Novo programa sobre jazz português na Antena 1

A rádio Antena 1 vai acolher um novo programa sobre a história (e as estórias) do jazz português. Com apresentação do saxofonista Carlos Martins e do radialista António Macedo, o  programa “Sem Ensaio” vai receber vários convidados ligados ao jazz. Segundo a notícia do jornal Público, estão desde já confirmados vários convidados: João Barradas, Maria João, Ricardo Toscano, João Paulo Esteves da Silva e André Santos. O programa vai estrear a partir da meia-noite desta quinta-feira.

Culturgest anuncia primeiro trimestre de 2018

 Joana Guerra

A Culturgest acaba de apresentar a programação para o primeiro trimestre de 2018. Seguindo ainda a linha de programação de Miguel Lobo Antunes, que definiu a marca Culturgest ao longo de mais de dez anos e foi recentemente substituído por Mark Deputter, o programa continua a reflectir a diversidade das músicas contemporâneas.

Nos campos do jazz e da improvisação a Culturgest apresenta um programa rico e diverso: Huntsville (excelente trio norueguês experimental, 12 Janeiro); Ricardo Toscano Quarteto (estreia no Grande Auditório, 27 Janeiro); Home (grupo liderado por João Barradas, 2 Fevereiro); Carlos Bica / Daniel Erdmann / DJ Illvibe (novo trio em estreia nacional, 2 Março); e Hang ‘Em High (trio de Bond, Lucien Dubuis e Alfred Vogel, 17 Março).

Um dos pontos altos do primeiro trimestre é a 11ª edição do festival Rescaldo, que se realiza entre 16 e 24 de Fevereiro. O festival que promove os projectos musicais mais exploratórios vai acolher as actuações de: Maria da Rocha, Diana Combo + Rafael Toral + Pedro Centeno, Joana Guerra, Harmonies, Joana Gama, Vítor Rua & The Metaphysical Angels, Citizen:Kane & Hobo, Mmmooonnnooo + Quim Albergaria, EITR + Gabriel Ferrandini, Farwarmth e 10.000 Russos + Jonathan Uliel Saldanha.

Disco: “From Sun Ra to Donald Trump” de FCT

FCT
“From Sun Ra to Donald Trump”
(Clean Feed, 2017)

O acrónimo FCT significa Francesco Cusa Trio. O italiano Cusa (Catania, 1966) é baterista e neste seu trio conta com a companhia de Simone Graziano (piano) e Gabrielle Evangelista (contrabaixo). Neste disco em particular o trio do baterista italiano conta ainda com a colaboração do saxofonista Carlo Atti. O título do disco é desde logo curioso e desperta a curiosidade sobre a música. Também os títulos dos temas são dignos de registo: “Adam Smith counts every penny”; “Deficit in the economy of the black jazzman in the sixties”; “Fiscal regime in the life of the New York taxidriver-jazzman” (e estes são só alguns).

Se os títulos são irónicos e provocadores, a música é mais conservadora. O quarteto desenvolve um jazz sério, sólido, bem, estruturado. O líder baterista Francesco Cusa mantém a estabilidade rítmica; o contrabaixo de Evangelista exibe solidez; e o piano de Graziano sabe combinar a estrutura e a imaginação. Já o saxofone de Carlo Atti, apesar de surgir como convidado externo, acaba por se revelar a estrela da companhia, principal dinamizador neste contexto. O disco arranca com o contrabaixo em destaque, seguido de apontamentos da bateria. Entra depois o piano, tranquilamente. Logo depois chega o saxofone tenor de Atti que, dali a pouco, já estará a ziguezaguear, desbravando o caminho. É assim o início do disco, que rapidamente conquista pela sua plasticidade, um jazz moderno, aberto e acessível.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3238-from-sun-ra-to-donald-trump/

3 Discos? A escolha de Lucía Martínez

Lucía Martínez [Fotografia: Esther Cidoncha]

Natural da Galiza, Lucía Martinez é uma criativa percussionista, compositora e improvisadora. Passou pelo Porto e por Berlim e dinamiza vários projectos musicais: Lucía Martínez Cuarteto, MBM Trio (com Baldo Martínez e Antonio Bravo), Berliner Project Azulcielo e duo Desalambrado (com Agustí Fernández). É actualmente directora artística do Imaxinasons – Festival de Jazz de Vigo. Estas são as suas escolhas.

“A escolha de discos preferidos é sempre algo muito difícil para uma pessoa que vive ao redor da música, os discos formam parte das nossas vidas, dos nossos amores (ou desamores), do nosso subconsciente e até do nosso mobiliário. Mas, pronto, perante o convite tinha mesmo de pensar qual seria, no dia de hoje (em cada dia seria diferente) a minha selecção. Se jazz ou clássica ou pop… hoje esquecemos as etiquetas, são simplesmente discos. Nesta ocasião a escolha está feita pelo coração, noutra altura da minha vida seria feita com outros critérios. Aqui vão os porquês.”

  

Astor Piazzola / Horacio Ferrer – “María de Buenos Aires”
(Trova, 1968)
“Cheguei a esta gravação quando era uma adolescente em busca de discos para me “alimentarem”. O meu amigo Paulo, que é um par de anos mais velho do que eu, deu-me este disco. O Paulo era já nesses tempos um grande estudioso da música, de todas as músicas, um filósofo, compositor e escritor. Ele falou-me, entre outras coisas, da escola de Nadia Boulanger, em Paris. Falou-me de grandes compositores do século XX que estudaram em Paris com ela. E Piazolla foi também foi um desses compositores que passou por Paris para estudar com a  Nadia (e acho que foi também amante dela!). O caso é que esta grande pedagoga (além de compositora, organista, intelectual, etc.) à chegada de Piazzola, e ao ver esse grande talento que tinha para escrever tangos e o grande conhecimento da sua música argentina, recomendou-lhe aprofundar a “sua” música que era o tango, para chegar ao fundo da sua tradição e encontrar caminhos novos; compor tangos seria a trabalho da sua vida. Tanto é que assim mudou a história da música tango. Esta conversa que tive com o Paulo, ja há mais de 20 anos, mudou a minha vida, fez-me ser uma pessoa com orgulho de ter nascido num lugar onde a música tradicional é tão importante e inspira (digo com toda a modéstia do mundo) ainda hoje, este meu gosto de incluir músicas tradicionais ou folclóricas nos meus trabalhos. Indiferentemente do estilo, o espírito é esse. Nesta gravação, Piazzola toca e Horacio Ferrer recita. A selecção dos músicos e da cantora (a diva de Piazzola, que fez inúmeras gravações com ele) é muito minuciosa. Gravação muito inspiradora e bonita. Grande disco, grande compositor e grande interpretação.”

Keith Jarrett – “The Köln Concert”
(ECM, 1975)
“O “vinil branco” da casa da minha tia. Quando eu ia visitar a minha avó, era o momento de escolher discos e ouvir. Ali descobri coisas maravilhosas. A minha tia que também vivia nessa casa é uma grande melómana  e tinha tudo o que era imaginável. Um dia vi um disco de vinil branco, completamente branco. Pareceu-me tão bonito por fora que imaginava que estava dentro deveria ser muito bonito. Desde aquele dia esse disco deu tantas voltas… São estas “casualidades” na infância que marcam para toda a vida. Que bom foi ter uma infância com tanta música. Tenho que dizer que, sem o saber, foi o meu primeiro disco de jazz. Nesses tempos, eu ainda disfrutava da música “sem etiquetas” de estilos.”

Paco de Lucía – “Entre Dos Aguas”
(Philips, 1975)
“Eu não sou uma grande seguidora do flamenco, mas há coisas que são extraordinariamente fantásticas. Uma delas é este disco. Curiosamente, é um disco que sempre me acompanhou nas viagens e que ainda me acompanha. Paco de Lucía fez uma música extraordinária; a sua maneira de tocar, a intensidade, a direcção da música e todo o talento que desbordam das suas gravações. Esta especialmente. É uma compilação, mas nesta gravação está já a história moderna do flamenco. Muito inspiradora.”

Disco: “Fragments of Always” de José Lencastre Nau Quartet

José Lencastre Nau Quartet
“Fragments of Always”
(FMR, 2017)

Para aquele que será o seu projecto de assinatura mais pessoal, o saxofonista e improvisador reuniu um quarteto de luxo com alguns dos mais notáveis improvisadores nacionais. Na bateria está João Lencastre, seu irmão, baterista e compositor de créditos firmados com uma discografia sólida ao leme do grupo Communion, que também acaba de editar o disco “Movements In Freedom” (Clean Feed). No piano está Rodrigo Pinheiro, pianista do celebrado RED Trio, membro dos grupos Earnear e Clocks and Clouds, e que este ano participou como convidado no concerto Life and Other Transient Storms no Jazz em Agosto (melhor concerto do festival, um dos melhores concertos do ano). No contrabaixo está Hernâni Faustino, também do RED Trio e membro dos grupos Falaise, Rodrigo Amado Wire Quartet, Staub Quartet, Vítor Rua & The Metaphysical Angels, Elliott Levin’s Lisbon Connection e Nobuyasu Furuya Trio, entre outros. Todos músicos experientes e com trabalho rico no mundo da improvisação, portanto. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3237-fragments-of-always/

Gonçalo Almeida a solo na SMUP

Antecipando a consoada, Gonçalo Almeida vai apresentar um concerto a solo na SMUP (Parede), no dia 23 de Dezembro. O versátil contrabaixista português reside actualmente em Roterdão e integra os grupos LAMA, Albatre, Tetterapadequ e Spinifex, entre outras parcerias e colaborações. Na SMUP irá apresentar-se sozinho em palco, acompanhado apenas pelo seu contrabaixo. O concerto tem início marcado para as 22h00 e a entrada vale 4€.

https://cylinderecordings.bandcamp.com/track/monologue

Pernadas e Toscano estreiam parceria no CCB

Os músicos Bruno Pernadas e Ricardo Toscano vão apresentar uma parceria inédita no Centro Cultural de Belém. O concerto realiza-se no dia 15 de dezembro, sexta-feira, às 21h00. O saxofonista Toscano será o solista principal de um ensemble, conduzido por Pernadas, que vai interpretar música original. O compositor, guitarrista e multi-instrumentista Bruno Pernadas apresenta o projecto.

 

Como nasceu a ideia de colaborares com o Ricardo Toscano?
Foi um convite por parte do CCB. A ideia foi aceite e assim se vai concretizar, juntar um ensemble de onze músicos (sopros, cordas, secção rítmica e vozes) tendo como principal solista o Ricardo Toscano.

Já conhecias o Ricardo Toscano, já tinhas tocado com ele?
Sim, já conhecia, já toquei com ele em jam sessions de jazz e acho que é dos melhores músicos nacionais da sua geração.

Que música vão tocar? Será música do “Worst Summer Ever” e do “Crocodiles”?
Vamos tocar música composta especialmente para este concerto. Comecei a escrever a música e arranjos há um ano atrás. Inevitavelmente iremos tocar dois temas do disco “Crocodiles”.

Há ideia de continuar a parceria para além deste concerto?
Sim, possivelmente para novo disco.

Sei Miguel lança “Livro das Imagens”


[Sei Miguel]

O trompetista e compositor Sei Miguel vai apresentar um novo trabalho, desta vez um livro. O “Livro das Imagens” reúne um conjunto de ilustrações da autoria de Sei, numa edição d’O Homem do Saco em colaboração com a Marmita Gigante. O livro inclui ainda dois comentários poéticos de Gastão Cruz e foi impresso na Europress, numa tiragem de 400 exemplares. O evento de lançamento terá lugar no dia 17 de Dezembro, domingo, às 18h00 na Galeria ZDB, em Lisboa.

Dezembro na Porta-Jazz


Mário Santos

Após o sucesso da maior edição de sempre do festival Porta-Jazz, a associação portuense apresentou a sua programação de concertos para o mês de Dezembro, com dois projectos nacionais (Sexteto de Mário Santos e Quinteto de Vítor Pereira) e um grupo internacional (o quarteto da galega Lucía Martínez com o convidado Enrique Martínez). Os concertos são sempre aos sábados na Sala Porta-Jazz – Avenida dos Aliados, 168, 4º – e todos os concertos incluem duas sessões: a primeira às 19h00, a segunda às 22h00. Aqui fica o programa:

16 Dez: Sexteto Mário Santos
23 Dez: Quinteto Vítor Pereira
30 Dez: Lucía Martínez Quarteto & Enrique Martínez

Editado: O concerto de Lucía Martínez Quarteto & Enrique Martínez, previsto para o dia 30, foi adiado para nova data a confirmar. [Informação de 29 Dezembro]

Sunny Murray (1936-2017)

O lendário baterista Sunny Murray, um dos pioneiros do free jazz, morreu no dia 8 de dezembro. Percussionista original, participou em discos lendários como “Spiritual Unity” (Albert Ayler, 1964), “Yasmina, a Black Woman” (Archie Shepp, 1969) e “Echo” (Dave Burrell, 1969); na condição de líder gravou discos marcantes como “Sonny’s Time Now” (1965), “Sunny Murray” (1966) e “Sunshine” (1969). Actuou por várias vezes em Portugal e chegou a colaborar com os portugueses Telectu, parceria registada no disco “Quartetos” (2002). Descanse em paz.

Obituário no jornal Público:
https://www.publico.pt/2017/12/09/culturaipsilon/noticia/morreu-o-lendario-baterista-de-jazz-sunny-murray-1795436