Ao Vivo: Jazz em Agosto 2018

Stone Improv Night [Fotografia: Petra Cvelbar]

Numa edição especial dedicada à música de John Zorn, o festival da Gulbenkian incluiu este ano um total de 22 concertos, entre três em que o saxofonista (e organista) tocou e outros em que os grupos convidados interpretaram a sua música. Apenas quatro saíram deste figurino, ainda que dois deles – os dos participantes portugueses – sob a sua esfera de influência. (…)

Reportagem partilhada com Gonçalo Falcão. Texto completo no site jazz.pt:
https://jazz.pt/report/2018/08/07/ano-zorn/

ZigurFest fecha programa

Sei Miguel [Fotografia: Vera Marmelo]

Já está fechado o programa do ZigurFest 2018, o festival que leva a Lamego uma selecção das músicas exploratórias nacionais. O festival realiza-se de 29 de Agosto a 1 de Setembro e apresenta um total de 24 projectos portugueses, espalhados por oito palcos: Teatro Ribeiro Conceição, sala de Grão Vasco do Museu de Lamego, Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos, Castelo de Lamego, rua do Castelinho, Parque Isodoro Guedes e um palco surpresa (será revelado a 22 de Agosto). Com um programa vasto, o Zigurfest apresenta propostas ligadas ao jazz e à improvisação, como Zarabatana, Paisiel (duo de Julius Gabriel e João Pais Filipe) e Carro de Fogo de Sei Miguel. O festival contempla ainda uma vertente de arte contemporânea, com exposições, instalações e workshops (plataforma ZONA – Residências Artísticas de Lamego).

Jazz regressa à Mealhada

Marcelo dos Reis

Em 2017 nasceu um novo festival de jazz na Mealhada, o MeaJazz. Agora, o festival vai chegar à sua segunda edição, realizando-se nos dias 7 e 8 de Setembro. Os concertos terão lugar no Jardim Municipal da Mealhada, juntando um total de oito projetos com músicos de quatro países. No dia 7 actuam Marcelo dos Reis (Portugal), Blubell (Brasil), Karlos Rotsen (França) e Synesthesia Sextet (Ucrânia/Brasil/Portugal). No dia 8 apresentam-se Fanny Roz (França), Léo Middea (Brasil), Susana China (Portugal) e Orquestra Smoth (Portugal). Todos os concertos têm entrada livre.

Omniae Ensemble de volta à estrada

Pedro Melo Alves [Fotografia: Márcia Lessa]

O  compositor e baterista Pedro Melo Alves não pára. Depois de ter actuado no festival Jazz em Agosto com o grupo The Rite of Trio, no dia 30 de Julho, Melo Alves encontra-se agora a desenvolver uma residência artística nas Aldeias do Xisto (até 15 de Agosto) e acaba de anunciar o regresso aos concertos com o Omniae Ensemble, grupo que no ano passado editou o seu elogiado disco de estreia. O Omniae vai apresentar-se ao vivo com quatro datas no mês de Setembro: dia 12 no Salão Brazil (Coimbra), 13 na Casa da Música (Porto), 14 na SMUP (Parede) e 15 no CCB, no âmbito da European Jazz Conference (Lisboa).

Fire! em Lisboa e Guimarães

O grupo Fire! já tinha sido anunciado na programação da Galeria ZDB, no dia 5 de Outubro. Agora, acaba também de ser anunciada a sua confirmação no festival Mucho Flow. O trio de Mats Gustafsson, Johan Berthling e Andreas Werlin vai apresentar-se ao vivo no festival em Guimarães no dia 6 de Outubro. Além dos Fire!, no Mucho Flow actuam aindaGaika, Black Midi, e Sky H1.

Vítor Feitor apresenta-se

Vítor Feitor é um clarinetista, compositor e improvisador português. No momento em que acaba de editar o disco “Patterns For…”, em parceria com o pianista italiano Alessio Velotti, Feitor apresenta-se.

Pode apresentar o seu percurso?
Iniciei os meus estudos musicais académicos na Academia de Amadores de Música de Lisboa a que se seguiu a Escola Superior de Música de Lisboa (licenciatura) e dois mestrados, um em Ensino do Clarinete, outro em Direção de Orquestra.  Desde os tempos da Academia que comecei a interessar-me não só pela música clássica como também pela bossa nova, chorinho e o jazz, muito por culpa dos projetos onde me ia inserindo e dos músicos que se iam cruzando comigo.  Para além dessa formação, estudei piano na Juventude Musical Portuguesa e improvisação com o saudoso saxofonista Jorge Reis. Realizei ainda diversos worshops dentro dessas áreas com Carlos Zíngaro e Paulo Gaspar (música improvisada) ou Celso Machado e Ricardo Moyano (música brasileira), tal como na área mais clássica com os clarinetistas Antony Pay, Yehuda Gilad, Fabrizio Meloni, Philippe Cuper e Jonathan Cother, entre muitos outros. Integrei diversos projetos de chorinhos com o guitarrista Joaquim Nascimento e de música improvisada (projeto RAUM do compositor Paulo Duarte, 1º Prémio Jovens Criadores, na bienal de Braga em 1999). Em 2001, já como membro fundador do projeto Osivorpmi Trio, com os músicos Fausto Ferreira e João Monteiro, voltei a ganhar o mesmo prémio, desta vez em Coimbra. Durante o meu percurso realizei a estreia de diversas obras entre as quais dos compositores: Sérgio Azevedo e João Antunes (Teatro São Luiz), Carlos Marecos ou Gonçalo Lourenço (Gulbenkian). O meu percurso tem-se dividido entre o ensino, dando aulas em diversas instituições, a direcção de orquestra e a realização de concertos nas três vertentes: música clássica, direcção de orquestra e a improvisação. Continue reading “Vítor Feitor apresenta-se”

ZDB revela programa para a rentrée

Mats Gustaffson

A Galeria Zé dos Bois acaba de apresentar a sua programação de concertos para os próximos meses, que inclui várias propostas ligadas ao jazz e à improvisação.  A meados de Setembro há duas noites com os Lean Left (dias 14 e 15): o super-quarteto de Ken Vandermark, Terrie Ex, Andy Moor e Paal Nilssen-Love irá apresentar-se em formações variáveis e com a presença de vários músicos locais (nomes ainda por confirmar). A 28 de Setembro Filipe Felizardo & The Things Previous apresentam o novo disco “Volume VI – The Sun Rises In Your Tummy & Other Christmas Illuminations” (a acompanhar Felizardo estarão Tiago Silva, André Gonçalves, Gabriel Ferrandini, Raphael Soares). A 29 de Setembro o saxofonista Julius Gabriel apresenta ao vivo o material do disco “Dream Dream Beam Beam” (na segunda parte actuam os Cave Story). E no dia 5 de Outubro actuam os FIRE!, trio de Mats Gustafsson, Johan Berthling e Andreas Werlin. Estes são apenas alguns dos destaques, o programa completo encontra-se no site da ZDB.

Jazz em Agosto: concerto de abertura alterado

A organização do Jazz em Agosto acaba de anunciar que, por motivos de saúde, o baterista Milford Graves não vai actuar no concerto inaugural do festival, no dia 27 de Julho. Em vez do trio constituído por John Zorn, Thurston Moore e Milford Graves, o concerto de abertura do festival será apresentado num novo formato: a Zorn (saxofone) e Moore (guitarra eléctrica) irão juntar-se vários músicos que vão tocar nesta 35.ª edição do festival, numa noite de improvisação intitulada “Stone Improv Night”.

Out.Fest 2018 apresenta primeiros nomes

Acabam de ser anunciados os primeiros nomes para o Out.Fest. A edição 2018 do Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro realiza-se entre os dias 5 e 6 de Outubro, numa co-programação da OUT.RA e Filho Único. O Out.Fest 2018 vai apresentar concertos de HHY & The Macumbas, João Pais Filipe, Group A, Fret (aka Mick Harris), Lea Bertucci, Linn da Quebrada, Lotic e Ricardo Rocha – em breve serão anunciados os restantes nomes do cartaz. Os primeiros 100 passes gerais estão à venda por 15€ (locais habituais).

Rafael Toral: odisseia no espaço

[Fotografia: Vera Marmelo]

Rafael Toral acaba de editar um novo disco, Space Quartet, gravado com Hugo Antunes, João Pais Filipe e Ricardo Webbens (edição Clean Feed). Em paralelo, a editora Drag City, de Chicago, acaba de reeditar em vinil dois discos que já se tornaram clássicos da música ambiental: Sound Mind Sound Body (de 1994) e Wave Field (de 1995). No momento em que assistimos a estas edições, Toral concede uma entrevista exclusiva: faz uma retrospectiva sobre o seu Space Program, apresenta o novo trabalho em quarteto e fala sobre as reedições.

Podes contextualizar, explicar o percurso e as etapas do Space Program?
Quando saí do período de transição (entre 2002 e 2004) em que defini como iria funcionar a nova abordagem musical, tracei todo o plano de uma vez. Assumi um compromisso com um mapa de acção. Comecei por lançar Space, que serviu como enunciar de intenções e apresentação de matérias, sob a forma de uma orquestra electrónica em que eu toquei todos os instrumentos (excepto a participação de Sei Miguel e Fala Mariam). Depois duas séries de discos, uma de gravações a solo (Space Solo 1 e 2) e outra de composições minuciosas com colaboradores próximos como César Burago, Riccardo Dillon Wanke ou Manuel Mota, e convidados, como David Toop, Tatsuya Nakatani ou Evan Parker. Desta série resultaram os álbuns Space Elements I, II III. Ao vivo, estabeleci uma série de mapas de exploração de possibilidades em fraseado para cada instrumento a que chamei Space Studies, acho que foram oito. Mais tarde, comecei a dirigir formações cujo número indicava de quantas pessoas se compunha — o Space Collective, cuja aparição mais recente produziu o Moon Field. Estas formações tocavam num regime mais ou menos aberto quanto ao conteúdo das partes individuais mas estas eram cronometradas e aplicadas segundo uma partitura. Daí deu-se o salto para o Space Quartet, que opera de modo semelhante quanto aos materiais, mas cujas partes já são decididas autonomamente pelos músicos, sem partitura e sem sincronismo. No plano pedagógico, tenho oferecido o Space Program Workshop, dirigido a músicos de electrónica na óptica do hacking ou circuit bending, que trata não da tecnologia mas do que fazer com ela. Um trabalho sobre escuta, articulação e estruturação de discurso musical. Hoje, o programa discográfico está completo e encerrado, mas o trabalho que continuo a desenvolver cresce a partir do que fiz nestes últimos 15 anos.

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