Disco: “After Silence, Vol. 1” de José Dias

José Dias
“After Silence, Vol. 1”
(Clean Feed, 2019)

Para este álbum José Dias deixa de lado a natureza jazzística que caracteriza a obra anterior e entra numa pura exploração a solo da guitarra elétrica. Dias serve-se apenas da guitarra eléctrica e de pedais de efeitos, não se serve de composição convencional, trabalha a exploração do som, uma viagem solitária de pesquisa e descoberta. O resultado é uma música ambiental, paisagística, tranquila. Os universos sonoros contam histórias, cada música evolui tranquilamente, com suaves mudanças de direção. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3385-after-silence-vol-1/

Disco: “BRUMA Project”

BRUMA Project
“BRUMA Project”
(Edição de autor, 2018)

Nascida no Porto, a cantora Sara Miguel mudou-se em 2014 para os Açores (Ilha Terceira). Licenciada em Canto Jazz na ESMAE, lançou em 2012 o seu disco de estreia, “Monção”. Lidera o seu quarteto e integra a banda Peanut Butter Jelly. Nos últimos anos tem colaborado com a Orquestra Angrajazz, que se apresenta regularmente no festival de jazz de Angra do Heroísmo. Neste projecto BRUMA a cantora propõe uma revisitação jazzística de temas açorianos – um pouco à semelhança do que acontece no projecto do guitarrista André Santos, que por sua vez propõe a revisitação contemporânea do património música tradicional de outro arquipélago português do Atlântico: MUTRAMA – Música Tradicional Madeirense Revisitada. Além de temas tradicionais, encontramos aqui reinterpretações de temas de Zeca Medeiros, Luís Alberto Bettencourt, Bruno Walter Ferreira e Aníbal Raposo. O eixo central deste disco acaba por ser a música de Zeca Medeiros, que aqui vê quatro temas seus transformados. O autor da obra-prima “Cinefilias e Outras Incertezas” (1999) vê aqui homenageado o seu trabalho, que já faz parte do imaginário e da cultura açoriana contemporânea. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3375-bruma-project/

Disco: “Ricardo Toscano Quartet” de Ricardo Toscano

Ricardo Toscano
“Ricardo Toscano Quartet”
(Clean Feed, 2018)

A espera foi longa. O saxofonista Ricardo Toscano surgiu muito jovem, começou por se fazer notar na Festa do Jazz, ainda adolescente, e rapidamente passou a ser convidado para tocar com muitos músicos portugueses. Desde então alimentou um enorme currículo de colaborações e continuou a estudar. Afirmou-se como saxofonista e notável improvisador, com solos enérgicos e memoráveis. Não teve pressa em editar o seu disco de estreia. Muitos discos são editados quando os músicos estão ainda numa fase prematura, por vezes estão ainda numa fase de evolução técnica, muitas vezes ainda não têm ideias bem definidas. Os discos aparecem pela necessidade de mostrar algo. Toscano não teve pressa, trabalhou com calma. E ainda bem que o fez. (…)

Ricardo Toscano já era um fenómeno de popularidade no actual panorama do jazz português do século XXI. Já era reconhecido, entre pares e junto do público, como instrumentista notável, os seus concertos estavam cheios, esgotavam, os seus solos eram aplaudidos de pé. Agora, com a edição deste disco, Toscano confirma-se como músico completo, compositor e líder de um quarteto superlativo. Este disco, belíssimo, fica para a história do jazz português. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3374-ricardo-toscano-quartet/

Disco: “Urban Season” de Timespine

Timespine
“Urban Season”
(Shhpuma, 2018)

Surgiram em 2013, com um disco de estreia homónimo, editado na Shhpuma. O trio Timespine reunia três músicos oriundos de universos diversos: Adriana Sá (zither e electrónica), John Klima (baixo eléctrico) e Tó Trips (dobro e percussão). Este novo “Urban Season” é o segundo volume de uma discografia de um grupo que já encontrou o seu universo sonoro próprio. Este é um mundo muito particular: a matriz sonora instrumental é folk, mas o trio não se serve de composições convencionais para mergulhar na tradição da América profunda; ao contrário do que acontece noutras edições da Shhpuma, o trio também não explora a improvisação pura. Neste projecto atípico, o grupo trabalha a partir de partituras gráficas (da autoria de Adriana Sá) e as intervenções de cada um dos instrumentos vão respeitando as indicações visuais. Embora exista esse respeito à composição gráfica, neste processo há uma grande amplitude para a interpretação de cada sinal, cada músico pode transformar em música a sua interpretação pessoal, que poderá diferir da interpretação dos outros músicos. Ou seja, trata-se de uma música semi-aberta, onde há uma margem alargada para a criatividade de cada contribuição individual. O resultado que encontramos neste neste “Urban Season” é uma folk planante, música exploratória que vai incorporando referências diversas, mas acaba por soar como massa una, coerente. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3372-urban-season/

Disco: “Close Up” de Sara Serpa

Sara Serpa
“Close Up”
(Clean Feed, 2018)

Sara Serpa, portuguesa a residir em Nova Iorque há mais de uma década, é reconhecidamente uma das grandes vozes do jazz contemporâneo. A cantora estreou a sua discografia com o disco “Praia” (Inner Circle Music, 2008) e conseguiu afirmar-se pela qualidade vocal e pelo jeito muito próprio de cantar sem palavras. Tem estado envolvida em múltiplos projectos, onde se destaca o seu trabalho em dois duos: com o veterano pianista Ran Blake e com o guitarrista André Matos (o mais recente registo foi “All the Dreams”, em 2016). Nos últimos tempos Sara Serpa apresentou ao vivo dois novos projectos: na sequência de um convite de John Zorn, formou o projecto Recognition, com Mark Turner e Zeena Parkins, uma experiência trans-disciplinar que reflecte o colonialismo; e mais recentemente, estreou ao vivo o projecto Intimate Strangers, uma parceria com o escritor nigeriano Emmanuel Iduma. E tem ainda estado envolvida no colectivo We Have Voice, denunciando o assédio e a desigualdade de género no meio artístico. Entre os seus projectos musiciais mais recentes está também o grupo que editou este disco, um trio improvável que desafia convenções: aqui temos apenas voz, saxofone e violoncelo. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3360-close-up/

Disco “Oxy Patina” de Mário Costa

Mário Costa
“Oxy Patina”
(Clean Feed, 2018)

O baterista Mário Costa começou por se afirmar como membro do grupo de Hugo Carvalhais e o seu percurso tem também passado pela colaboração com outros projectos, como o Ensemble Super Moderne e o grupo Metamorphosis do trompetista Gileno Santana. E o baterista integra o excelente Émile Parisien Quintet, que publicou os aplaudidos discos “Sfumato” (2016) e “Sfumato Live in Marciac” (2018), actuando ao lado de músicos lendários como Michel Portal, Wynton Marsalis e Joachim Kühn. Agora, o baterista acaba de se apresentar em nome próprio, com o excelente disco de estreia “Oxy Patina”. Para este álbum o baterista reuniu um trio improvável, juntando dois nomes grandes da cena europeia: o guitarrista Marc Ducret e o pianista Benoît Delbecq. Revelando a sua vontade de afirmação, o jovem baterista acaba por assinar todas as composições do disco, com apenas uma excepção, um tema que resulta de uma improvisação colectiva. (…)

Texto completo no site:
http://bodyspace.net/discos/3359-oxy-patina/

Disco: “A Blink of an Eye to the Nature of Things” de Free Pantone Trio

Free Pantone Trio
“A Blink of an Eye to the Nature of Things”
(FMR Records, 2018)

O Free Pantone Trio é um projecto musical que junta três músicos portugueses: o baixista Rui Sousa, mentor dos Zappanoia (projecto dedicado à música de Frank Zappa) que ultimamente tem explorado a improvisação livre e participa regularmente no festival MIA – Encontro de Música Improvisada de Atouguia da Baleia; o pianista Manuel Guimarães, também guitarrista, ligado aos universos rock e folk, membro do recente grupo The Metaphysical Angels de Vítor Rua e que publicou em 2016 o disco solo “Flow Me” (edição Creative Sources); e João Valinho, percussionista que integra diversas formações ad-hoc, tem colaborado com improvisadores como Ernesto Rodrigues e Miguel Mira e participou na segunda edição do Ciclo Jovens Improvisadores (num quarteto com João Silva, Philippe Trovão e André Hencleeday).

O trio apresenta-se ao mundo com este disco de estreia, “A Blink of an Eye to the Nature of Things”, onde conta com a colaboração, em dois temas, de Noel Taylor, clarinetista inglês que se mudou recentemente para Lisboa e tem tocado com alguns músicos nacionais. O trio auto-define a sua música como uma “experiência musical trans-idiomática”, ou seja, uma proposta sonora que atravessa diversos idiomas musicais, sem se fixar em nenhum. Assumidamente experimental, esta música parte da improvisação pura, para integrar elementos do jazz e da música contemporânea. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3358-a-blink-of-an-eye-to-the-nature-of-things/

Disco: “A view of the Moon (from the Sun)” de Mette Rasmussen & Chris Corsano

Mette Rasmussen & Chris Corsano
“A view of the Moon (from the Sun)”
(Clean Feed, 2018)

De um lado está Chris Corsano, baterista americano que, a par de colaborações com nomes como Björk, Six Organs of Admittance ou Espers, vem consolidado um percurso como notável improvisador. Tem tocado com músicos como Paul Flaherty, Nels Cline, Joe McPhee ou Evan Parker e, mais recentemente, integra o “quarteto americano” do saxofonista português Rodrigo Amado, que editou este ano o magnífico álbum “A History of Nothing”.

Do outro lado está Mette Rasmussen, saxofonista dinamarquesa que se tem afirmado como uma das novas vozes da improvisação livre europeia, colaborando com projetos e músicos como Fire! Orchestra, Trio Riot, Alan Silva, Tobias Delius, Rudi Mahall, Wilbert de Joode, Axel Dörner, John Edwards e Craig Taborn. Nos últimos anos a saxofonista tem colaborado com a trompetista portuguesa Susana Santos Silva e juntas integram o quarteto Hearth.

A colaboração entre Corsano e Rasmussen teve o seu primeiro registo com o disco “All The Ghosts At Once” (Relative Pitch, 2015). No ano seguinte editaram “Star-Spangled Voltage” (Hot Cars Warp, 2016), desta vez em trio com Paul Flaherty. Este novo disco, editado com o selo “Ljubljana Jazz Series” da Clean Feed, foi gravado ao vivo no festival de jazz de Ljubljana e documenta essa sua atuação. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3353-a-view-of-the-moon-from-the-sun/

Disco: “Train of Thought” de LiftOff

LiftOff
“Train of Thought”
(Ed. de Autor)

O projeto LiftOff nasce da união de esforços de duas figuras centrais do jazz contemporâneo nacional: o pianista Óscar Marcelino da Graça e o vibrafonista Jeffery Davis. Formado em Aveiro no ano de 2002, o projeto gravou em 2003 o seu primeiro disco, que não chegou a ser publicado. Assim, este disco de estreia chega muitos anos após a génese do projeto. (…)

O disco “Train of Thought” reúne um total de nove temas: oito originais, cinco de Graça, três de Davis; e uma versão de um clássico de John Coltrane, “Giant Steps”, com arranjos de Graça e Davis. Além de Graça (piano e órgão) e Davis (vibrafone), o disco conta com a participação de Nélson Cascais (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria). O grupo assume uma vontade de marcar a diferença: desde logo pela originalidade das composições; e também, naturalmente, pela relação instrumental de piano e vibrafone que, não sendo inédita, é pouco usual. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3352-train-of-thought/

Disco: “Valsa Torta” de Orquestra Fina

Orquestra Fina
“Valsa Torta”
(Edição de Autor, 2017)

Rui Teixeira é um notável palhetista portuense, destacando-se sobretudo no saxofone barítono, no clarinete e no clarinete baixo. Membro da excelente Orquestra Jazz de Matosinhos, Teixeira integra alguns dos projetos mais criativos do jazz nortenho, como o ensemble Coreto Porta-Jazz, o quinteto Baba Mongol e o octeto Ensemble Super Moderne. Em nome próprio lançou o disco “Tu Não Danças”, editado no ano de 2013 (Carimbo Porta-Jazz), álbum que revelou um jazz original à volta das composições de Rui Teixeira.

Se nos projetos anteriores Rui Teixeira já assumia fascínio pelo formato canção, agora resolveu criar um projeto especificamente dedicado a explorar esse formato. A Orquestra Fina surge assim da iniciativa de Teixeira e põe um grupo de gente do jazz (sobretudo músicos ligados à cena Porta-Jazz) a trabalhar composições originais em ambientes sonoros pop-rock. Ao lado de Rui Teixeira (guitarra, saxofone e voz) estão Catarina Valadas (voz e flauta), Luís Ribeiro (guitarras), Hugo Raro (teclados), José Carlos Barbosa (baixo e voz) e Marcos Cavaleiro (bateria); e, num único tema, entra ainda Nuno Mendes (guitarra e programações). (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3351-valsa-torta/