Jazz ao Largo de regresso a Barcelos

Mário Laginha Trio [Fotografia: Márcia Lessa]

Vem aí a quarta edição do Jazz ao Largo, o festival que leva jazz à cidade de Barcelos. O festival realiza-se entre os dias 11 e 15 de Setembro e apresenta concertos, workshops e free jazz sessions em diversos espaços da cidade. O festival de Barcelos vai apresentar Banda de Oliveira, Bruno Pernadas Quarteto, Jeffery Davis Trio, Mário Laginha Trio, The Selva, Carlos Bica (solo), Julius Gabriel e Tatabitato. Aqui fica o programa completo; todas as actividades têm entrada gratuita.

11 Set, 22H00: Banda Musical de Oliveira (Largo Dr. Martins Lima)

12 Set, 22H00: Bruno Pernadas Quarteto (Largo Dr. Martins Lima)

13 Set, 22H00: Jeffery Davis Trio (Largo Dr. Martins Lima)

14 Set, 11H00: Tatabitato – Oficina para crianças (Theatro Gil Vicente)

14 Set, 15H00: The Selva – Workshop de Improvisação (Frente Ribeirinha da Azenha)

14 Set, 17H00: The Selva (Frente Ribeirinha da Azenha)

14 Set, 22H00: Mário Laginha Trio (Largo Dr. Martins Lima)

15 Set, 17H00: Carlos Bica solo (Frente Ribeirinha da Azenha)

15 Set, 18H30: Julius Gabriel (BarcelosBus – entrada junto à Ponte Medieval)

Disco: “Eudaimonia” de José Lencastre Nau Quartet


José Lencastre Nau Quartet
“Eudaimonia”
(FMR, 2018)

Irmão do baterista João Lencastre, José Lencastre é um saxofonista criativo que tem explorado diversos universos sonoros, do rock ao funk. Recentemente editou o seu novo projecto, Nau Quartet, dedicado à improvisação livre, onde conta com a companhia do irmão João na bateria e de duas figuras centrais da cena improvisada nacional: Hernâni Faustino no contrabaixo e Rodrigo Pinheiro no piano (ambos membros do RED Trio). O quarteto apresentou-se ao mundo com o disco “Fragments of Always”, que deixou boas indicações, e é agora chegado o segundo registo, “Eudimonia”. Neste novo registo Lencastre mantém as premissas do disco anterior, liderando um quarteto que apresenta uma música directa, intensa, plena de energia. Improvisação pura, acesa, que cresce com as sugestões individuais, assente num focado sentido colectivo. A nau continua a navegar segura.

Colheita 2019: Realidades paralelas

O primeiro semestre do ano foi rico em jazz e música improvisada Made In Portugal. Em 2019 foram editados diversos discos da autoria de músicos portugueses e alguns desses álbuns foram já alvo de referências e destaques: “In Search of Light” (Eduardo Cardinho), “After Silence, Vol. I” (José Dias), “Summer Bummer” (The Attic), “Histórias do Céu e da Terra” (Isabel Rato), “The Clifton Bridge Landscapes” (Krake), “III” (TGB), “No Place to Fall” (Rodrigo Amado & Chris Corsano), “Boundaries” (Manuel Linhares), “The Garden of Earthly Delights” (André Carvalho), “Vol. III” (Mano a Mano), e “Volúpias” (Gabriel Ferrandini). Além destes, vários outros merecem atenção. Desde o jazz mais ligado a correntes mainstream até à pura improvisação livre, várias foram as propostas apresentadas por músicos nacionais, realidades musicais diferenciadas e muito válidas, que podem co-existir em simultâneo. Aqui ficam alguns dos destaques da colheita nacional 2019. Continue reading “Colheita 2019: Realidades paralelas”

Disco: “Volúpias” de Gabriel Ferrandini


Gabriel Ferrandini
“Volúpias”
(Clean Feed, 2019)

É uma das grandes figuras nacionais da música improvisada do século XXI. O baterista Gabriel Ferrandini afirmou-se como músico notável ao longo da última década, membro fulcral de dois grupos de improvisação livre que têm atravessado fronteiras: RED Trio e Rodrigo Amado Motion Trio. Em paralelo tem desenvolvido trabalho a solo (apresentou no Maria Matos o espectáculo “Tudo Bumbo”), mantém um duo estável com o saxofonista Pedro Sousa (PeterGabriel) e participa em diversas formações, nacionais e internacionais.

Ferrandini tem colaborado com músicos como Evan Parker, Peter Evans, Alexander Von Schlippenbach, Axel Dörner, John Butcher ou Nate Wooley (versão resumida do CV). E acaba agora de editar o excelente disco “Disquiet”, em duo com o saxofonista russo Ilia Belorukov (edição Clean Feed). Além da improvisação, Ferrandini explora ainda projetos de rock mais livre, tocou e gravou com Thurston Moore (Sonic Youth) e Alex Zhang Hungtai (Dirty Beaches) e a formação mais recente de CAVEIRA. Continue reading “Disco: “Volúpias” de Gabriel Ferrandini”

Astronauta Desaparecido lança “Virus From Outer Space”

O Astronauta Desaparecido, projecto dos irmãos Rui Eduardo Paes e Carlos Paes, voltou à vida. Primeiro chegou a reedição da cassete “Sound & Fury”, objecto obscuro de música experimental, originalmente editado em 1991, que ficou agora disponível para uma nova geração. Depois foi o regresso aos concertos. E agora chega um novo registo, “Virus from Outer Space“, que reúne dois temas: “Bella Ciao in 2018” e “Virus From Outer Space (Tribute to William S. Burroughs)”. Combinando gravações de estúdio e ao vivo (na SMUP, Parede), este novo álbum marca o regresso do Astronauta, reaparecido 28 anos depois. Isto é música turbulenta, aqui há noise, corte e colagem, utilização de sons pré-gravados, efeitos electrónicos, sobreposição de elementos e o retratamento de um clássico hino anti-fascista (escolha muito bem-vinda nestes tempos de novos fascismos e racismo sem vergonha). Este novo disco está disponível exclusivamente online, através do bandcamp da editora A Besta.

Culturgest apresenta nova temporada

Joe McPhee / Chris Corsano / Kent Kessler / Rodrigo Amado [Fotografia: Nuno Martins]

A Culturgest acaba de apresentar a programação para a nova temporada. A programação musical inclui concertos de Gabriel Ferrandini (17 de Setembro, já anunciado), Lubomyr Melnyk (2 de Outubro), quarteto Rodrigo Amado / Joe McPhee / Kent Kessler / Chris Corsano (31 de Outubro), Holly Herndon (14 de Novembro) e Montanhas Azuis (20 de Dezembro). No dia 10 de Dezembro há o filme-concerto “Híbridos, Os Espíritos do Brasil”, com edição vídeo em tempo real dos realizadores Vincent Moon e Priscilla Telmon e com música ao vivo do produtor libanês Rabih Beani (eletrónica) e do português Tiago Miranda (efeitos e percussão).

Ao vivo: Jazz no Parque 2019

Em mais uma edição que tem incidido nas parcerias de músicos portugueses com outros de países terceiros, o ciclo de concertos da Fundação de Serralves arrancou com um novo projecto de Pedro Melo Alves, In Igma, estrelado por Mark Dresser e Eve Risser, e continuou com a segunda versão do grupo nacional Fail Better! com Théo Ceccaldi como convidado. (…)

Reportagem de João Esteves da Silva e Nuno Catarino.

Texto completo no site Jazz.pt:
https://jazz.pt/report/2019/07/18/no-fio-da-navalha/

Ao vivo: Jazz im Goethe-Garten 2019

[Fotografia: Vera Marmelo / Goethe-Institut]

A comemoração dos 15 anos do festival promovido pelo Goethe Institut em Lisboa fez-se na primeira metade de Julho com música europeia de elevada qualidade. O arranque fez-se com os portugueses Cat in a Bag e o fecho com os alemães Philm, dois dos pontos altos da edição. (…)

Reportagem de Gonçalo Falcão e Nuno Catarino.

Artigo completo no site Jazz.pt:
https://jazz.pt/report/2019/07/15/um-jig-gante-em-andamento/

Pedro Melo Alves vence Prémio Giorgio Gaslini 

Pedro Melo Alves [Fotografia: Márcia Lessa]

O baterista e compositor português Pedro Melo Alves venceu a 5ª edição do Premio Internazionale Giorgio Gaslini. O prémio foi instituído para homenagear a memória do maestro e destacar jovens músicos que partilhem a sua visão musical. O juri – Franco D’Andrea, Roberto Bonati e Bruno Tommaso – selecionou o português entre um vasto lote de candidatos, músicos com menos de 35 anos. Os vencedores das edições anteriores foram Francesco Orio (2015), Luca Perciballi (2016), Filippo Vignato (2017) e Mathias Hagen (2018). A cerimónia de entrega oficial do prémio realiza-se no dia 29 de Julho, em Borgo Val di Taro, Itália.

Melo Alves deixa um comentário sobre a atribuição do prémio: “A minha reacção é de plena estupefação. Nos últimos tempos tenho participado nalguns eventos à volta do circuito europeu de jazz (European Jazz Conference, 12 Points, Jazzahead, Festival de Jazz de Ljubljana, etc.) e constato que a diversidade e riqueza da oferta que a nova geração de músicos está a trazer ao mundo é esmagadora – cada vez mais culta, mais exigente, mais criativa nos recursos e mais arrojada. Ser apurado, dentro deste caldeirão de novidades, como o vencedor deste prémio que analisa o mérito dos novos artistas sabe a puro surrealismo. Olhando para mim, sabendo que sou apenas um na multidão de talentos que conheço, eu apenas posso dizer que acredito na minha busca e que a reconheço nos princípios de arte dinâmica e total que definiam a visão do Giorgio Gaslini, com cuja instituição tenho o prazer de já ter trocado alguns emails e telefonemas desde o anúncio. E assim, só espero corresponder à imensa hospitalidade com que para já me receberam. Será uma honra participar na cerimónia de entrega do prémio em Borgotaro com uma performance a solo onde pretendo canalizar com a maior honestidade todo o crescimento que têm sido os últimos tempos, rodeado das pessoas mais inspiradoras. É muito bonito receber do mundo amor quando lhe lançamos amor sem qualquer pretensão. São tempos bonitos, estes.”

Gabriel Ferrandini apresenta “Volúpias” ao vivo

Gabriel Ferrandini [Fotografia: Márcia Lessa]

O baterista Gabriel Ferrandini acaba de lançar o disco “Volúpias“, uma edição Clean Feed. Este é o seu primeiro disco em nome próprio, depois de mais de uma década de trabalhos em parceria e colaborações – RED Trio, Rodrigo Amado Motion Trio, duo PeterGabriel, Thurston Moore, CAVEIRA, etc. Este novo disco é o resultado de uma residência promovida pela Galeria ZDB e reúne composições originais e arranjos de Ferrandini, temas trabalhados em parceria com Pedro Sousa (saxofone tenor) e Hernâni Faustino (contrabaixo), numa espécie de “free jazz de temas curtos”. Agora, Ferrandini vai apresentar este trabalho ao vivo num concerto na Culturgest (Grande Auditório) no dia 17 de Setembro. Este concerto vai contar com a participação do veterano pianista alemão Alexander von Schlippenbach, como convidado.