Duo na Madeira, trio em Faro e na Parede


André Santos na Estalagem da Ponta do Sol

O guitarrista André Santos vai apresentar-se ao vivo com o contrabaixista Carlos Bica em dois formatos: o duo Santos/Bica actua na Estalagem da Ponta do Sol, na Madeira, no dia 23 de Agosto; o trio Santos/Bica/Mortágua, que junta a dupla com o saxofonista João Mortágua, vai tocar a 1 de Setembro no Festival F (Faro) e na SMUP (Parede) no dia seguinte, dia 2.

O guitarrista explica a origem da parceria: “Tudo começou quando desafiei o Bica a fazer um concerto em duo na Madeira, neste sítio mítico que é a Estalagem da Ponta do Sol. É uma estalagem maravilhosa com uma visão artística muito própria e com um ciclo de concertos​ ​que tem incluído​ ​projectos muito bons e alternativos​. O Bica aceitou e começámos a combinar encontros para ensaiarmos e testarmos repertório. Na véspera do nosso primeiro ensaio, eu toquei na SMUP com o João Mortágua, Marco Franco e Francisco Andrade, e o Bica assistiu. Na altura sugeriu logo que o Mortágua viesse connosco à Madeira, mas logisticamente era difícil… Então o Carlos decidiu marcar estes concertos [SMUP e Festival F], de forma a termos um pretexto concreto para nos juntarmos. Quanto ao futuro deste grupo, tudo dependerá do que acontecer nestes concertos!”​

Disco: “A Lua Partida ao Meio” da Big Band Júnior

Big Band Júnior
“A Lua Partida ao Meio”
(Hot Clube de Portugal, 2017)

A Big Band Júnior (BBJ) é uma orquestra-escola de jazz, resultado de uma parceria entre o CCB e o Hot Clube de Portugal. Nascida em Outubro de 2010, a BBJ é constituída por cerca de vinte músicos, entre os 12 e os 17 anos, e tem por missão dar formação e experiência aos alunos como músicos de uma orquestra de jazz. A big band já editou um primeiro disco em 2013, “Pegadas Azuis”, e este novo álbum, “A Lua Partida ao Meio”, é mais um passo marcante no seu percurso.

Sob direção de Claus Nymark, o grupo de alunos trabalha neste disco um conjunto de treze temas, sobretudo versões de clássicos e standards, mas também três originais – dois da autoria de Nymark (o tema de abertura, “Mr. AB” e “Blues para Marty”) e o tema-título, “A Lua Partida ao Meio”, de Maria João & Mário Laginha. O disco conta com a participação de vários músicos consagrados: Mário Laginha, Maria João, Gonçalo Marques, João Paulo Esteves da Silva e Mário Delgado.

Os jovens músicos da BBJ conseguem desenvolver um sólido som orquestral, interpretando os temas com qualidade. Clássicos intemporais como “Goodbye Pork Pie Hat” (Charles Mingus), “The Sidewinder” (Lee Morgan), “Mood Indigo” (Duke Ellington), “Take the A Train” (Billy Strayhorn) ou “Birdland” (Joe Zawinul / Weather Report) são revisitados com segurança, expostos sem mácula.

O tema que dá título ao disco é alvo de duas versões, uma opção estética questionável. A versão interpretada por Maria João é belíssima, irrepreensível, e fica como referência; a versão adicional, por Matilde Madeira Lopes, apesar de revelar uma óptima voz, ficaria sempre a perder na comparação – ingrata para uma jovem cantora que está a começar.

Os músicos convidados, todos figuras de proa da cena jazz nacional, abrilhantam os temas com elegância, mas não seriam fundamentais para a essência do disco. O maior mérito é dos próprios músicos, dezasseis jovens que contribuem para uma música acesa, exibindo uma boa dinâmica de grupo. Muito provavelmente, o futuro do jazz português também vai passar por aqui. Aplauda-se o trabalhos destes jovens, do seu mentor (Claus Nymark) e do próprio projecto pedagógico, que justamente já está a exibir frutos.

Barcelos vai ter Jazz ao Largo

Susana Santos Silva

Depois do sucesso da sua primeira edição em 2016, o festival Jazz ao Largo vai regressar a Barcelos, entre os dias 13 a 17 de Setembro. Os concertos voltam a ter lugar no exterior do Theatro Gil Vicente, no Largo Dr. Martins Lima, e serão apresentados três espectáculos principais: Tim Tim por Tim Tum (dia 14, 22h), quarteto de baterias de José Salgueiro, Alexandre Frazão, Bruno Pedroso e Marco Franco; Coreto Porta-Jazz (dia 15, 22h), colectivo que reúne nomes grandes da cena portuense, como Susana Santos Silva, João Pedro Brandão e José Pedro Coelho; e La La la Ressonance (dia 16, 22h), grupo de rock instrumental de Barcelos que, a convite da organização, irá apresentar um concerto inspirado na música de Charles Mingus. Além destes concertos o programa inclui duas “sessões de free jazz” na Frente Ribeirinha da Azenha: duo Susana Santos Silva + Jorge Queijo (dia 16, às 17h); e Gabriel Ferrandini + Pedro Sousa (dia 17, às 17h). Integrado no festival, será também exibido o filme “Bird” (dia 13, 22h), película de Clint Eastwood que retrata a vida de Charlie Parker, numa parceria com o Zoom – Cineclube de Barcelos. O programa completa-se com um workshop de improvisação, promovido pela dupla Santos Silva + Queijo (dia 16, às 15h). Todos os eventos têm entrada livre.

Discos: “Off the Ground” + “Trippeiros”

Demian Cabaud
“Off the Ground”
(Robalo, 2016)

Leo Genovese Trio
“Trippeiros”
(Carimbo Porta-Jazz, 2017)

Nascido na Argentina, o contrabaixista Demian Cabaud está estabelecido em Portugal há vários anos. Integra a Orquestra Jazz de Matosinhos, colabora com vários músicos e formações nacionais e chega agora ao seu quinto disco na condição de líder. Também oriundo da Argentina, o pianista Leo Genovese, residente em Nova Iorque e parceiro de Cabaud há largos anos, aproveitou uma passagem pelo Porto para gravar um disco que é agora editado pela Porta-Jazz. Cabaud e Genovese são parceiros de longa data e vêm agora os seus caminhos novamente a cruzarem-se com a edição quase simultânea destes dois discos onde ambos participam.

Demian Cabaud vem sedimentando uma carreira que arrancou com a edição de “Naranja” (edição Tone of a Pitch, 2008) e neste seu disco Cabaud já não tem nada a provar. Acompanhado por Leo Genovese no piano (que tocou no seu disco de estreia) e Jeff Williams na bateria, Cabaud apresenta agora aquele que será o seu projecto mais pessoal até ao momento. “Off the Ground” é dedicado ao pai (o piloto que aparece na capa do disco), pelo que é natural que a música seja pontuada por momentos de maior emoção.

O disco reúne um conjunto de seis temas originais, composições de Cabaud que são exploradas longamente, abrindo espaço para a criatividade instrumental. Um dos temas mais simbólicos será a terceira faixa, “Final del juego”, com o tempo arrastado a permitir o trio expressar mais emotividade. “Bonsoir” é outro momento de maior nostalgia, carregada por um lirismo à Bill Evans. Mas este disco não é só sentimento: a faixa seguinte, “Mimu”, contrasta pelo seu fulgor enérgico, pelo vigor e intensidade. Instrumentalmente, Cabaud não surpreende: exibe tranquilamente o seu som irrepreensível, mostra imaginação a solar.

O pianista Leo Genovese tem feito carreira a acompanhar a popular Esperanza Spalding, tocando ainda com nomes lendários como Jack DeJohnette ou Joe Lovano. Esta gravação regista a actuação que o seu trio apresentou no Porto, no âmbito da tour europeia realizada em 2016. A acompanhar o pianista estão Cabaud no contrabaixo e o cubano Francisco Mela na bateria. A música de “Trippeiros” (título engraçado) é globalmente mais expansiva do que o trio de Cabaud: Genovese atira-se ao groove, a ritmos sul-americanos.

Esta é uma música mais quente, com mais ênfase na energia. Mas o trio também mostra a sua versatilidade: abranda em “Signs of Transcendence”, num registo intimista, pausado; no tema seguinte, “Reflections” acelera num ritmo vertiginoso. Não sendo um tomo fundamental no percurso de Genovese, é um momento de grande simbolismo para a Porta-Jazz, que aqui soma à sua crescente discografia o registo de um músico com peso internacional.

Setembro no Hot Clube

João Paulo Esteves da Silva [Fotografia: Vitorino Coragem]

O Hot Clube de Portugal já apresentou a programação para o mês de Setembro de 2017 (e início de Outubro). O velho clube lisboeta, que estará fechado entre os dias 10 e 21 de Setembro, vai apresentar: Abe Rábade Trio, Barros Veloso & Bernardo Moreira (com o guitarrista convidado André Santos), Travis Reuter / João Guimarães Quartet, um novo super-grupo chamado “Baltazar” (Gonçalo Marques, José Pedro Coelho, João Guimarães, Demian Cabaud e Marcos Cavaleiro) e o quarteto Cine Qua Non (Paula Sousa, Afonso Pais, João Paulo Esteves da Silva e Mário Franco). Durante o mês de Setembro as “jam sessions” (sempre às terças, entrada gratuita) continuam a ser coordenadas pelo contrabaixista Romeu Tristão.

Programa completo [PDF]

Sérgio Carolino: Supertuba

O virtuoso Sérgio Carolino (n. 1973, Alcobaça) não só se tem afirmado como extraordinário instrumentista, um dos mais importantes intérpretes da tuba a nível mundial, como vem desenvolvendo parcerias com músicos distintos, em áreas estilísticas afastadas, o que confirma a sua larga amplitude estética. Dos múltiplos projectos onde está envolvido, destacam-se o trio TGB (com Mário Delgado e Alexandre Frazão), o duo com o baterista Jorge Queijo (Tubab), o Tuba & Drums Double Duo (actuou no Jazz em Agosto 2016) ou o disco em duo com o acordeonista João Barradas (o excelente “Surrealistic Discussion”). Entre o final no ano passado e o início deste 2017 Carolino editou meia dúzia de discos novos que voltam a confirmar o seu ecletismo, a sua técnica extraordinária e a óptima capacidade de adaptação a diferentes contextos musicais.
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Discos de Verão: The Nada

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The Nada
“The Nada”
(Carimbo Porta-Jazz, 2017)

Os The Nada são quatro e vêm do sempre profícuo Carimbo Porta-Jazz. No saxofone está João Guimarães, músico virtuoso e versátil, líder do octeto que editou o excelente disco “Zero”, integrou os Fail Better! (no óptimo disco de estreia) e faz parte, entre outros, da Orquestra Jazz de Matosinhos, do quarteto de Miguel Ângelo e dos Hitchpop (concerto memorável no Milhões de Festa 2015). No baixo está Simon Jermyn, irlandês residente em Nova Iorque, elemento decisivo – foi aquando da sua visita a Portugal que o grupo se juntou. O grupo completa-se com a guitarra elétrica de Eurico Costa e a bateria José Marrucho – ambos com currículo vasto no catálogo Porta-Jazz. O quarteto pratica uma música aberta, um jazz eléctrico moderno com espaço amplo para a improvisação. Daí nasce uma música fresca, que combina toadas atmosféricas com fraseados claros, sempre com a eletricidade ligada. Há um desfile de ideias, energia e tensão, sem descarrilar, em equilíbrio. Da Porta-Jazz tem chegado uma torrente de música original, redefinindo e alargando o conceito do jazz contemporâneo Made In Portugal. O jazz original dos The Nada não funciona só como música para o verão, como, num mundo ideal – sem festas “sunset” nem “chillout” – seria o acompanhamento perfeito para aquele mojito na borda da piscina com o insuflável flamingo rosa em fundo.

Artigo completo no site Bodyspace.net:
http://bodyspace.net/artigos/300-discos-de-verao-2017/

O Eixo do Jazz apresenta-se

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Acaba de nascer e começou a aparecer sorrateiramente no Facebook. O Eixo do Jazz – Associação Luso-Galaica para a Promoção do Jazz promete promover a divulgação do jazz e já organizou um primeiro evento, um concerto do Quarteto Eixo do Jazz no passado dia 6 de Agosto. Representada por Amadeu A. Portilha, Suzana Costa, Cristiana Morais e Cristina Marvão, a associação apresenta-se.

O que é O Eixo do Jazz?
O Eixo do Jazz não é uma associação de músicos, é uma associação formada por várias pessoas interessadas no estilo musical, que decidiram ajudar os músicos de jazz a melhorar as condições da sua actividade profissional e consequentemente a aumentar o numero de vezes que o jazz se faz ouvir. Surgiu de várias conversas entre amigos, músicos e outras pessoas envolvidas no meio.

Quem são as pessoas/músicos envolvidas?
Há poucos músicos envolvidos para já. O grupo de trabalho neste momento é constituído por profissionais de áreas que podem ajudar os músicos, tais como advogados, produtores, gestores, consultores financeiros, directores de escolas de música, agentes, técnicos de som. Uns portugueses, outros galegos. Continue reading “O Eixo do Jazz apresenta-se”

Ao Vivo: Jazz em Agosto 2017


Life and Other Transient Storms [Fotografia: Petra Cvelbar]

O festival da Gulbenkian voltou a apresentar um cartaz ecléctico, expondo a larga amplitude estética que caracteriza o jazz do nosso tempo. Este ano confirmou-se igualmente que está encontrado o seu melhor modelo de funcionamento, depois de várias experiências diferentes:  10 dias seguidos de concertos, todos dentro da própria Fundação. Em Lisboa, em Agosto e com música que não é fácil, tem conseguido ter plateias generosas em todos os concertos, mesmo os que acontecem durante os dias úteis da semana. Agora que mais um Jazz em Agosto está cumprido, fica a noção de que os muitos lugares ocupados são o reconhecimento da coerência de uma linha de programação que continua a arriscar em música variada e sem dogmas fronteiriços.

Reportagem, escrita a meias com Gonçalo Falcão, no site Jazz.pt:
http://jazz.pt/report/2017/08/08/sem-dogmas/

Lee Konitz vai ao SeixalJazz

A edição 2017 do SeixalJazz vai realizar-se entre os dias 19 a 28 de outubro. O festival irá apresentar uma lenda histórica, o veteraníssimo Lee Konitz, jovens talentos nacionais e nomes fortes internacionais. Aqui fica o programa completo: Wolfgang Muthspiel Quintet (dia 19), Slow Is Possible (20), Michaël Attias Quartet (21), João Barradas Quinteto (26), Dominique Pifarély Quartet (27) e Lee Konitz Quartet (28). Todos os concertos terão lugar no Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal e os bilhetes estarão à venda no início de setembro.