“Dúcon”: Experimentação do Uruguai

Do Uruguai chega uma proposta experimental pouco comum. O disco “Dúcon” regista o encontro musical entre Santiago Bogacz (guitarras e voz) e Antonino Restuccia (contrabaixo). Esta música foi gravada ao vivo, em Setembro do ano passado em Montevideo, e mostra a dupla num processo de improvisação. Ao longo de uma faixa única de 38 minutos Bogacz e Restuccia dialogam, numa estratégia de pesquisa, procura, encontro e desencontro. O resultado é uma interessante mescla onde se cruza improvisação livre com free folk. O disco está disponível online, no Bandcamp.

Disco: “Autotelic” de Javier Subatin

Javier Subatin
Autotelic
(Sintoma, 2018)

Argentino a residir em Portugal, o guitarrista Javier Subatin (Buenos Aires, 1985) tem aqui o seu disco de estreia como líder. O projecto nasceu como duo, numa colaboração entre Subatin e o pianista português João Paulo Esteves da Silva. A formação completa-se com mais três músicos nacionais: Desidério Lázaro no saxofone, André Rosinha no contrabaixo e Diogo Alexandre na bateria.

Neste disco “Autotelic” Subatin faz questão de assinar a composição de todos os oito temas. O diálogo entre guitarra e piano está no centro desta música, a guitarra eléctrica de Subatin comunica com o piano de Esteves da Silva e o disco é deles, vive desse contínuo diálogo, dessa interação permanente. Pontualmente, Lázaro contribui com o seu saxofone criativo e Rosinha e Alexandre apoiam a base rítmica. Continue reading “Disco: “Autotelic” de Javier Subatin”

Ao vivo: Peter Evans & Orquestra Jazz de Matosinhos


[Fotografia: Vera Marmelo]

O americano Peter Evans começou por se afirmar como trompetista extraordinário, músico inovador, notabilizando-se pelas suas actuações e registos a solo – como “More Is More” (2006) ou “Nature/Culture” (2009). Ficamos depois a conhecer as suas facetas de líder, compositor, arranjador, explorador e improvisador, expostas em discos como “Live in Lisbon” (Peter Evans Quartet, ao vivo no Jazz em Agosto), “Live in Coimbra” (do quinteto Mostly Other People Do The Killing, gravado no Jazz ao Centro) e “Scenes in the House of Music” (num quarteto com Evan Parker, Barry Guy e Paul Lytton, na Casa da Música). Refira-se ainda a sua colaboração com o Rodrigo Amado Motion Trio, registada em dois discos (“Live in Lisbon” e “The Freedom Principle”).

Por aqui conclui-se que a ligação do trompetista com Portugal vem de longe. E desta vez Peter Evans foi desafiado a tocar com a Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM), numa parceria que surgiu tão inesperada quanto o resultado seria imprevisível.Dirigida por Carlos Azevedo e Pedro Guedes, a orquestra já revelou a sua excelência em colaborações com músicos como Carla Bley, Kurt Rosenwinkel, Maria Schneider, Lee Konitz e John Hollenbeck. Ao longo de duas décadas de história a OJM tem trabalhado um percurso versátil, sempre às voltas do jazz contemporâneo, mas esta parceria prometia levar os músicos a novos níveis de exploração. Depois de uma primeira actuação na Casa da Música, a 25 Novembro, a orquestra repetiu a actuação em Lisboa, na Culturgest, no dia 28.

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Disco: “Close Up” de Sara Serpa

Sara Serpa
“Close Up”
(Clean Feed, 2018)

Sara Serpa, portuguesa a residir em Nova Iorque há mais de uma década, é reconhecidamente uma das grandes vozes do jazz contemporâneo. A cantora estreou a sua discografia com o disco “Praia” (Inner Circle Music, 2008) e conseguiu afirmar-se pela qualidade vocal e pelo jeito muito próprio de cantar sem palavras. Tem estado envolvida em múltiplos projectos, onde se destaca o seu trabalho em dois duos: com o veterano pianista Ran Blake e com o guitarrista André Matos (o mais recente registo foi “All the Dreams”, em 2016). Nos últimos tempos Sara Serpa apresentou ao vivo dois novos projectos: na sequência de um convite de John Zorn, formou o projecto Recognition, com Mark Turner e Zeena Parkins, uma experiência trans-disciplinar que reflecte o colonialismo; e mais recentemente, estreou ao vivo o projecto Intimate Strangers, uma parceria com o escritor nigeriano Emmanuel Iduma. E tem ainda estado envolvida no colectivo We Have Voice, denunciando o assédio e a desigualdade de género no meio artístico. Entre os seus projectos musiciais mais recentes está também o grupo que editou este disco, um trio improvável que desafia convenções: aqui temos apenas voz, saxofone e violoncelo. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3360-close-up/

Disco “Oxy Patina” de Mário Costa

Mário Costa
“Oxy Patina”
(Clean Feed, 2018)

O baterista Mário Costa começou por se afirmar como membro do grupo de Hugo Carvalhais e o seu percurso tem também passado pela colaboração com outros projectos, como o Ensemble Super Moderne e o grupo Metamorphosis do trompetista Gileno Santana. E o baterista integra o excelente Émile Parisien Quintet, que publicou os aplaudidos discos “Sfumato” (2016) e “Sfumato Live in Marciac” (2018), actuando ao lado de músicos lendários como Michel Portal, Wynton Marsalis e Joachim Kühn. Agora, o baterista acaba de se apresentar em nome próprio, com o excelente disco de estreia “Oxy Patina”. Para este álbum o baterista reuniu um trio improvável, juntando dois nomes grandes da cena europeia: o guitarrista Marc Ducret e o pianista Benoît Delbecq. Revelando a sua vontade de afirmação, o jovem baterista acaba por assinar todas as composições do disco, com apenas uma excepção, um tema que resulta de uma improvisação colectiva. (…)

Texto completo no site:
http://bodyspace.net/discos/3359-oxy-patina/

Disco: “A Blink of an Eye to the Nature of Things” de Free Pantone Trio

Free Pantone Trio
“A Blink of an Eye to the Nature of Things”
(FMR Records, 2018)

O Free Pantone Trio é um projecto musical que junta três músicos portugueses: o baixista Rui Sousa, mentor dos Zappanoia (projecto dedicado à música de Frank Zappa) que ultimamente tem explorado a improvisação livre e participa regularmente no festival MIA – Encontro de Música Improvisada de Atouguia da Baleia; o pianista Manuel Guimarães, também guitarrista, ligado aos universos rock e folk, membro do recente grupo The Metaphysical Angels de Vítor Rua e que publicou em 2016 o disco solo “Flow Me” (edição Creative Sources); e João Valinho, percussionista que integra diversas formações ad-hoc, tem colaborado com improvisadores como Ernesto Rodrigues e Miguel Mira e participou na segunda edição do Ciclo Jovens Improvisadores (num quarteto com João Silva, Philippe Trovão e André Hencleeday).

O trio apresenta-se ao mundo com este disco de estreia, “A Blink of an Eye to the Nature of Things”, onde conta com a colaboração, em dois temas, de Noel Taylor, clarinetista inglês que se mudou recentemente para Lisboa e tem tocado com alguns músicos nacionais. O trio auto-define a sua música como uma “experiência musical trans-idiomática”, ou seja, uma proposta sonora que atravessa diversos idiomas musicais, sem se fixar em nenhum. Assumidamente experimental, esta música parte da improvisação pura, para integrar elementos do jazz e da música contemporânea. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3358-a-blink-of-an-eye-to-the-nature-of-things/

ECM Records, 2018: na sombra de gigantes


Andrew Cyrille

A editora ECM Records continua a ocupar uma posição fundamental na definição do jazz contemporâneo. Sem esquecer seu o rico passado (que agora está também disponível no Spotify), a editora continua a ser veículo de edição de grandes álbuns do nosso tempo, entre nomes consagrados e novos talentos. Se 2017 foi o ano de Vijay Iyer (a crítica foi unânime com o disco “Far From Over”), neste ano de 2018 a editora alemã já lançou vários candidatos, entre históricos regressados e gerações mais jovens que querem reclamar o trono.  Continue reading “ECM Records, 2018: na sombra de gigantes”

Disco: “A view of the Moon (from the Sun)” de Mette Rasmussen & Chris Corsano

Mette Rasmussen & Chris Corsano
“A view of the Moon (from the Sun)”
(Clean Feed, 2018)

De um lado está Chris Corsano, baterista americano que, a par de colaborações com nomes como Björk, Six Organs of Admittance ou Espers, vem consolidado um percurso como notável improvisador. Tem tocado com músicos como Paul Flaherty, Nels Cline, Joe McPhee ou Evan Parker e, mais recentemente, integra o “quarteto americano” do saxofonista português Rodrigo Amado, que editou este ano o magnífico álbum “A History of Nothing”.

Do outro lado está Mette Rasmussen, saxofonista dinamarquesa que se tem afirmado como uma das novas vozes da improvisação livre europeia, colaborando com projetos e músicos como Fire! Orchestra, Trio Riot, Alan Silva, Tobias Delius, Rudi Mahall, Wilbert de Joode, Axel Dörner, John Edwards e Craig Taborn. Nos últimos anos a saxofonista tem colaborado com a trompetista portuguesa Susana Santos Silva e juntas integram o quarteto Hearth.

A colaboração entre Corsano e Rasmussen teve o seu primeiro registo com o disco “All The Ghosts At Once” (Relative Pitch, 2015). No ano seguinte editaram “Star-Spangled Voltage” (Hot Cars Warp, 2016), desta vez em trio com Paul Flaherty. Este novo disco, editado com o selo “Ljubljana Jazz Series” da Clean Feed, foi gravado ao vivo no festival de jazz de Ljubljana e documenta essa sua atuação. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3353-a-view-of-the-moon-from-the-sun/

Disco: “Train of Thought” de LiftOff

LiftOff
“Train of Thought”
(Ed. de Autor)

O projeto LiftOff nasce da união de esforços de duas figuras centrais do jazz contemporâneo nacional: o pianista Óscar Marcelino da Graça e o vibrafonista Jeffery Davis. Formado em Aveiro no ano de 2002, o projeto gravou em 2003 o seu primeiro disco, que não chegou a ser publicado. Assim, este disco de estreia chega muitos anos após a génese do projeto. (…)

O disco “Train of Thought” reúne um total de nove temas: oito originais, cinco de Graça, três de Davis; e uma versão de um clássico de John Coltrane, “Giant Steps”, com arranjos de Graça e Davis. Além de Graça (piano e órgão) e Davis (vibrafone), o disco conta com a participação de Nélson Cascais (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria). O grupo assume uma vontade de marcar a diferença: desde logo pela originalidade das composições; e também, naturalmente, pela relação instrumental de piano e vibrafone que, não sendo inédita, é pouco usual. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3352-train-of-thought/