Disco: “E Depois…” de Pedro Nobre

Pedro Nobre
“E Depois…”
(Ed. autor, 2017)

Oriundo da Marinha Grande, o pianista Pedro Nobre apresenta-se ao mundo com o seu disco de estreia “E Depois…”. Com formação que passou pela Escola de Jazz Luiz Villas Boas (do Hot Clube de Portugal) e pela Escola Superior de Música de Lisboa, o jovem pianista integra a Orquestra Jazz de Leiria. Chegada a hora de se mostrar na condição de líder, numa edição de autor o músico apresenta um conjunto de sete temas originais e ao seu lado está um grupo que exibe segurança, reunindo nomes fortes da cena jazz portuguesa: o saxofonista Pedro Moreira, o guitarrista Nuno Costa, o contrabaixista António Quintino e o baterista Pedro Felgar. Desde logo, o pianista mostra que não quer colocar apenas o foco sobre si próprio, que o seu objectivo não é exibir a técnica instrumental, aliás, tem o gesto generoso de convidar dois outros solistas – Moreira e Costa. Nobre investe num grupo sólido que trabalha uníssonos impecáveis no desenho das melodias. Saxofone, guitarra e piano sabem articular-se entre si para evitar atropelos, num trabalho harmónico competente. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3234-e-depois%E2%80%A6/

Ao Vivo: Silva canta Marisa


[Fotografia: Luís Felipe Moura]

Com o disco ainda fresco, editado no final do ano passado, o cantor brasileiro Silva apresentou no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro, as canções ao vivo. Nesse disco o cantor reinterpreta canções de Marisa Monte, temas originais e músicas alheias gravadas e popularizadas pela cantora. A banda subiu ao palco e Silva, além da voz, era também responsável pelos teclados (piano eléctrico e sintetizador). Ao seu lado estava um sólido trio instrumental: Rodolfo Simor (guitarra eléctrica), Jackson Pinheiro (baixo eléctrico) e Hugo Coutinho (bateria). O concerto abriu com “Chuva no Brejo”, tema de Moraes Moreira gravado em 1975, a música que popularizou a expressão “Barulhinho Bom” (também título de um dos seus discos mais memoráveis). Seguem-se vários temas de Marisa: “Ainda Lembro”, “Na Estrada”, “O Bonde do Dom”. A interpretação de Silva é irrepreensível, a voz sempre no ponto, nunca falha, não arrisca uma nota ao lado, exibe profissionalismo. O entusiasmo do público é crescente. Após este bom arranque entrou um bloco de temas alheios, com a interpretação de três temas lendários dos anos ’70 e ’80: “De Noite na Cama”, tema de Caetano Veloso (neste momento percebemos que a voz de Silva de aproxima muito do registo de Caetano); “O Que Me Importa” de Tim Maia (belíssima); “Acontecimento” de Hyldon (herói menos conhecido, é urgente dar atenção ao álbum “Na Rua, Na Chuva Na Fazenda”). (…)

Reportagem completa no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/ao-vivo/1780-silva/

Livro: “Convergences, Divergences and Affinities”

“Convergences, Divergences and Affinities:
The Second Wave of Free Improvisation in England 1973–1979”

Trevor Barre
(Compass Publishing, 2017)

Com o livro Beyond Jazz – Plink, Plonk & Scratch o inglês Trevor Barre fez a cartografia da génese da improvisação livre em Inglaterra, focando-se num período temporal entre os anos de 1966 e 1972. Neste novo livro Convergences, Divergences and Affinities o autor continua o trabalho e analisa a chamada “segunda vaga” da improvisação entre 1973 e 1979 (novamente um período de sete anos). Se no primeiro volume era analisado o nascimento da música livre (identificando os primeiros momentos, os primeiros concertos, as primeiras salas) até ao processo de afirmação de nomes que ficaram para a história – como Evan Parker e Derek Bailey -, neste seu segundo livro Barre faz a continuação da história, focado na evolução da música durante a década de 1970.  Continue reading “Livro: “Convergences, Divergences and Affinities””

Manuel Mota lança disco duplo


[Fotografia: Vera Marmelo]

O guitarrista Manuel Mota acaba de anunciar o lançamento de um novo álbum. Editado com o selo Headlights, o disco tem formato duplo e tem como título “I II”. Este novo álbum reúne um conjunto peças de guitarra solo que Mota gravou no início deste ano de 2017 e a edição está limitada a 200 cópias. O disco novo – e outro material antigo, como o excelente “Sings” – pode ser escutado no Bandcamp de Manuel Mota, recentemente criado: manuelmota.bandcamp.com.

Jazz de volta a Estarreja

João Mortágua [Fotografia: Mário Ferreira]

A edição 2017 do festival Estarrejazz realiza-se entre os dias 4 e 14 de Outubro e vai apresentar um total de oito concertos: seis concertos no auditório e dois concertos nas “after-hours”. Do programa destacam-se a cantora sueca Lina Nyberg e várias propostas nacionais: o trio Paulo Bandeira com a cantora Cristina Branco como convidada, o músico estarrejense João Mortágua, que vai apresentar o disco “Mirrrors”, e ainda o trio NOA, grupo de Nuno Costa, Óscar Graça e André Sousa Machado com a cantora convidada Rita Maria. Os concertos no auditório começam sempre às 21h30, as “after-hours” realizam-se aos sábados a partir das 23h00. A entrada nos concertos vale 6€ ou 4€ (Cartão Amigo, Cartão Sénior e Jovem Municipal) e o passe geral fica por 22,5€ (acesso a todos os concertos no auditório e “after-hours”). Aqui fica o programa completo do festival.

5 Out.: Alma Nuestra
6 Out.: João Mortágua
7 Out.: NOA c/ Rita Maria
7 Out.: Tomás Marques Quartet (After-hours)
12 Out.: Trio Paulo Bandeira c/ Cristina Branco
13 Out.: Lina Nyberg Band
14 Out.: Big Band Estarrejazz c/ Paula Morelenbaum e Ralf Schmid
14 Out.: Domingos Henriquez (After-hours)

Notícia publicada no site Bodyspace.
http://bodyspace.net/ultimas/81240-jazz-de-volta-a-estarreja/

Disco: “A Square Meal” de Leblanc / Vicente / Antunes / Ferreira Lopes

Leblanc / Vicente / Antunes / Ferreira Lopes
“A Square Meal”
(Atrito-Afeito, 2017)

Karoline Leblanc é uma pianista canadiana (n. 1975) que começou a sua ligação à música através da música clássica mas nos últimos anos tem desenvolvido o seu percurso nos terrenos da improvisação livre. Em 2016 editou o disco a solo “Velvet Oddities” e tem trabalhado em parceria com Paulo J. Ferreira Lopes (n. 1962), baterista português radicado no Quebec, que foi membro dos Ocaso Épico. A dupla é responsável pela editora Atrito-Afeito, que vem editando material – sobretudo CD-Rs em edições limitadas – desde o ano de 2013. Recentemente, Leblanc vem alimentando uma especial ligação à cena improvisada portuguesa: participou no festival MIA (Atouguia da Baleia) e editou na Creative Sources um disco em parceria com o Lisbon String Trio (Ernesto Rodrigues, Miguel Mira e Alvaro Rosso). Esta ligação foi reforçada com a edição deste novo disco “A Square Meal”, com a dupla luso-canadiana a juntar-se a dois músicos portugueses de créditos firmados: o contrabaixista Hugo Antunes e o trompetista Luís Vicente. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3189-a-square-meal/

Disco: “Mu’u” de Todd Neufeld

Todd Neufeld
“Mu’u”
(Ruweh, 2017)

O guitarrista e improvisador Todd Neufeld, oriundo de Nova Iorque, vem desenvolvendo parcerias com figuras de topo da cena jazz contemporânea e no seu CV incluem-se colaborações com gente como Lee Konitz, Masabumi Kikuchi, Gerald Cleaver, Alexandra Grimal, Dan Weiss ou Samuel Blaser, entre outros. Para este seu disco “Mu’u”, a sua estreia na condição de líder, Todd Neufeld (guitarra elétrica) conta com a companhia de Rema Hasumi na voz, Thomas Morgan no contrabaixo, Tyshawn Sorey na bateria e trombone e Billy Mintz na bateria. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3187-muu/

Disco: “Chants and Corners” de Rob Mazurek

Rob Mazurek 
“Chants and Corners”
(Clean Feed, 2017)

O trompetista, compositor, improvisador e explorador Rob Mazurek não pára. E não é fácil seguir toda a sua actividade discográfica. Após a edição de dois discos de Pharoah & The Underground, parceria entre o seu Chicago + São Paulo Underground com o lendário saxofonista Pharoah Sanders, gravados ao vivo no Jazz em Agosto, Mazurek regressa à Clean Feed com dois discos: “Chants and Corners” (gravado ao leme de um quinteto) e “Rome” (solo gravado na cidade de Roma).

Apesar de “Chants and Corners” estar assinado apenas pelo seu nome de baptismo, o grupo é uma espécie de São Paulo Underground versão XL. Além dos habituais comparsas Maurício Takara (percussão) e Guilherme Granado (teclados, sintetizadores, electrónica), Mazurek conta aqui com a colaboração de Thomas Rohrer (saxofone soprano, flautas, outros sopros) e Philip Somervell (piano, piano preparado). (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3186-chants-and-corners/

Disco: “Demons 1” de Alförjs

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Alförjs
“Demons 1”
(Clean Feed, 2017)

Começaram a dar que falar e rapidamente se transformaram num pequeno fenómeno de culto, sobretudo pela intensidade das suas actuações ao vivo. Os Alförjs reúnem três músicos ligados à improvisação livre e ao rock marginal e trabalham uma música que desafia rótulos, não encontra paralelo por estas bandas. Os Alförjs são o resultado do encontro de Mestre André (saxofone tenor, electrónica, percussão e voz), Bernardo Álvares (contrabaixo e voz) e Raphael Soares (bateria e percussão).

Álvares é um músico versátil que, com o seu contrabaixo ou baixo eléctrico, tem colaborado em projectos tão diversos como Zarabatana (trio com Yaw Tembe e Carlos Godinho) ou na banda de Luís Severo, também se apresentando a solo (na primeira parte de Bing & Ruth na ZDB). Mestre André, figura presente na cena improvisada lisboeta, colabora com os Jibóia e integra os Baphomet (lançaram há pouco o disco de estreia “Da rosa nada digamos por agora….”); na bateria e percussão está Raphael Soares, dos explosivos Sunflare (concertos memoráveis), que também já tocou com gente como David Maranha ou Carla Bozulich. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3184-demons-1/

Discos de Verão: The Nada

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The Nada
“The Nada”
(Carimbo Porta-Jazz, 2017)

Os The Nada são quatro e vêm do sempre profícuo Carimbo Porta-Jazz. No saxofone está João Guimarães, músico virtuoso e versátil, líder do octeto que editou o excelente disco “Zero”, integrou os Fail Better! (no óptimo disco de estreia) e faz parte, entre outros, da Orquestra Jazz de Matosinhos, do quarteto de Miguel Ângelo e dos Hitchpop (concerto memorável no Milhões de Festa 2015). No baixo está Simon Jermyn, irlandês residente em Nova Iorque, elemento decisivo – foi aquando da sua visita a Portugal que o grupo se juntou. O grupo completa-se com a guitarra elétrica de Eurico Costa e a bateria José Marrucho – ambos com currículo vasto no catálogo Porta-Jazz. O quarteto pratica uma música aberta, um jazz eléctrico moderno com espaço amplo para a improvisação. Daí nasce uma música fresca, que combina toadas atmosféricas com fraseados claros, sempre com a eletricidade ligada. Há um desfile de ideias, energia e tensão, sem descarrilar, em equilíbrio. Da Porta-Jazz tem chegado uma torrente de música original, redefinindo e alargando o conceito do jazz contemporâneo Made In Portugal. O jazz original dos The Nada não funciona só como música para o verão, como, num mundo ideal – sem festas “sunset” nem “chillout” – seria o acompanhamento perfeito para aquele mojito na borda da piscina com o insuflável flamingo rosa em fundo.

Artigo completo no site Bodyspace.net:
http://bodyspace.net/artigos/300-discos-de-verao-2017/