticos às quartas-feiras, promovendo quatro projectos nacionais: João Lencastre’s Communion (dia 7, apresentando o novo disco “Movements In Freedom”), Kika Santos (14), João Hasselberg & Pedro Branco (21) e João Barradas Trio (28). Após os concertos há sempre “dancefloor jazz”, com vários DJs.

Ao vivo: Diogo Duque “A Viagem de Laniakea”


[Fotografia: Jorge Carmona]

O trompetista e compositor Diogo Duque apresentou o seu novo projecto, “A Viagem de Laniakea”, ao vivo no Museu Nacional de Arte Antiga, no passado dia 27 de Fevereiro. Aqui fica a descrição do concerto nas palavras de Daniela Duarte.

“Diogo Duque prometeu e foi, de facto, a uma viagem sonora que nos conduziu na passada terça-feira no Auditório do Museu Nacional de Arte Antiga. Com partida a lembrar o mestre Baden Powell e o seu agridoce “Tristeza e solidão”, mostrou desde o início a forma sensível e intensa com que o trompete nos iria brindar durante todo o percurso e paisagens das suas novas criações. Assistiu-se a um belíssimo casamento entre o contrabaixo de Francisco Brito e a guitarra de Pedro Branco, interrompido pela criativa improvisação com que o jovem guitarrista já nos habituou, ao servir-se dos seus pedais para acrescentar uma outra dimensão cósmica às cordas. A percussão começou tímida a marcar passo e rapidamente, com a mestria de José Salgueiro, se tornou o motor de algumas das composições, com ritmos que lembram viagens a culturas remotas onde a música é tradição inerente à condição humana. Simultaneamente, foi-se assistindo à construção de uma narrativa visual conduzida pelas ilustrações de Valério Giovannini, lembrando sempre o importante papel da criação através das figuras femininas que iam sendo criadas e que de forma poética nos iam lembrando Deusas do Olimpo perdidas e encontradas num infinito cenário idílico de matéria interestelar. Ficaram em falta as palavras da não presente Ana Sofia Paiva, aguçando a vontade de voltar a um reencontro próximo, desta vez para uma Viagem de Laniakea mais rica e completa.”

Documentário sobre Milford Graves no IndieLisboa

O festival de cinema IndieLisboa aproxima-se e acaba de ser anunciada a programação do IndieMusic, a secção do festival dedicada à música. Um dos filmes que vai ser exibido na secção é o documentário “Milford Graves Full Mantis”, filme de Jake Meginsky e Neil Young sobre o criativo percussionista Milford Graves.  A secção IndieMusic vai ainda apresentar os filmes: “Betty – They Say I’m Different” (Phil Cox), “Ethiopiques – Revolt of the Soul” (Maciek Bochniak), “French Waves” (Julien Starke), “Here to be Heard: The Story of the Slits” (William E. Badgley), “Hip to da Hop” (António Freitas e Fábio Silva), “L7: Pretend We’re Dead” (Sarah Price), “MATANGI / MAYA / M.I.A.” (Steve Loveridge), “Não Consegues Criar o Mundo Duas Vezes” (Catarina David e Francisco Noronha), “Ryuichi Sakamoto: Coda” (Stephen Nomura Schible) e “Studio 54” (Matt Tyrnauer). A 15ª edição do IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema realiza-se entre os dias 26 de Abril e 6 de Maio.

Livro “As Serious As Your Life” reeditado

O livro “As Serious As Your Life: Black Music and The Free Jazz Revolution, 1957–1977”, da autoria de Val Wilmer, acaba de ser reeditado pela Serpent’s Tail.  O livro é já um clássico obrigatório para os fãs de jazz, com a fotógrafa e escritora Valerie Wilmer a documentar a cena free jazz através dos percursos musicais e pessoais de músicos como John Coltrane, Albert Ayler, Ornette Coleman e Sun Ra. Assinalado esta nova edição da “bíblia” do free, a revista Wire acaba de publicar um excerto do livro, que pode ser consultado aqui.

As imagens de Sei Miguel

O trompetista e compositor Sei Miguel acaba de publicar o “Livro das Imagens”, numa edição d’O Homem do Saco em colaboração com a Marmita de Gigante. O livro reúne um conjunto de 72 ilustrações originais da autoria de Sei, desenvolvidas entre 2012 e 2015. O livro inclui também dois comentários poéticos de Gastão Cruz: “Divagação” e “A Beleza dos Seres”.  Tal como a sua música, também o traço de Sei Miguel é único: convoca um universo pessoal, é enigmático, convoca referências múltiplas, aproxima-se até de um certo surrealismo. Tal como acontece também com a sua música, Sei convoca-nos para a sua beleza particular, desafia e nunca resolve de forma óbvia.

Ver é torcer a beleza dos seres
por estarem talvez demasiado
iluminados e vivos
Gastão Cruz (excerto)