Lx Jazz Sessions seguem em Fevereiro


Marta Hugon

As Lx Jazz Sessions vão continuar durante o mês de Fevereiro no Rive Rouge. A programação para o mês já está fechada e apresenta quatro propostas muito diversas entre si: o Motion Trio de Rodrigo Amado (com Miguel Mira e Gabriel Ferrandini), o rapper NBC, a cantora Marta Hugon e o versátil Bruno Pernadas (que aqui apresenta o seu lado jazzístico, com disco “Worst Summer Ever”). Aqui fica a programação completa.

7 Fev: Rodrigo Amado Motion Trio
14 Fev: NBC
21 Fev: Marta Hugon
28 Fev: Bruno Pernadas

Pedro Melo Alves desvenda novos projectos

O compositor e baterista  Pedro Melo Alves foi uma das grandes figuras do ano que passou, com o surpreendente disco “Omniae Ensemble“. Agora, Melo Alves desvenda os novos projectos em que está envolvido. Para breve estão prometidas duas estreias: a 18 de Fevereiro será apresentado pela primeira vez ao vivo o seu novo projecto solo de bateria e electrónica, chamado “O”, com um concerto nos Solilóquios – Porto; e o trio Symph – com José Diogo Martins e Filipe Louro – promete trabalhar exploração electroacústica, com estreia a 16 de Março no O’culto da Ajuda – Ciclo Jovens Improvisadores.

Quanto aos grupos The Rite of Trio e Omniae Ensemble está a ser desenvolvido trabalho de escrita para novos álbuns a sair este ano. Na condição de sideman, Melo Alves participa no Quinteto de Julius Gabriel (estreia-se ao vivo em Abril, no Porto) e Splatter (grupo de improvisação livre do inglês Noel Taylor, Melo Alves vai substituir o baterista habitual nos concertos em Portugal).

O compositor encontra-se a preparar vários trabalhos para teatro e dança: “Jungle Red“, coreografia de Carlota Lagido com música tocada ao vivo (estreia a 1 de Maio no Teatro Constantino Nery, Matosinhos); “A Boa Alma de Setsuan“, peça de teatro de Bertolt Brecht na Companhia de Teatro de Almada, Melo Alves será director musical e vai integrar o elenco como músico (estreia a 19 de Outubro); “Vox Nihili”, peça multidisciplinar do colectivo CAOS com a actriz Inês Garrido; e “A Canção de Amor e de Morte do Porta-Estandarte Cristóvão-Rilke”, performance em criação que cruza teatro e música, em duo com Maria Duarte.

Além de tudo isto, Melo Alves será o responsável pela programação das sextas-feiras do Banco a partir de Março. E tem um novo site, onde vai dar conta das novidades. Ufa.

Disco: “In Search of the Emerging Species” de Big Bold Back Bone

Big Bold Back Bone 
“In Search of the Emerging Species”
(Shhpuma, 2017)

O quarteto Big Bold Back Bone resulta de uma parceria luso-suíça, juntando dois músicos suíços e dois portugueses (Luís Lopes e Travassos). Os suíços Marco Von Orelli (trompete) e Sheldon Suter (bateria) consistem no duo Lost Socks, grupo que trabalha a improvisação a partir de uma matriz de origem jazzística. Do lado português, o versátil guitarrista Luís Lopes vem alimentando um percurso cada vez mais rico e, entre outros, lidera os grupos Humanization Quartet (com Rodrigo Amado), Lisboa-Berlin Trio, Afterfall, trio com Adam Lane e Igal Foni, duo com Fred Lonberg-Holm, além de um registos a solo (“Noise Solo at ZDB” e “Love Song”). E Travassos é, além de reconhecido designer (atenção ao livro “Life is a simple mess”), um criativo manipulador de electrónica analógica, num percurso musical que tem atravessado múltiplos projectos: FLU, Pinkdraft, Les Voisins, One Eye Project e Pão – com Tiago Sousa e Pedro Sousa, que terá sido um dos mais originais projectos nacionais dos últimos anos. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3262-in-search-of-the-emerging-species/

Galeria Monumental acolhe Small Format Materials

Luís Lopes no Small Format Materials 2017 [Fotografia: Nuno Martins]

Nos dias 15, 16 e 17 de Fevereiro a Galeria Monumental, em Lisboa, acolhe a segunda edição do ciclo Small Format Materials. O ciclo vai apresentar três concertos de música improvisada por noite, ao longo de três noites, sempre com grupos de pequeno formato – duos e trios. A Galeria Monumental fica situada no Campo Mártires da Pátria 101, em Lisboa. Aqui fica o programa completo de actuações.

15 Fev:
Miguel Mira & Marco Franco
Gianna de Toni & Biagio Verdolini
Guilherme Rodrigues, Maria da Rocha & Marc Ramirez

16 Fev:
Bruno Parrinha, Eduardo Chagas & Luís Lopes
Hernâni Faustino & José Lencastre
Ernesto Rodrigues, Nuno Torres & Albert Cirera

17 Fev:
Abdul Moimême & Alvaro Rosso
Anna Piosik, João Valinho & Bruno Gonçalves
Carlos Santos, Carla Santana & André Hencleeday

RED Trio no Maria Matos: Celebration Band completa

O RED Trio vai assinalar o seu 10º aniversário com um concerto no Teatro Maria Matos a 10 de Fevereiro. A lista de convidados da chamada “Celebration Band” acaba de ser fechada: juntam-se Carlos Santos, Ernesto Rodrigues, Fala Mariam, Luís Vicente, Miguel Abras, Miguel Mira, Nuno Torres, Pedro Sousa e Ricardo Jacinto. A estes músicos somam-se os nomes já confirmados anteriormente (John Butcher, Mattias Ståhl, Rodrigo Amado, Sei Miguel e David Maranha). Os convidados vão interpretar três composições, cada peça assinada por cada um dos membros do trio.

Peça de Hernâni Faustino:
Rodrigo Pinheiro
Hernâni Faustino
Gabriel Ferrandini
John Butcher
Sei Miguel
Fala Mariam
Mattias Ståhl
Ricardo Jacinto
Carlos Santos

Peça de Rodrigo Pinheiro:
Rodrigo Pinheiro
Hernâni Faustino
Gabriel Ferrandini
John Butcher
Mattias Ståhl
Nuno Torres
Ricardo Jacinto
Carlos Santos
Ernesto Rodrigues
Luís Vicente

Peça de Gabriel Ferrandini:
Rodrigo Pinheiro
Hernâni Faustino
Gabriel Ferrandini
Mattias Ståhl
Pedro Sousa
Miguel Mira
Rodrigo Amado
David Maranha
Miguel Abras

Trio de Sei Miguel estreia-se no Damas

No dia 2 de Fevereiro o novo Trio de Sei Miguel estreia-se no Damas. Esta nova formação junta o trompetista e compositor com Fala Mariam (trombone) e Bruno Silva (guitarra eléctrica). Antecipando a actuação, Bruno Silva conta: “Vamos tocar material que nunca foi trabalhado neste formato. É um campo praticamente inédito quer para nós – eu e Fala – quer para o Sei, que trabalha quase sempre num espaço onde a percussão é preponderante. Nesse sentido, o trabalho tem sido tão gratificante e enriquecedor como sempre, com uma curva extra de expectativa. Vai ser bonito.” Na mesma noite há também uma performance de António Poppe, que vai ler poesia.

Está quase a chegar mais um Rescaldo

Maria da Rocha [Fotografia: Pedro Sadio]

Está quase a chegar a 11ª edição do festival Rescaldo, que vai apresentar onze concertos entre 16 e 24 de Fevereiro. Com programação de Travassos, o festival destaca algumas das propostas mais interessantes da música exploratória nacional.  O Rescaldo volta a assentar arraiais na Culturgest e vai promover novamente um concerto no (polémico) Panteão Nacional.

O festival arranca a 16 de Fevereiro, sexta-feira, com as actuações de Maria da Rocha (a apresentar o disco “Beetroot”) e do trio Diana Combo, Rafael Toral e Pedro Centeno no Pequeno Auditório da Culturgest. Também no mesmo auditório, no sábado, actuam a violoncelista Joana Guerra (solo) e o trio Harmonies (grupo de Joana Gama, Luís Fernandes e Ricardo Jacinto). Na tarde de domingo, às 16h30, a pianista Joana Gama apresenta-se em concerto no Panteão Nacional, com a interpretação de obras de Morton Feldman, Erik Satie e John Cage.

Na segunda semana de Rescaldo os concertos têm lugar na garagem da Culturgest. sexta-feira, 23 de fevereiro, há três concertos: Vitor Rua & The Metaphysical Angels,  Citizen: Kane & Hobo e Mmmooonnnooo + Quim Albergaria. O festival encerra no sábado, dia 24, com mais três actuações: EITR + Gabriel Ferrandini, Farwarmth e 10.000 Russos + Jonathan Uliel Saldanha.

Todos os concertos na Culturgest arrancam às 21h30 e têm o preço único de 6€. O concerto no Panteão Nacional tem entrada livre, mediante o pagamento do ingresso no Panteão (4€).

Bay’s Leap com Paulo Chagas nas Caldas

Depois de tocar com o violinista Carlos Zíngaro (a 2 Fevereiro na Ler Devagar), o trio inglês Bay’s Leap vai actuar com outro improvisador português, o saxofonista Paulo Chagas. O trio de Noel Taylor (clarinete), Clare Simmonds (piano) e James Barralet (violoncelo) junta-se a Chagas para um concerto de música improvisada. O concerto terá lugar no Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, no dia 3 de Fevereiro às 17h00.

Montanhas Azuis e Giovanni Di Domenico na ZDB

Marco Franco e Norberto Lobo [Fotografia: Vera Marmelo]

No dia 3 de Fevereiro a Galeria ZDB acolhe as actuações de Montanhas Azuis e Giovanni Di Domenico. O italiano Di Domenico apresenta o disco “Insalata Statica”, ao leme de um octecto que junta Ananta Roosens, Vera Cavallin, Jordi Grognard, Niels Van Heertum, Miquel Casaponsa, Laurens Smet e Joao Lobo.

Montanhas Azuis é um projecto que junta dois músicos portugueses consagrados: Norberto Lobo (guitarra) e Marco Franco (bateria). Neste concerto a dupla vai contar com a colaboração do convidado Bruno Pernadas. Os bilhetes têm o preço de 8€ e estão disponíveis na Flur Discos, Tabacaria Martins e ZDB (segunda a sábado 22h-02h, reservas@zedosbois.org).

Memória: “Schwarzwaldfahrt” de Brötzmann / Bennink

Este texto foi a minha primeira colaboração com a revista Jazz.pt. Fui convidado a colaborar na Jazz.pt pelo Pedro Costa, na altura o director da revista, e esta crítica foi publicada no seu número 6, edição de Maio/Junho de 2006.

Peter Brötzmann / Han Bennink
“Schwarzwaldfahrt
(FMP, 1977; reed. Atavistic, 2006)

No fim do Inverno, dois músicos resolvem passar alguns uns dias na Floresta Negra, numa zona perto de Donaueschingen. Carregados com pão, bacon da região, truta fumada e algumas garrafas de vinho, instalam-se numa velha casa de madeira. Durante o dia vão para a floresta fazer música, música que surge no meio do arvoredo, música livre, improvisada. Com eles levam saxofones, clarinetes e pouco mais – e utilizam tudo o que encontram pelo caminho como instrumento musical. A história aconteceu em 1977 e teve como personagens dois fundadores da livre improvisação europeia: Peter Brötzmann e Han Bennink. Editado originalmente pela FMP, “Schwarzwaldfahrt” reuniu uma selecção dos melhores momentos que o duo gravou durante aqueles dias. Agora, quase trinta anos volvidos sobre a aventura, o disco foi reeditado, com o bónus de incluir um segundo disco com material que ficou de fora da primeira edição. Se à partida a ideia que esteve por trás da aventura já gerava curiosidade, o duo tratou de não defraudar as expectativas. Brötzmann, que é geralmente considerado o mais fiel seguidor de Albert Ayler, pelo teor incendiário do seu sopro, tem aqui uma prestação relativamente calma, distante do tom abrasivo que lhe é habitual. Han Bennink aproveita todos os objectos para fazer percussão e arranca sonoridades surpreendentes. Quase sempre em concordância, utilizando uma panóplia de instrumentos por vezes impossíveis de identificar, os dois músicos constroem fragmentos de ritmos e melodias que se sustentam em diálogo permanente. Sem alinhar em tretas neo-hippies, esta é uma celebração da música e da natureza, da música que nasce na floresta, nas árvores, na água. Pela dimensão que representa, como manifesto de música improvisada, este álbum é poesia natural.