Aí está o Jazz em Agosto 2017

O Jazz em Agosto acaba de desvendar a programação e esta 34ª edição do festival, que decorre entre os dias 28 de julho e 6 de agosto, vai apresentar um total de 14 concertos. São vários os destaques da programação do festival da Gulbenkian: o projecto Sélébéyone de Steve Lehman (fusão jazz/hip-hop, na foto), o trio Sun of Goldfinger (David Torn, Tim Berne e Ches Smith), o regresso de Peter Brötzmann (duo com Heather Leigh), o super-grupo Human Feel (Chris Speed, Kurt Rosenwinkel, Jim Black e Andrew D’Angelo) e o quarteto High Risk de Dave Douglas.  A representação  nacional estará por  conta de Susana Santos Silva (com o quinteto Life and Other Transient Storms), EITR (duo de Pedro Sousa e Pedro Lopes) e Sudo Quartet (quarteto internacional que conta com Carlos Zíngaro).

Informação completa no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/ultimas/80697-ai-esta-o-jazz-em-agosto/

Disco: “Roque”

Roque
“Roque”
(Ed. autor, 2016)

Roque é João Roque, guitarrista e compositor que com este disco homónimo se apresenta ao mundo. A acompanhar o líder guitarrista estão João Capinha (saxofone alto, saxofone soprano e clarinete baixo), Xico Santos (contrabaixo) e David Pires (bateria). O quarteto interpreta um conjunto de onze temas originais, saídos da pena de João Roque – a única excepção é uma improvisação do contrabaixista. O quarteto revela desde logo uma boa dinâmica, numa música fluída, com as composições (globalmente interessantes) a funcionarem como dínamo para a interpretação colectiva.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3145-roque/

Disco: “Do You Have a Room?” de Gregor Vidic & Nicolas Field

Gregor Vidic & Nicolas Field
“Do You Have a Room?” 
(Ed. autor, 2016)

Saxofonista oriundo da Eslovénia, Gregor Vidic (n. 1984) é um saxofonista que actualmente a reside na Suíça. Com um som enérgico, o saxofonista tem distribuído os seus esforços por grupos como o quinteto Maria Libera ou a orquestra improvisadora Insub Meta Orchestra – fundada em 2010 por Cyril Bondi e d’incise. O inglês Nicolas Field (n. 1975) é um baterista já com percurso vasto. Tem colaborado com músicos como Jasper Stadhouders, Otomo Yoshihide e Akira Sakata, e vem sobretudo trabalhando música de cena (teatro e dança). Juntos, Vidic e Field têm desenvolvido um trabalho em duo, um áspero duelo de saxofone e bateria. Já atuaram ao vivo em Portugal (no Barreiro), integrando um “power-quarteto” onde se juntaram com o contrabaixista Hugo Antunes e o saxofonista catalão Albert Cirera. A dupla apresenta aqui no disco Do You Have a Room? a sua música, ao longo de quatro longos temas (média de doze minutos de duração).

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3143-do-you-have-a-room/

Livro: “Loft Jazz – Improvising New York in the 1970s”

O free jazz teve como principal espaço de desenvolvimento os “jazz lofts” de Nova Iorque. Com os espaços tradicionais (bares/clubes) a fecharem a programação a propostas mais exploratórias e inovadoras, começaram a surgir alternativas informais. Assim, antigos espaços industriais amplos (abandonados) em Manhattan, foram sendo transformados em áreas de criação cultural, especialmente focados no jazz criativo. No livro “Loft Jazz: Improvising New York in the 1970s”, Michael C. Heller analisa o fenómeno dos lofts, fazendo um retrato completo, combinado o contexto social e económico, além de todo o envolvimento musical. O texto do livro é desenvolvido de forma neutra, incluindo diversas perspectivas e visões, mas há uma linha que funciona de fonte principal, a perspectiva de Juma Sultan – activista e promotor de um dos lofts mais activos e representativos da cena, o Studio We.

Texto completo no site Bodypace:
http://bodyspace.net/etc/49-loft-jazz-improvising-new-york-in-the-1970s/

Disco: “Nowruz” de João Lobo

João Lobo
“Nowruz”
(Three:Four Records, 2017)

Quando João Lobo chegou, viu e rapidamente convenceu o mundo do jazz: vimo-lo a acompanhar em palco o lendário Enrico Rava; integra o grupo Matéria Prima de Carlos Bica. Mas o baterista vai também a outras músicas: faz parte do quarteto transnacional Tetterapedequ, tem colaborado regularmente com o guitarrista Norberto Lobo, recentemente homenageou Moondog numa parceria com Filipe Melo, vem participando em múltiplos projectos. E foi o director musical do filme “John From”, que estreou nas salas portuguesas no ano passado. Agora, Lobo apresenta uma proposta arriscadíssima: um solo de bateria.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3141-nowruz/

Ao vivo: The Rite of Trio

O ciclo “Jazz +351”, programado por Pedro Costa (Clean Feed), tem levado à Culturgest algumas das propostas mais relevantes da actual cena jazz nacional. E estas são cada vez mais, porque todos os anos há dezenas de novos discos publicados, há centenas de músicos em actividade, há propostas mais variadas e mais criativas. A última edição do ciclo, no passado dia 2 de Março, contou com The Rite of Trio e, mais uma vez, a performance confirmou a pertinência da escolha. O trio vem do Porto e, na sequência do seu disco de estreia, editado pela imparável Carimbo Porta-Jazz, vinha gerando algum burburinho.

Reportagem completa no site Jazz.pt:
http://jazz.pt/report/2017/03/03/comprovacao-em-lisboa/

Disco/livro: “Cinza” de Carlos Santos / Nuno Moita

Carlos Santos / Nuno Moita
“Cinza” 
(Grain of Sound, 2017)

A mais recente edição da editora Grain of Sound é um objecto atípico. Não é um simples álbum, trata-se de um livro de fotografia que inclui um disco, sendo que os dois objectos se complementam para a fruição seja completa. Por um lado, o livro reúne um conjunto de fotografias da autoria de Nuno Moita, registadas entre 2009 e 2016, num total de 72 páginas. As fotografias são todas a preto e branco, com pouco contraste, sobressaindo sempre o cinzento – daí o “Cinza” do título. Cada imagem resulta de uma composição onde se juntam várias fotografias sobrepostas. O resultado não só é uma original mescla de mundos visuais, como cada imagem é intrigante, desperta a curiosidade.

Texto completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/discos/3121-cinza/

Jazz’Aqui leva jazz português a Berlim

Entre os dias 23 e 25 de Março realiza-se em Berlim a primeira edição do festival Jazz’Aqui. O festival terá lugar no clube de jazz Kunstfabrik Schlot e será o primeira edição de uma série de festivais que irão decorrer anualmente, sempre em diferentes países, com o objectivo de promover a internacionalização do jazz português. No dia 23 de Março, quinta-feira, actua o trio de Marco Santos, com Diogo Duque e João Frade. No dia seguinte, sexta 24, há dois concertos: Rui Faustino (solo de bateria) e sexteto Slow Is Possible. O festival fecha no dia 25, sábado, com mais dois concertos: o trio Cat In a Bag e o grupo de Mané Fernandes.

Informação completa no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/ultimas/80508-jazz39;aqui-leva-jazz-portugues-a-berlim/

Sobre o filme “La La Land”

Confesso que depois de tanta conversa esperava mais, mas o filme é giro, vê-se bem. O que me aborreceu foi aquele discurso do “jazz puro”, de que “o jazz está a morrer”, a ideia de que a fusão (pop/eléctrica) é uma coisa má, de que é preciso salvar o “jazz a sério”. Ora bem, a fusão do jazz já tem mais de quarenta anos, já faz parte da história do jazz. E o jazz sempre viveu de permanente evolução, o jazz é a música mais miscigenada e promíscua que existe. A conversa de que o jazz está a morrer vem desde sempre, desde que os Beatles começaram a dominar as tabelas de vendas, desde que morreu o Coltrane, desde que o Miles se meteu a brincar com a eletricidade, etc. Mas o jazz não morreu nem vai morrer tão cedo e dizer baboseiras deste tipo equivale a promover um ideal de jazz cristalizado nas imagens de bares fumarentos a preto e branco, equivale a ignorar e desvalorizar todo o jazz criativo que tem sido feito desde os anos 60, todo o jazz criativo que continua a ser feito hoje em dia. O jazz contemporâneo de 2017 tem por base a história, mas combina a improvisação com o rock, com a electrónica, com o groove, etc, etc. O jazz continua vivo na música actual de Kamasi Washington, dos Dawn of Midi, do RED trio, do João Hasselberg, do André Santos – só para citar alguns exemplos de música do nosso tempo (e alguns da nossa terra). Não temam, o jazz não está para morrer, amigos.