Disco: “Movements In Freedom” de João Lencastre

João Lencastre’s Communion 3
“Movements In Freedom”
(Clean Feed, 2018)

No seu quinto disco como líder, e com aquela que é a terceira encarnação do grupo Communion, o baterista João Lencastre foca-se no formato simples de trio de piano. Se no passado Lencastre se fez acompanhar por músicos como David Binney, Thomas Morgan, Bill Carrothers e Phil Grenadier, desta vez volta a contar com a companhia de músicos de luxo: Jacob Sacks no piano e Eivind Opsvik no contrabaixo.

Quando este novo disco “Movements In Freedom” arranca somos logo invadidos por uma melodia que soa familiar: é a “Street Woman” de Ornette Coleman, numa pianada vertiginosa que dá um safanão. De seguida entra um tema mais lento, espécie de balada que se transforma, a primeira de uma sequência de três composições originais de Lencastre. E depois segue-se um leque improvisações, temas abertos onde os três músicos partem sem rede para entrelaçarem ideias num caminho comum.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3332-movements-in-freedom/

Discos: “Tuning the Invisible” / “Impermanence” / “Fall”

HAN
“Tuning the Invisible”
(Edição de autor, 2018)

Vítor Joaquim
“Impermanence”
(Edição de autor, 2018)

Ernesto Rodrigues / Emídio Buchinho / Ricardo Guerreiro
“Fall”

(Creative Sources, 2017)

Três discos portugueses que abordam a exploração sonora e musical em registos atmosféricos, partindo de instrumentação electro-acústica. HAN é um duo português, constituído por Emídio Buchinho e Vítor Joaquim, que aqui edita o seu disco de estreia (“Tuning the Invisible”). Vítor Joaquim, músico com um longo percurso como explorador musical, edita um novo disco “Impermanence”, a solo. E o trio Ernesto Rodrigues / Emídio Buchinho / Ricardo Guerreiro apresenta o disco “Fall”, uma edição Creative Sources.

No disco “Tuning the Invisible” a base da música parte da guitarra eléctrica de Buchinho) e da vertente electrónica de Joaquim. Vítor Joaquim trabalha o processamento em tempo real e sampling da guitarra, e pontualmente intervém com diversos instrumentos (órgão, trompete, electrónicas e outros objectos). Além de Buchinho e Joaquim, o disco conta com três convidados, três figuras de proa da cena exploratória portuguesa: os improvisadores Carlos Zíngaro (violino) e Ulrich Mitzlaff (violoncelo), que participam em dois temas, e Nuno Canavarro, autor do histórico “Plux Quba”, que participa num tema (piano elétrico e sintetizadores). A toada do disco é ambiental, sempre à volta do centro de gravidade que é a guitarra. Nos temas que contam comparticipação dos convidados destacam-se, naturalmente: as cordas de Zíngaro e Mitzlaff acentuam a melancolia; no tema em que participa, “Lament”, Canavarro acentua a carga dramática. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3328-tuning-the-invisible-impermanence-fall/

Disco: “End to End” de Barre Phillips

Barre Phillips
“End to End”
(ECM, 2018)

Há cinquenta anos o contrabaixista Barre Phillips gravou o disco “Journal Violone”, o primeiro álbum de contrabaixo a solo. Meio século depois, o veterano improvisador americano quer fechar o ciclo e grava na ECM um novo disco a solo, “End to End”. Para Phillips este novo álbum é uma forma de encerrar formalmente um ciclo, regressando a um formato no qual se notabilizou. O contrabaixista, que gravou o histórico “Music From Two Basses” em duo com Dave Holland, tem aqui um documento que é também uma espécie de testamento musical.

Neste solo absoluto Phillips apresenta três peças grandes, cada  uma dividida em várias partes: “Quest”, “Inner Door” e “Outer Window”. O contrabaixista natural de San Francisco, a residir em França desde os anos 70, reuniu para este disco alguns temas, composições que funcionam como base, explorando os vários temas com rescurso à improvisação aberta. O veterano explora o instrumento com toda a experiência, alternando entre o pizzicato e o arco, desenvolvendo uma música que evolui de forma fluida. Assente na improvisação, a música de Phillips mostra-se sempre curiosa e desafiante.

O contrabaixo de Barre atravessa diferentes registos, ora a explorar a pura intensidade rítmica (quarta parte de “Quest”), ora numa toada mais melódica e sentimental com o arco (segunda parte de “Inner Door”), ora alimentando tensão dramática (terceira parte de “Outer Window”). E no tema que fecha o disco ouvimos um pizzicato arrastado, profundo, com cada som trabalhado com pormenor – perfeita despedida. Este disco, mais do que encerrar um ciclo perfeito, volta a lembrar-nos da originalidade de Barre Phillips, improvisador magnífico.

Disco: “Turbamulta” de Turbamulta

Turbamulta
“Turbamulta”
(Clean Feed, 2018)

Primeiro chegou-nos a música a solo de Joana Sá. O primeiro contacto chegou com o “Elogio da Desordem” (2013, Shhpuma), o piano sozinho, original e desafiante. Depois juntou-se Luís José Martins, com a guitarra, e nasceu o duo Almost a Song. Da experiência dos Deolinda, Martins trouxe o dedilhar aportuguesado da guitarra, a vontade de aventurar em caminhos novos, entrelaçando guitarra e piano num improvável e surpreendente diálogo (disco homónimo “Almost a Song”, 2013). Com a harpa de Eduardo Raon o projecto evoluiu para Powertrio, tendo esse encontro ficado registado no disco “Di Lontan”, de 2015 (novamente edição Shhpuma). E agora, com o acrescento de dois novos músicos, Luís André Ferreira (violoncelo) e Nuno Aroso (percussão), evolui-se para quinteto. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
bodyspace.net/discos/3321-turbamulta

Disco: “Canto Primeiro” de Beatriz Nunes

Beatriz Nunes
“Canto Primeiro”
(Sintoma, 2018)

Neste seu disco de estreia, apropriadamente intitulado “Canto Primeiro”, a cantora apresenta uma música de raiz assumidamente portuguesa, assente sobre uma configuração jazz. Assumindo essa veia portuguesa, além de muita música original, há a revisitação de um tema de José Afonso (“Canção da Paciência”) e um arranjo para um tema tradicional alentejano (“Aurora tem um menino”). A voz de Beatriz combina doçura e segurança e, sem espalhafato, desenvolve uma música elegante. Além da qualidade técnica vocal evidente, a também compositora apresenta um conjunto de temas originais muito interessantes, que globalmente partilham uma certa ideia – também harmónica – de portugalidade.

Texto completo no site Bodyspace:
bodyspace.net/discos/3320-canto-primeiro

Disco: “Dream Dream Beam Beam” de Julius Gabriel

Julius Gabriel
“Dream Dream Beam Beam”
(Lovers & Lollypops, 2018)

Saxofonista natural da Alemanha, Julius Gabriel vive e trabalha actualmente na cidade do Porto. Integra projectos internacionais como The Dorf, About Angels and Animals, Blutiger Jupiter e Das Behälter. Começou recentemente a desenvolver trabalho com músicos nacionais, participando no trio Ikizukuri (com Gonçalo Almeida e Gustavo Costa), no duo Paisiel (com o percussionista João Pais Filipe, também com disco acabado de editar) e apresentou ao vivo os Julius Gabriel’s Cosmic Messengers. (…)

O resultado é uma viagem psicadélica, onde se combina o som do sopro, com camadas de electrónica e samples, numa massa sonora espacial. Entre os rugidos do saxofone tenor e o mar de efeitos electrónicos (usando o instrumento como fonte sonora), combinação de fraseados e feedback, nasce uma música originalíssima, desafiante. Nas cascatas de som de Gabriel damos um mergulho no espaço e, sem encontrar um paralelo aproximado, evocamos o jazz cósmico de Sun Ra, que encontra neste jovem alemão-portuense um legítimo herdeiro da sua música extraterreste.

Texto completo no site Bodyspace.

Disco: “Ellipse” de Stefano Travaglini

Stefano Travaglini
“Ellipse”
(Notami Jazz, 2017)

O italiano Stefano Travaglini começou por se afirmar como versátil multi-instrumentista (piano, oboé e baixo). Estreou a sua discografia com o disco “The Hungarian Songbook” em 2013 (reinterpretação de canções folk da Europa de Leste) e actualmente distribui a sua energia pelos projectos Daydream Trio (com Giacomo Dominici e Marco Frattini) e The Journey Duo (com o saxofonista Manuel Trabucco). Agora, aventura-se num arriscado disco de piano solo. Travaglini lança-se numa empreitada musical que atravessa fronteiras estilísticas, percorrendo o jazz, a música clássica e a improvisação. Além das improvisações e das composições originais, o italiano revisita “Monk’s Mood” (Thelonious Monk) e o standard “Softly, as in a morning sunrise” (de Sigmund Romberg e Oscar Hammerstein II). (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3297-ellipse/

Disco: “Moving” de Desidério Lázaro

Desidério Lázaro
“Moving”
(Sintoma, 2018)

O saxofonista Desidério Lázaro começou por se afirmar sobretudo pela sua capacidade técnica, instrumentista de improvisação fogosa, assumidamente coltraneana. Apresentou-se ao mundo com Rotina Impermanente (2010), num trio acompanhado por Mário Franco e Luís Candeias. Seguiu-se Samsara (2012), disco em quinteto com Afonso Pais, João Firmino, Francisco Brito e Joel Silva. Regressou ao trio com Cérebro: Estado Zero (2013). E em 2015 editou Subtractive Colors, com um grupo mais alargado e ambicioso (uma formação flexível que se expandia até septeto).

Neste seu quinto disco, Moving, o saxofonista lidera agora um quarteto com músicos da sua geração, com quem já trabalhou anteriormente: João Firmino na guitarra, Francisco Brito no contrabaixo e Joel Silva na bateria. Lázaro apresenta um conjunto de temas originais, com uma diversidade que reflecte a actual fase criativa. Sem a urgência dos primeiros tempos, a ânsia de exibir a vertigem saxofónica está controlada, a atenção está focada no som colectivo e a música fica a ganhar. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3291-moving/