RED Trio celebra 10 anos no Maria Matos


[Fotografia: Vera Marmelo]

O RED Trio faz dez anos de vida e, em jeito de celebração, vai levar ao Teatro Maria Matos um espectáculo especial. O grupo de Rodrigo Pinheiro (piano), Hernâni Faustino (contrabaixo) e Gabriel Ferrandini (bateria) vai convidar vários músicos que formarão uma “Celebration Band“. O concerto terá lugar no dia 10 de Fevereiro e o contrabaixista Hernâni Faustino fala-nos sobre esta festa de aniversário.

 

O RED Trio faz dez anos, como vês este percurso?
É incrível pensar que o RED Trio já fez dez anos de existência! Quando começámos a tocar nunca pensámos passar por todas as experiências que temos vivido: concertos pelo mundo inteiro (de Nova Iorque a Moscovo), vários discos e várias colaborações com músicos incríveis. Foram dez anos de muito trabalho em que o grupo mudou radicalmente e em que cada um de nós individualmente também o fez.

Podes explicar o que vai acontecer no concerto do Maria Matos?
Iremos convidar vários músicos portugueses e alguns estrangeiros que têm colaborado connosco ao longo destes dez anos de existência e outros com quem ainda não trabalhámos que gostaríamos de o fazer. Iremos apresentar três composições, uma por cada elemento do RED Trio.

Poderemos contar com mais dez anos de RED Trio? Já há ideias de futuros discos, colaborações, etc.?
Pensamos que sim! Queremos voltar ao formato do trio e desenvolver coisas novas na nossa música. Em 2017 tivemos a possibilidade de tocar em quinteto com o Axel Dörner e o Mattias Ståhl e foi bastante positivo e enriquecedor, e este é um formato que queremos manter. Este ano estamos na SHAPE Platform e certamente novos desafios irão surgir, teremos outras possibilidades para tocar a nossa música e novas colaborações poderão aparecer.

The Selva em residência no gnration

[Fotografia: gnration]

Os The Selva encontram-se a desenvolver uma residência artística no gnration, em Braga. O resultado do trabalho será apresentado com um concerto ao vivo, no dia 12 (sexta-feira), às 22h30. Ricardo Jacinto, Gonçalo Almeida e Nuno Morão falam-nos sobre a residência e aquilo que daí virá.

 

Que tipo de trabalho estão a desenvolver na residência?
Esta residência surge no intervalo de uma pequena tour entre Lisboa e Pontevedra. Demos quatro concertos e em seguida parámos no gnration para preparar o material que fará parte do nosso próximo disco. Foram-nos disponibilizadas ótimas condições para gravar e por isso temos estado a fazê-lo em continuidade ao longo destes dias. O facto de já termos dado 4 concertos e termos mais 3 em seguida, faz com que nesta residência tenhamos por um lado novo material que surgiu nos concertos e por outro possamos ainda testar ao vivo algumas novas composições trabalhadas na residência.

Que novidades serão apresentadas no concerto?
A Selva é um trio que explora de um modo sistemático, mas aparentemente muito orgânico, um conjunto alargado de referências musicais numa lógica de dispersão idiomática. Esta característica que, de algum modo, já estava presente no primeiro disco será aqui desenvolvida tanto em faixas duracionais como em miniaturas. Estes são dois formatos que gostamos muito de explorar e que, paradoxalmente, exigem uma grande contenção e disciplina. São estes eixos que estamos determinados a desenvolver numa lógica de conseguir manter a organicidade e imprevisibilidade que queremos para os concertos, mantendo ao mesmo tempo controlo da forma e estrutura.

Como está a decorrer a residência? É uma experiência que querem repetir mais vezes?
Está a correr muito bem, tanto internamente como na relação com o pessoal do gnration. Faz muita falta estender à música este tipo de programas de residência, que por exemplo nas artes plásticas são muito comuns. É fundamental que hajam mais espaços que recebam em residência projetos musicais pois é que aqui que se possibilita de um modo estruturado a sedimentação do trabalho criativo e se dá aos artistas/grupo um período de concentração. Parece-nos também que este tipo de projetos permite que haja uma interação muito desejável entre artistas em residência e músicos/artistas/escolas locais. Neste caso iremos realizar um workshop de improvisação com um ensemble de 13 alun@s do Conservatório Gulbenkian de Braga. Estamos a preparar com bastante interesse esta dimensão da residência pois identificamos uma falta muito grande de práticas de improvisação musical no contexto académico. No contexto académico português há a ideia de que a improvisação é um parente pobre da composição e da interpretação e que quando surge é uma prática exclusiva do Jazz. Interessa-nos desenvolver estes workshops tanto em torno da improvisação livre como de lógicas de improvisação mais orientadas.

Sirius apresentam disco de estreia na ZDB

[Fotografia: Vera Marmelo]

Sirius é um duo que junta o trompete de Yaw Tembe com a percussão de Monsieur Trinité (que se considera “manipulador de objectos diversos”). O duo trabalha uma música improvisada e acaba de publicar o seu disco de estreia, “Acoustic Main Suite plus The Inner One“, editado pela Clean Feed. Assinalando a edição do disco, a dupla apresenta-se ao vivo na Galeria ZDB no próximo dia 17 de Janeiro (bilhetes a 6€).

O projecto, que rouba o nome a um disco de Coleman Hawkins, nasceu quando Trinité se juntou como convidado ao projecto a solo de Yaw, “Círculo de 3Pontas”. Conta o trompetista: “Vimos que havia potencial para criarmos algo de raiz e desde cedo sentimos a necessidade em seguirmos por um processo de depuração dos sons ao encontro de fundamentos básicos da matéria, do sopro e do gesto”.

O disco agora editado é o resultado de um longo caminho, como confessa Yaw: “Durante estes seis anos passamos por diversos estados (acústico, electrónico, utilização de samples) e recentemente constatamos que apesar dessas mudanças a identidade do duo sempre se manteve. The Inner Suite… é assim um eco dessas mudanças, tendo ela também ocorrido num tempo bastante próprio e singular.”

Conta Monsieur Trinité: “O disco foi gravado no Panteão Nacional pelo sonoplasta e músico Tiago Varela, tendo sido editado no Namouche com produção de Sei Miguel e Joaquim Monte, tendo também participado o sonoplasta Cristiano Nunes.” Segundo Yaw, Sei Miguel “foi como que um terceiro elemento de Sirius, paciente e minucioso na escuta”.

O duo Sirius apresenta-se ao agora vivo na ZDB, celebrando a edição do disco. Sobre o concerto, Trinité não faz previsões, mas diz que “vai depender do humor do dia e da psicogeografia do espaço”.

El Intruso: 10th Annual Critics Poll

Fui mais uma vez convidado a participar na votação anual do site El Intruso, que reúne as escolhas de 58 críticos de jazz e música improvisada de diversos países. Aqui estão os resultados finais:

Músico do ano: Wadada Leo Smith
Músico revelação: Jaimie Branch
Grupo do ano: Vijay Iyer Sextet
Grupo revelação: Irreversible Entanglements
Disco do ano: “Far From Over” – Vijay Iyer Sextet (ECM)

Votações completas no site El Intruso:
http://elintruso.com/2018/01/05/encuesta-2017-periodistas-internacionales/

Trio The Selva em tour

O trio The Selva vai arrancar o ano novo com uma digressão que vai passar por Portugal e pela Galiza.​ O trio de Ricardo Jacinto (violoncelo), Gonçalo Almeida (contrabaixo) e Nuno Morão (bateria) trabalha uma música abertamente improvisada e lançou o seu disco de estreia no ano passado, com edição Clean Feed. Em Portugal esta tour vai passar por Lisboa, Porto, Braga, Viseu e São Gregório (Caldas da Rainha). Aqui fica a agenda completa do trio.

4 Jan: Sabotage, Lisboa
5 Jan: Sonoscopia, Porto
6 Jan: Liceo Mutante, Pontevedra
7 Jan: Bétun, Tui
12 Jan: gnration, Braga
13 Jan: Carmo 81, Viseu
14 Jan: Osso, São Gregório (Caldas da Rainha)

Disco: “Timeless” de Marcelo dos Reis & Eve Risser

Marcelo dos Reis & Eve Risser
“Timeless”
(JACC, 2017)

O guitarrista português Marcelo dos Reis conseguiu afirmar-se nos últimos anos como um dos mais activos e interessantes exploradores da guitarra acústica no campo da música improvisada. Nos últimos anos tem repartido a sua atenção entre o formato solo (editou neste ano de 2017 o óptimo “Cascas”) e, sobretudo, em diversos projectos em colaboração com músicos nacionais e estrangeiros: Fail Better!, Chamber 4, In Layers, Pedra Contida (com disco recente, “Amethyst”) e Staub Quartet (Carlos Zíngaro, Miguel Mira e Hernâni Faustino, atenção a este disco!), entre outros.

Agora, Reis regressa ao formato duo, num registo próximo do memorável disco “Concentric Rinds”, gravado com a harpista Angélica V. Salvi. Aqui a sua parceira é a francesa Eve Risser, pianista de recursos vastos que se fez notar com o trio En Corps e, mais recentemente, tem trabalhado em projectos distintos como a sua White Desert Orchestra (actuou no Jazz em Agosto 2016) e o duo com a pianista eslovena Kaja Draksler (disco “To Pianos” editado pela Clean Feed). (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3242-timeless/

Fred Frith no Salão Brazil

O Salão Brazil, de Coimbra, acabou de revelar a programação para o primeiro trimestre de 2018. O espaço da baixa coimbrã vai receber vinte concertos nos primeiros três meses do ano e o destaque obrigatório vai para o concerto do guitarrista Fred Frith no dia 17 de Fevereiro (data única em Portugal). O programa inclui actuações de KABAS (4 Janeiro), Ricardo Formoso Quarteto (26 Janeiro), Alexandre Coelho Quarteto (17 Março) e Insalata Statica (de Giovanni Di Domenico, 2 Fevereiro). Além do jazz, a programação inclui concertos de Six Organs of Admittance, Mdou Moctar e Boogarins, entre outros.

Solilóquios revela programação para 2018

Hamid Drake

O ciclo Solilóquios tem apresentado concertos a solo no Porto desde Fevereiro de 2017. Os concertos têm lugar no espaço Yoga sobre o Porto e ao longo deste ano realizaram-se 22 concertos, apresentado nomes internacionais como Peter Evans, Joëlle Leandre, Arild Andersen, Rob Mazurek ou Dominique Pifarély e nomes nacionais de relevo como João Guimarães, André Matos, João Barradas e Miguel Ângelo.

Para o ano de 2018 estão já confirmados vários nomes grandes ligados ao jazz e à improvisação e em Fevereiro será assinalado o 1º aniversário do Solilóquios, apresentando três concertos ao longo de três dias. Aqui fica a programação confirmada até ao momento.

27 Jan: Stephan Micus
16 Fev: Barry Guy
17 Fev: Joe Morris
18 Fev: Pedro Melo Alves
25 Mar: Theo Bleckmann
2 Abr: Hamid Drake
21 Abr:  Julius Gabriel

Disco: “I think I’m going to eat dessert” de Miguel Ângelo

Miguel Ângelo
“I think I’m going to eat dessert”
(Creative Sources, 2017)

Contrabaixista ligado à cena Porta-Jazz, Miguel Ângelo tem participado em alguns dos projectos mais interessantes do jazz nortenho contemporâneo, como o Ensemble Super Moderne, o quarteto MAP ou o Pedro Neves Trio (um dos melhores grupos do jazz nacional, que tem passado despercebido a quase toda a gente). Na qualidade de líder, Miguel Ângelo editou em 2013 o seu disco de estreia, “Branco”, e já em 2016 editou “A Vida de X”, momento de confirmação – ambos os discos gravados ao leme de um quarteto que inclui o saxofonista João Guimarães.

Agora, o contrabaixista aventura-se agora num projecto de contrabaixo solo. Se o formato solo já é arriscado para qualquer músico, mais ainda será para um instrumento com as características do contrabaixo, habitualmente remetido (e limitado) ao papel de acompanhamento rítmico. Não são muitos os casos de aventuras de contrabaixo a solo, e muito menos no panorama nacional. Recordamos os casos – já históricos – de “Solo Pictórico” de Carlos Barretto e de “Single” de Carlos Bica (edição da saudosa Bor Land). (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3241-i-think-i%E2%80%99m-going-to-eat-dessert/

Disco: “Fragments of Always” de José Lencastre Nau Quartet

José Lencastre Nau Quartet
“Fragments of Always”
(FMR, 2017)

Para aquele que será o seu projecto de assinatura mais pessoal, o saxofonista e improvisador reuniu um quarteto de luxo com alguns dos mais notáveis improvisadores nacionais. Na bateria está João Lencastre, seu irmão, baterista e compositor de créditos firmados com uma discografia sólida ao leme do grupo Communion, que também acaba de editar o disco “Movements In Freedom” (Clean Feed). No piano está Rodrigo Pinheiro, pianista do celebrado RED Trio, membro dos grupos Earnear e Clocks and Clouds, e que este ano participou como convidado no concerto Life and Other Transient Storms no Jazz em Agosto (melhor concerto do festival, um dos melhores concertos do ano). No contrabaixo está Hernâni Faustino, também do RED Trio e membro dos grupos Falaise, Rodrigo Amado Wire Quartet, Staub Quartet, Vítor Rua & The Metaphysical Angels, Elliott Levin’s Lisbon Connection e Nobuyasu Furuya Trio, entre outros. Todos músicos experientes e com trabalho rico no mundo da improvisação, portanto. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3237-fragments-of-always/