Imaxinasons revela cartaz

A décima terceira edição do Imaxinasons – Festival de Jazz de Vigo realiza-se entre os dias 30 de Junho e 8 de Julho e apresenta um cartaz rico e variado. Do programa fazem parte grandes nomes internacionais do jazz e da improvisação (Uri Caine, Marc Ducret, Alexander Von Schlippenbach, etc.), muitos nomes espanhóis e até um projecto liderado por um músico português (Carlos Bica & Azul). Aqui fica o cartaz completo.

Mealhada acolhe novo festival de jazz

A Mealhada vai acolher a primeira edição do MeaJazz, um novo festival de jazz. O festival realiza-se nos dias 30 de junho e 1 de julho e terá lugar na Quinta da Nora (centro da cidade, junto ao IC2). O festival vai apresentar um total de sete concertos ao longo de duas noites, propostas oriundas de diversos países, numa vasta amplitude estilística.  Na programação destacam-se projectos nacionais como The Rite of Trio (trio de André Bastos Silva, Filipe Louro e Pedro Melo Alves, na foto), Jeff Davis Trio e Orquestra Jazz de Leiria (direção de César Cardoso). Todos os concertos têm entrada livre. Aqui fica o programa completo.

30 Junho
21h30: The Rite of Trio
22h30: Jazz PÁ
23h30: Jeff Davis Trio
00h30: Andrea Bucko

1 Julho
21h30: José Valente
22h30: Orquestra Jazz de Leiria
23h30: El Show de Dodó

Revelada programação do JiGG 2017

Entre 5 e 14 de julho o jardim do Goethe Institut, em Lisboa, vai acolher sete concertos de jazz e música improvisada. Com programação de Rui Neves, o festival Jazz im Goethe-Garten (JiGG) apresentará projectos oriundos de sete países europeus. O festival abre com a actuação do grupo português Earnear, trio que junta João Camões (viola), Rodrigo Pinheiro (piano) e Miguel Mira (violoncelo). Entre a programação do JiGG, destacam-se ainda os espanhóis Liquid Trio (Agustí Fernández, Albert Cirera e Ramon Prats), os italianos Roots Magic e os alemães Rotozaza (Tobias Delius, Nicola L. Hein, Adam Pultz Melbye e Christian Lillinger). Os concertos têm sempre hora marcada para o final da tarde (19h00) e a entrada para cada concerto vale 5€ (3€ com desconto, para estudantes, reformados e alunos do Goethe-Institut). Aqui fica o programa completo.

5 Julho: Earnear
6 Julho: Liquid Trio
7 Julho: Namby Pamby Boy
10 Julho: Oğuz Büyükberber & Tobias Klein
12 Julho: Roots Magic
13 Julho: Weird Beard
14 Julho: Rotozaza

Livro: “Mas é Bonito” de Geoff Dyer

Mas-e-Bonito

O livro “Mas é Bonito” – “But Beautiful” no título original – é apresentado como “um livro sobre jazz”. E é verdade. O autor Geoff Dyer apresenta um conjunto de textos sobre figuras centrais da história do jazz: Lester Young, Thelonious Monk, Bud Powell, Ben Webster, Charles Mingus, Chet Baker e Art Pepper (selecção curiosa, evitando nomes óbvios). Os textos sobre cada um dos músicos são intermediados por diálogos entre Duke Ellington e Harry Carney, numa longa viagem entre concertos.

Ao longo do livro Dyer desenvolve textos breves, ficcionados a partir de momentos/histórias reais, sobretudo tendo por base fotografias icónicas e histórias conhecidas. Os textos são desenvolvidos com criatividade, pontuados por emoção, fazendo sempre uma ligação entre momentos da vida pessoal de cada músico e as características da própria música de cada um dos intervenientes.

A leitura é fácil e agradável e, além de desvendar episódios pessoais, tem como principal ponto positivo a capacidade de despertar a curiosidade sobre as músicas – o mais importante. As críticas estampadas na contracapa referem que este será “provavelmente o melhor livro que alguma vez se escreveu sobre jazz”. Claro exagero, tendo em conta a produção literária que vem sendo desenvolvida, mas não deixa de ser um objecto simpático.

Contudo apesar do tom agradável que caracteriza a maior parte da obra, o livro fecha num tom dissonante, com o acrescento de um posfácio desnecessário com o título “Tradição, Influência e Inovação”. Para encerrar, o autor apresenta ensaio-crítica sobre a história do jazz, partindo de uma análise social/histórica numa perspectiva pessoal – e muito superficial. Infelizmente, além de nada acrescentar à boa dinâmica literária, serve-se de factos errados para alimentar e condicionar uma linha de pensamento.

Entre as várias ideias questionáveis, refere-se à enérgica fase final de Coltrane como “esgotamento criativo”, faz uma ligação directa entre a ascensão do free jazz ao declínio de vendas de discos – factualmente errado, o jazz já há muito que tinha perdido as vendas, desde a afirmação do rock como música popular. Lamentável é também ignorar a contínua evolução da história do jazz, fazendo apenas uma breve referência aos anos 1980s para assinalar o ressurgimento do hardbop. É uma pena que o autor tenha acrescentado este posfácio, porque de resto se trata de um objecto literário aprazível, bem estruturado e desenvolvido.

Nota sobre a tradução:
A tradução para português foi realizada por Bruno Vieira Amaral. Não li o original para uma análise aprofundada, mas percebe-se que o trabalho de tradução de uma obra destas não será tarefa fácil, não só pela diversidade termos técnicos musicais, sobretudo pelas expressões características da cena jazzística. Contudo o maior problema – e mais visível – é mesmo o título do livro. “But Beautiful” é também o título de uma canção, standard intemporal, e seria difícil encontrar uma equivalência perfeita em português. Não seria um daqueles casos (raros) em que se poderia deixar o original, compensado com o subtítulo explicativo?

Exposição: 100 anos de Jazz em Portugal

A Biblioteca Nacional, em Lisboa, vai acolher a exposição “Txim, txim, txim, pó, pó, pó, pó: 100 anos de Jazz em Portugal”. Comissariada por João Moreira dos Santos, esta mostra revela os primeiros contactos do jazz com o nosso país e serão exibidos objectos inéditos, como a fotografia de Duke Ellington com Eusébio em 1966 (em cima). A exposição estará patente de 1 de Junho a 15 de Setembro.

QuebraJazz.Fest regressa no verão

Rita Maria [Fotografia: Márcia Lessa]

Entre Junho e Setembro vai realizar-se mais uma edição do QuebraJazz.Fest, o festival urbano de jazz que se realiza anualmente nas Escadas do Quebra-Costas em Coimbra. A programação deste ano combina nomes consagrados com jovens valores em processo de afirmação, num cartaz eclético. Pelas Escadas do Quebra-Costas vão passar nomes tão diversos como os projectos das cantoras Marta Hugon e Maria João, o grupo Lokomotiv do contrabaixista Carlos Barretto, o novo Círculo (trio de Rita Maria, Luís Figueiredo e Mário Franco) ou o trio do jovem acordeonista João Barradas. O ciclo de concertos encerra com a actuação do Quebra Ensemble, projecto formado exclusivamente para a ocasião. Aqui fica o programa completo:

23/24 Junho: 5teto (Moreira / Mortágua / Rodrigues / Moreira / Bandeira)
30 Junho/1 Julho: Carlos Barreto “Lokomotiv”
7/8 Julho: Gonçalo Leonardo Quarteto
14/15 Julho: Marta Hugon “Bittersweet”
21/22 Julho: CBF Trio (Calero / Bandeira / Fernandes)
28/29 Julho: Quinteto Luís Cunha
4/5 Agosto: Maria João “Ogre”
1/12 Agosto: Nelson Cascais “The Amplectors”
18/19 Agosto: Círculo
25/26 Agosto: João Barradas Trio
1/2 Setembro: Quebra Ensemble

Artigo sobre o QuebraJazz.Fest 2016:
http://jazz.pt/artigos/2016/09/20/sempre-em-crescendo/

Disco: “Gledalec” de Kaja Draksler Octet

Kaja Draksler Octet
“Gledalec”
(Clean Feed, 2017)

Nos últimos anos a jovem pianista eslovena Kaja Draksler vem construindo um percurso sólido, afirmando-se como notável instrumentista e improvisadora. No disco “The Lives of Many Others”, registo de piano solo editado em 2013, Draksler revelava desde logo a sua amplitude expressiva: orientação jazzística com ligação à música clássica e à improvisação. A parceria com a trompetista portuense Susana Santos Silva, duo registado no disco “This Love” (2015), veio reforçar esta ideia de se tratar de uma pianista de horizontes largos.

Agora a eslovena abraça um ambicioso projecto orquestral. “Gledalec”, edição Clean Feed, é um disco duplo que parte da composição e arranjos de Draksler para criar uma música original que atravessa múltiplos universos. Por vezes entramos num puro registo operático, outras vezes ouve-se música de câmara cristalina, mas há também há momentos de improvisação suja, exploração e desafio.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3154-gledalec/