Disco: “Volúpias” de Gabriel Ferrandini


Gabriel Ferrandini
“Volúpias”
(Clean Feed, 2019)

É uma das grandes figuras nacionais da música improvisada do século XXI. O baterista Gabriel Ferrandini afirmou-se como músico notável ao longo da última década, membro fulcral de dois grupos de improvisação livre que têm atravessado fronteiras: RED Trio e Rodrigo Amado Motion Trio. Em paralelo tem desenvolvido trabalho a solo (apresentou no Maria Matos o espectáculo “Tudo Bumbo”), mantém um duo estável com o saxofonista Pedro Sousa (PeterGabriel) e participa em diversas formações, nacionais e internacionais.

Ferrandini tem colaborado com músicos como Evan Parker, Peter Evans, Alexander Von Schlippenbach, Axel Dörner, John Butcher ou Nate Wooley (versão resumida do CV). E acaba agora de editar o excelente disco “Disquiet”, em duo com o saxofonista russo Ilia Belorukov (edição Clean Feed). Além da improvisação, Ferrandini explora ainda projetos de rock mais livre, tocou e gravou com Thurston Moore (Sonic Youth) e Alex Zhang Hungtai (Dirty Beaches) e a formação mais recente de CAVEIRA. Continue reading “Disco: “Volúpias” de Gabriel Ferrandini”

Disco: “The Clifton Bridge Landscapes” de Krake

Krake
“The Clifton Bridge Landscapes”

(Edição de autor, 2019)

Pedro Oliveira, baterista e percussionista, é um músico de interesses diversos e horizontes vastos. É membro das bandas Dear Telephone (indie/pop alternativa sofisticada), peixe:avião (rock alternativo), Green Machine (garage rock) e OZO (experimental, ouça-se o disco A Kind of Zo), além de colaborações com o grupo de percussão Drumming, Old Jerusalem e Sensible Soccers, entre outras parcerias. Tem ainda estado ligado ao universo do jazz e é director artístico do Jazz ao Largo, ciclo que se tem realizado desde 2016 na cidade de Barcelos.  Continue reading “Disco: “The Clifton Bridge Landscapes” de Krake”

Disco: “Selon le vent” de Pareidolia

Pareidolia
“Selon le vent”
(JACC, 2018)

“A pareidolia é um fenómeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma. Pareidolia é um tipo de apofenia.”

É esta a primeira explicação que surge na internet e é esse o nome do novo grupo que trabalha a improvisação livre. Este trio é formado pelo português João Camões (viola) e os franceses Gabriel Lemaire (saxofones alto e barítono e clarinete alto) e Yves Arques (piano). Camões é um jovem músico português que utiliza a viola d’arco e tem trabalhado no campo da improvisação livre, onde se destaca a sua participação nos grupos Open Field String Trio (Marcelo dos Reis e José Miguel Pereira), Earnear (com Rodrigo Pinheiro e Miguel Mira) e Nuova Camerata (com Carlos Zíngaro, Ulrich Mitzlaff, Miguel Leiria Pereira e Pedro Carneiro).  Continue reading “Disco: “Selon le vent” de Pareidolia”

Disco: “After Silence, Vol. 1” de José Dias

José Dias
“After Silence, Vol. 1”
(Clean Feed, 2019)

Para este álbum José Dias deixa de lado a natureza jazzística que caracteriza a obra anterior e entra numa pura exploração a solo da guitarra elétrica. Dias serve-se apenas da guitarra eléctrica e de pedais de efeitos, não se serve de composição convencional, trabalha a exploração do som, uma viagem solitária de pesquisa e descoberta. O resultado é uma música ambiental, paisagística, tranquila. Os universos sonoros contam histórias, cada música evolui tranquilamente, com suaves mudanças de direção. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3385-after-silence-vol-1/

Disco: “BRUMA Project”

BRUMA Project
“BRUMA Project”
(Edição de autor, 2018)

Nascida no Porto, a cantora Sara Miguel mudou-se em 2014 para os Açores (Ilha Terceira). Licenciada em Canto Jazz na ESMAE, lançou em 2012 o seu disco de estreia, “Monção”. Lidera o seu quarteto e integra a banda Peanut Butter Jelly. Nos últimos anos tem colaborado com a Orquestra Angrajazz, que se apresenta regularmente no festival de jazz de Angra do Heroísmo. Neste projecto BRUMA a cantora propõe uma revisitação jazzística de temas açorianos – um pouco à semelhança do que acontece no projecto do guitarrista André Santos, que por sua vez propõe a revisitação contemporânea do património música tradicional de outro arquipélago português do Atlântico: MUTRAMA – Música Tradicional Madeirense Revisitada. Além de temas tradicionais, encontramos aqui reinterpretações de temas de Zeca Medeiros, Luís Alberto Bettencourt, Bruno Walter Ferreira e Aníbal Raposo. O eixo central deste disco acaba por ser a música de Zeca Medeiros, que aqui vê quatro temas seus transformados. O autor da obra-prima “Cinefilias e Outras Incertezas” (1999) vê aqui homenageado o seu trabalho, que já faz parte do imaginário e da cultura açoriana contemporânea. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3375-bruma-project/

Disco: “Ricardo Toscano Quartet” de Ricardo Toscano

Ricardo Toscano
“Ricardo Toscano Quartet”
(Clean Feed, 2018)

A espera foi longa. O saxofonista Ricardo Toscano surgiu muito jovem, começou por se fazer notar na Festa do Jazz, ainda adolescente, e rapidamente passou a ser convidado para tocar com muitos músicos portugueses. Desde então alimentou um enorme currículo de colaborações e continuou a estudar. Afirmou-se como saxofonista e notável improvisador, com solos enérgicos e memoráveis. Não teve pressa em editar o seu disco de estreia. Muitos discos são editados quando os músicos estão ainda numa fase prematura, por vezes estão ainda numa fase de evolução técnica, muitas vezes ainda não têm ideias bem definidas. Os discos aparecem pela necessidade de mostrar algo. Toscano não teve pressa, trabalhou com calma. E ainda bem que o fez. (…)

Ricardo Toscano já era um fenómeno de popularidade no actual panorama do jazz português do século XXI. Já era reconhecido, entre pares e junto do público, como instrumentista notável, os seus concertos estavam cheios, esgotavam, os seus solos eram aplaudidos de pé. Agora, com a edição deste disco, Toscano confirma-se como músico completo, compositor e líder de um quarteto superlativo. Este disco, belíssimo, fica para a história do jazz português. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3374-ricardo-toscano-quartet/

Disco: “Urban Season” de Timespine

Timespine
“Urban Season”
(Shhpuma, 2018)

Surgiram em 2013, com um disco de estreia homónimo, editado na Shhpuma. O trio Timespine reunia três músicos oriundos de universos diversos: Adriana Sá (zither e electrónica), John Klima (baixo eléctrico) e Tó Trips (dobro e percussão). Este novo “Urban Season” é o segundo volume de uma discografia de um grupo que já encontrou o seu universo sonoro próprio. Este é um mundo muito particular: a matriz sonora instrumental é folk, mas o trio não se serve de composições convencionais para mergulhar na tradição da América profunda; ao contrário do que acontece noutras edições da Shhpuma, o trio também não explora a improvisação pura. Neste projecto atípico, o grupo trabalha a partir de partituras gráficas (da autoria de Adriana Sá) e as intervenções de cada um dos instrumentos vão respeitando as indicações visuais. Embora exista esse respeito à composição gráfica, neste processo há uma grande amplitude para a interpretação de cada sinal, cada músico pode transformar em música a sua interpretação pessoal, que poderá diferir da interpretação dos outros músicos. Ou seja, trata-se de uma música semi-aberta, onde há uma margem alargada para a criatividade de cada contribuição individual. O resultado que encontramos neste neste “Urban Season” é uma folk planante, música exploratória que vai incorporando referências diversas, mas acaba por soar como massa una, coerente. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3372-urban-season/

Disco: “Close Up” de Sara Serpa

Sara Serpa
“Close Up”
(Clean Feed, 2018)

Sara Serpa, portuguesa a residir em Nova Iorque há mais de uma década, é reconhecidamente uma das grandes vozes do jazz contemporâneo. A cantora estreou a sua discografia com o disco “Praia” (Inner Circle Music, 2008) e conseguiu afirmar-se pela qualidade vocal e pelo jeito muito próprio de cantar sem palavras. Tem estado envolvida em múltiplos projectos, onde se destaca o seu trabalho em dois duos: com o veterano pianista Ran Blake e com o guitarrista André Matos (o mais recente registo foi “All the Dreams”, em 2016). Nos últimos tempos Sara Serpa apresentou ao vivo dois novos projectos: na sequência de um convite de John Zorn, formou o projecto Recognition, com Mark Turner e Zeena Parkins, uma experiência trans-disciplinar que reflecte o colonialismo; e mais recentemente, estreou ao vivo o projecto Intimate Strangers, uma parceria com o escritor nigeriano Emmanuel Iduma. E tem ainda estado envolvida no colectivo We Have Voice, denunciando o assédio e a desigualdade de género no meio artístico. Entre os seus projectos musiciais mais recentes está também o grupo que editou este disco, um trio improvável que desafia convenções: aqui temos apenas voz, saxofone e violoncelo. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3360-close-up/

Disco “Oxy Patina” de Mário Costa

Mário Costa
“Oxy Patina”
(Clean Feed, 2018)

O baterista Mário Costa começou por se afirmar como membro do grupo de Hugo Carvalhais e o seu percurso tem também passado pela colaboração com outros projectos, como o Ensemble Super Moderne e o grupo Metamorphosis do trompetista Gileno Santana. E o baterista integra o excelente Émile Parisien Quintet, que publicou os aplaudidos discos “Sfumato” (2016) e “Sfumato Live in Marciac” (2018), actuando ao lado de músicos lendários como Michel Portal, Wynton Marsalis e Joachim Kühn. Agora, o baterista acaba de se apresentar em nome próprio, com o excelente disco de estreia “Oxy Patina”. Para este álbum o baterista reuniu um trio improvável, juntando dois nomes grandes da cena europeia: o guitarrista Marc Ducret e o pianista Benoît Delbecq. Revelando a sua vontade de afirmação, o jovem baterista acaba por assinar todas as composições do disco, com apenas uma excepção, um tema que resulta de uma improvisação colectiva. (…)

Texto completo no site:
http://bodyspace.net/discos/3359-oxy-patina/

Disco: “A Blink of an Eye to the Nature of Things” de Free Pantone Trio

Free Pantone Trio
“A Blink of an Eye to the Nature of Things”
(FMR Records, 2018)

O Free Pantone Trio é um projecto musical que junta três músicos portugueses: o baixista Rui Sousa, mentor dos Zappanoia (projecto dedicado à música de Frank Zappa) que ultimamente tem explorado a improvisação livre e participa regularmente no festival MIA – Encontro de Música Improvisada de Atouguia da Baleia; o pianista Manuel Guimarães, também guitarrista, ligado aos universos rock e folk, membro do recente grupo The Metaphysical Angels de Vítor Rua e que publicou em 2016 o disco solo “Flow Me” (edição Creative Sources); e João Valinho, percussionista que integra diversas formações ad-hoc, tem colaborado com improvisadores como Ernesto Rodrigues e Miguel Mira e participou na segunda edição do Ciclo Jovens Improvisadores (num quarteto com João Silva, Philippe Trovão e André Hencleeday).

O trio apresenta-se ao mundo com este disco de estreia, “A Blink of an Eye to the Nature of Things”, onde conta com a colaboração, em dois temas, de Noel Taylor, clarinetista inglês que se mudou recentemente para Lisboa e tem tocado com alguns músicos nacionais. O trio auto-define a sua música como uma “experiência musical trans-idiomática”, ou seja, uma proposta sonora que atravessa diversos idiomas musicais, sem se fixar em nenhum. Assumidamente experimental, esta música parte da improvisação pura, para integrar elementos do jazz e da música contemporânea. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3358-a-blink-of-an-eye-to-the-nature-of-things/