Disco: “Ellipse” de Stefano Travaglini

Stefano Travaglini
“Ellipse”
(Notami Jazz, 2017)

O italiano Stefano Travaglini começou por se afirmar como versátil multi-instrumentista (piano, oboé e baixo). Estreou a sua discografia com o disco “The Hungarian Songbook” em 2013 (reinterpretação de canções folk da Europa de Leste) e actualmente distribui a sua energia pelos projectos Daydream Trio (com Giacomo Dominici e Marco Frattini) e The Journey Duo (com o saxofonista Manuel Trabucco). Agora, aventura-se num arriscado disco de piano solo. Travaglini lança-se numa empreitada musical que atravessa fronteiras estilísticas, percorrendo o jazz, a música clássica e a improvisação. Além das improvisações e das composições originais, o italiano revisita “Monk’s Mood” (Thelonious Monk) e o standard “Softly, as in a morning sunrise” (de Sigmund Romberg e Oscar Hammerstein II). (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3297-ellipse/

Disco: “Moving” de Desidério Lázaro

Desidério Lázaro
“Moving”
(Sintoma, 2018)

O saxofonista Desidério Lázaro começou por se afirmar sobretudo pela sua capacidade técnica, instrumentista de improvisação fogosa, assumidamente coltraneana. Apresentou-se ao mundo com Rotina Impermanente (2010), num trio acompanhado por Mário Franco e Luís Candeias. Seguiu-se Samsara (2012), disco em quinteto com Afonso Pais, João Firmino, Francisco Brito e Joel Silva. Regressou ao trio com Cérebro: Estado Zero (2013). E em 2015 editou Subtractive Colors, com um grupo mais alargado e ambicioso (uma formação flexível que se expandia até septeto).

Neste seu quinto disco, Moving, o saxofonista lidera agora um quarteto com músicos da sua geração, com quem já trabalhou anteriormente: João Firmino na guitarra, Francisco Brito no contrabaixo e Joel Silva na bateria. Lázaro apresenta um conjunto de temas originais, com uma diversidade que reflecte a actual fase criativa. Sem a urgência dos primeiros tempos, a ânsia de exibir a vertigem saxofónica está controlada, a atenção está focada no som colectivo e a música fica a ganhar. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3291-moving/

Disco: “Stille” de Orquestra del Tiempo Perdido

Orquestra del Tiempo Perdido
“Stille”
(Shhpuma, 2018)

A Orquestra del Tiempo Perdido é um projecto de Jeroen Kimman, compositor e multi-instrumentista holandês. Esta falsa orquestra apresenta o seu disco de estreia numa edição da label Shhpuma, a subsidiária da editora portuguesa Clean Feed para projectos fora da caixa. De facto, ao contrário da maior parte dos outros projectos da editora, que têm algum ponto de proximidade com o jazz e a improvisação, este é um objecto atípico no catálogo, aqui há pouco espaço para improvisar.

O disco arranca com um tema que soa a música infantil, fica a ideia que poderia acompanhar desenhos animados. Após essa surpresa inicial, percebemos esta música vai estar sempre a surpreender. O disco atravessa diversos registos, por vezes poderia tratar-se de pura música popular, outras vezes é quase música de cabaret, poderia ser banda-sonora para um carrossel (ou montanha russa), noutros momentos soa mais experimental e aproxima-se da vanguarda. Sem se fixar num ponto único, desafia o ouvinte, os seus preconceitos e as suas pré-concepções. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3285-stille/

Disco: “Trapézio” de Susana China

Susana China
“Trapézio”
(Edição de autor, 2018)

O panorama jazz nacional está recheado de boas vozes, sobretudo femininas. Agora acaba de surgir mais uma nova cantora que se afirma com um disco de estreia sólido. Susana China apresenta-se com um álbum onde não só afirma a sua qualidade vocal, como é ainda surpreendentemente marcado pela originalidade, onde a maioria dos temas são originais da sua própria autoria. Mais do que simples intérprete, Susana apresenta-se também como compositora. (…)

A voz de Susana China apresenta-se num precioso ponto de equilíbrio, entre a sobriedade, a sensibilidade e a elegância, conduzindo as canções com segurança e sem gota de exibicionismo. Exibe um óptimo nível técnico, quer na forma mais convencional a cantar as palavras (boa afinação e dicção) como também a cantar sem palavras (ouçam-se os temas “Valsa de fim de Agosto” e “Pé no degrau”) – com uma maturidade saraserpiana. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3284-trapezio/

Disco: “An End As a New Beginning” de Home

Home
“An End As a New Beginning”
(Inner Circle / Nischo, 2017)

Com o seu disco de estreia, “Directions” o acordeonista João Barradas confirmou-se, mais do que um extraordinário virtuoso, como compositor sólido e, sobretudo, como músico completo, com impecável bom gosto. Esse álbum, um portentoso monumento de jazz mainstream, bateu com uma força enorme num raro momento para o jazz português. Poucos meses depois dessa notável estreia, Barradas apresentou um projecto alternativo, onde se lança para um jazz contemporâneo mais aberto e eléctrico.

Para este grupo o acordeonista, líder e compositor reuniu um grupo de jovens músicos (todos com idades próximas da sua) que exibem a alta qualidade técnica da mais jovem geração do jazz nacional. Sem olhar a geografias, juntou músicos do norte e do sul, numa espécie de “all-star” júnior: Mané Fernandes (guitarra eléctrica), Gonçalo Neto (guitarra eléctrica), Eduardo Cardinho (vibrafone), Ricardo Marques (baixo eléctrico) e Guilherme Melo (bateria).

Instrumentalmente, neste projecto Barradas livra-se do tradicional acordeão clássico, servindo-se exclusivamente do acordeão Midi, instrumento que já havia usado pontualmente no disco anterior. Trabalhando sons aproximados a teclados eléctricos, por vezes soa a um piano eléctrico, outras vezes está mais próximo de um sintetizador. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3269-an-end-as-a-new-beginning/

Disco: “In Search of the Emerging Species” de Big Bold Back Bone

Big Bold Back Bone 
“In Search of the Emerging Species”
(Shhpuma, 2017)

O quarteto Big Bold Back Bone resulta de uma parceria luso-suíça, juntando dois músicos suíços e dois portugueses (Luís Lopes e Travassos). Os suíços Marco Von Orelli (trompete) e Sheldon Suter (bateria) consistem no duo Lost Socks, grupo que trabalha a improvisação a partir de uma matriz de origem jazzística. Do lado português, o versátil guitarrista Luís Lopes vem alimentando um percurso cada vez mais rico e, entre outros, lidera os grupos Humanization Quartet (com Rodrigo Amado), Lisboa-Berlin Trio, Afterfall, trio com Adam Lane e Igal Foni, duo com Fred Lonberg-Holm, além de um registos a solo (“Noise Solo at ZDB” e “Love Song”). E Travassos é, além de reconhecido designer (atenção ao livro “Life is a simple mess”), um criativo manipulador de electrónica analógica, num percurso musical que tem atravessado múltiplos projectos: FLU, Pinkdraft, Les Voisins, One Eye Project e Pão – com Tiago Sousa e Pedro Sousa, que terá sido um dos mais originais projectos nacionais dos últimos anos. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3262-in-search-of-the-emerging-species/

Disco: “Moonwatchers” de Slow Is Possible

Slow Is Possible
“Moonwatchers”
(Clean Feed, 2017)

Por esta altura os Slow Is Possible (SIP) já não serão uma completa surpresa, como aconteceu quando apresentaram o seu primeiro disco, editado pela coimbrã JACC Records. Contudo, não deixa de ser surpreendente esta original mescla de referências musicais, que entrecruza elementos de jazz, pós-rock e música de câmara, numa música que acaba por soar cinematográfica.

Os SIP são uma formação original que junta seis excelentes instrumentistas nacionais: Bruno Figueira (saxofone alto), João Clemente (guitarra elétrica e eletrónica), Nuno Santos Dias (piano), André Pontífice (violoncelo), Ricardo Sousa (contrabaixo) e Duarte Fonseca (bateria). Com uma configuração instrumental pouco habitual, o sexteto trabalha composições bem estruturadas, que convocam toda a panóplia instrumental, num inteligente trabalho de orquestração. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3258-moonwatchers/

Disco: “Basement Sessions Vol. 4” de Aalberg / Kullhammar / Zetterberg / Santos Silva

Aalberg / Kullhammar / Zetterberg / Santos Silva
“Basement Sessions Vol. 4 (The Bali Tapes)”
(Clean Feed, 2017)

As “Basement Sessions” são uma série de gravações de um grupo base constituído por três nomes fortes da cena jazz nórdica: o saxofonista Jonas Kullhammar, o contrabaixista Torbjörn Zetterberg e o baterista/percussionista Espen Aalberg . Os dois primeiros volumes, editados em 2012 e 2014, apresentavam música exclusiva do trio. Já no “Vol. 3 (The Ljubljana Tapes)”, gravado no festival de jazz de Ljubljana, a formação base contou com o acrescento do saxofonista norueguês Jørgen Mathisen.

Chegados ao quarto volume, o grupo mantém o formato quarteto, agora com o acrescento da trompetista portuguesa Susana Santos Silva. Muito ligada à cena nórdica, com parcerias com o contrabaixista Zetterberg (atenção aos discos “Almost Tomorrow” e “If Nothing Else”!), Santos Silva sente-se em casa acompanhada por um grupo de músicos que trabalham a improvisação estruturada em composições.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3255-basement-sessions-vol-4-the-bali-tapes/

Disco: “Autres Paysages” de Camões / Cappozzo / Foussat

João Camões / Jean-Luc Cappozzo / Jean-Marc Foussat
“Autres Paysages”

(Clean Feed, 2017)

Nascido em Coimbra em 1983, João Camões estudou viola no Conservatório de Música de Coimbra e, já em Lisboa, descobriu a cena improvisada e experimental. Herdeiro musical de Carlos Zíngaro (pioneiro da improvisação em Portugal, com quem tem trabalhado), Camões explora na viola d’arco uma combinação de abordagens criativas com técnicas clássicas, sempre com fluência improvisacional. Actualmente integra os grupos Open Field, Earnear e Nuova Camerata – quinteto “all-star” com Zíngaro, Ulrich Mitzlaff, Miguel Leiria Pereira e Pedro Carneiro.

Camões teve uma recente estadia em Paris onde desenvolveu contactos com a cena improvisada local e este disco é o resultado desse trabalho. Neste novo disco a viola d’arco de João Camões tem a companhia do trompete de Jean-Luc Cappozzo e da electrónica de Jean-Marc Foussat. Se, pela própria natureza instrumental, o trio por vezes se aproxima de uma vertente camarística (característica que se assume de forma mais clara sobretudo num seu outro projecto, a Nuova Camerata), a integração da electrónica vem adicionar um carácter de originalidade e diferença. (…)

Texto completo no site:
http://bodyspace.net/discos/3253-autres-paysages/

Disco: “Rush” de Mário Franco

Mário Franco
“Rush”
(Nischo, 2017)

Mário Franco é um experiente contrabaixista que, já com uma longa carreira, chega aqui ao seu terceiro disco na condição de líder. No ano de 2006 editou “This Life” (TOAP), disco gravado em quinteto que contou com o convidado especialíssimo David Binney. Em 2014 editou “Our Door” (TOAP / OJM), gravado em trio com Sérgio Pelágio (guitarras) e André Sousa Machado (bateria), uma abordagem mais despida e directa. É ainda um dos vértices do quarteto Cine Qua Non (com Paula Sousa, João Paulo Esteves da Silva e Afonso Pais).

Franco integra também o trio de Esteves da Silva, que gravou o excelente “Brightbird” (um dos grandes discos nacionais do ano, que tem merecido também justificada atenção internacional). Este seu novo disco é o oposto completo: em vez da suavidade acústica e poética do JPES Trio, temos aqui uma música eletrificada; em vez da improvisação aberta, temos aqui composições bem definidas e estruturadas.

O contrabaixista lidera um grupo focado na electricidade, próximo do rock: há uma guitarra elétrica (Sérgio Pelágio); piano Fender Rhodes, orgão Hammond e outros teclados (Luís Figueiredo); piano e electrónicas (Oscar Graça); e bateria e percussão (Alexandre Frazão). O próprio Franco, além do contrabaixo, também se aplica no baixo eléctrico e samples. Todas as composições são originais, a maioria escrita exclusivamente por Franco, algumas de composição partilhada com Pelágio (três temas) e ainda um outro escrito em parceria com Pelágio e Frazão. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3251-rush/