Aí está mais um Círculo de Jazz de Setúbal

André Rosinha

O Círculo de Jazz de Setúbal vai chegar à sua 7ª edição. O festival realiza-se entre os dias 17 e 27 Janeiro, apresentando quatro noites de concertos e dois filmes. Com uma programação diversificada, este ciclo junta vários projectos nacionais e internacionais: trio Branco / Custódio / Moniz, Guitarras Portuguesas, Cláudia Franco, Broken Circuits Quartet, André Rosinha (atenção do disco “Pórtico”!), Tatiana Cobbett, Granado Quarteto e Desbundixie. O programa é complementado com dois filmes: “Whiplash” (Damien Chazelle, 2014) e “Miles Ahead” (Don Cheadle, 2016). Os concertos terão lugar na Casa da Cultura (dia 19) e na Sociedade Musical Capricho Setubalense (dias 20, 26 e 27), os filmes serão exibidos no Cinema Charlot. Aqui fica o programa completo.

17 Jan, 18h00: Cinema “Whiplash”
19 Jan, 22h00: Branco / Custódio / Moniz
19 Jan, 23h30: Guitarras Portuguesas
20 Jan, 21h30: Cláudia Franco
20 Jan, 23h00: Broken Circuits Quartet
23 Jan, 18h00: Cinema “Miles Ahead”
26 Jan, 21h30: André Rosinha Quinteto
26 Jan, 23h00: Tatiana Cobbett
27 Jan, 21h30: Granado Quarteto
27Jan, 23h00: Desbundixie

ZDB recebe Frode Gjerstad Trio + Steve Swell

A Galeria ZDB vai acolher um concerto do trio de Frode Gjerstad com o convidado Steve Swell no dia 19 de Fevereiro. Este trio, que junta o saxofonista norueguês com o contrabaixista Jon Rune Strom e o baterista Paal Nilssen-Love, pratica um jazz contemporâneo aberto à energia do free. Neste concerto o trio nórdico vai juntar-se em palco com o trombonista americano Steve Swell – gravaram em quarteto o disco “At Constellation”, de 2015. O concerto está marcado para as 22h00 e os bilhetes custam 8€ (reservas por email: reservas@zedosbois.org).

RED Trio celebra 10 anos no Maria Matos


[Fotografia: Vera Marmelo]

O RED Trio faz dez anos de vida e, em jeito de celebração, vai levar ao Teatro Maria Matos um espectáculo especial. O grupo de Rodrigo Pinheiro (piano), Hernâni Faustino (contrabaixo) e Gabriel Ferrandini (bateria) vai convidar vários músicos que formarão uma “Celebration Band“. O concerto terá lugar no dia 10 de Fevereiro e o contrabaixista Hernâni Faustino fala-nos sobre esta festa de aniversário.

 

O RED Trio faz dez anos, como vês este percurso?
É incrível pensar que o RED Trio já fez dez anos de existência! Quando começámos a tocar nunca pensámos passar por todas as experiências que temos vivido: concertos pelo mundo inteiro (de Nova Iorque a Moscovo), vários discos e várias colaborações com músicos incríveis. Foram dez anos de muito trabalho em que o grupo mudou radicalmente e em que cada um de nós individualmente também o fez.

Podes explicar o que vai acontecer no concerto do Maria Matos?
Iremos convidar vários músicos portugueses e alguns estrangeiros que têm colaborado connosco ao longo destes dez anos de existência e outros com quem ainda não trabalhámos que gostaríamos de o fazer. Iremos apresentar três composições, uma por cada elemento do RED Trio.

Poderemos contar com mais dez anos de RED Trio? Já há ideias de futuros discos, colaborações, etc.?
Pensamos que sim! Queremos voltar ao formato do trio e desenvolver coisas novas na nossa música. Em 2017 tivemos a possibilidade de tocar em quinteto com o Axel Dörner e o Mattias Ståhl e foi bastante positivo e enriquecedor, e este é um formato que queremos manter. Este ano estamos na SHAPE Platform e certamente novos desafios irão surgir, teremos outras possibilidades para tocar a nossa música e novas colaborações poderão aparecer.

Casa Fernando Pessoa acolhe novo ciclo de piano


João Paulo Esteves da Silva [Fotografia: Vitorino Coragem]

A Casa Fernando Pessoa vai acolher um novo ciclo de piano. “O piano no meio da sala” é o nome do ciclo que vai acolher actuações de vários pianistas e o primeiro concerto terá lugar no dia 18 de Janeiro, às 19h00, com João Paulo Esteves da Silva (o disco “Brightbird” continua fresco). Seguem-se depois os pianistas David Schvetz (Março), Paula Sousa (Abril), Mário Laginha (Maio) e Pedro Burmester (Junho). A Casa Fernando Pessoa fica situada na Rua Coelho da Rocha 16 (Campo de Ourique), em Lisboa, e os bilhetes para este ciclo têm o preço único de 5€.

The Selva em residência no gnration

[Fotografia: gnration]

Os The Selva encontram-se a desenvolver uma residência artística no gnration, em Braga. O resultado do trabalho será apresentado com um concerto ao vivo, no dia 12 (sexta-feira), às 22h30. Ricardo Jacinto, Gonçalo Almeida e Nuno Morão falam-nos sobre a residência e aquilo que daí virá.

 

Que tipo de trabalho estão a desenvolver na residência?
Esta residência surge no intervalo de uma pequena tour entre Lisboa e Pontevedra. Demos quatro concertos e em seguida parámos no gnration para preparar o material que fará parte do nosso próximo disco. Foram-nos disponibilizadas ótimas condições para gravar e por isso temos estado a fazê-lo em continuidade ao longo destes dias. O facto de já termos dado 4 concertos e termos mais 3 em seguida, faz com que nesta residência tenhamos por um lado novo material que surgiu nos concertos e por outro possamos ainda testar ao vivo algumas novas composições trabalhadas na residência.

Que novidades serão apresentadas no concerto?
A Selva é um trio que explora de um modo sistemático, mas aparentemente muito orgânico, um conjunto alargado de referências musicais numa lógica de dispersão idiomática. Esta característica que, de algum modo, já estava presente no primeiro disco será aqui desenvolvida tanto em faixas duracionais como em miniaturas. Estes são dois formatos que gostamos muito de explorar e que, paradoxalmente, exigem uma grande contenção e disciplina. São estes eixos que estamos determinados a desenvolver numa lógica de conseguir manter a organicidade e imprevisibilidade que queremos para os concertos, mantendo ao mesmo tempo controlo da forma e estrutura.

Como está a decorrer a residência? É uma experiência que querem repetir mais vezes?
Está a correr muito bem, tanto internamente como na relação com o pessoal do gnration. Faz muita falta estender à música este tipo de programas de residência, que por exemplo nas artes plásticas são muito comuns. É fundamental que hajam mais espaços que recebam em residência projetos musicais pois é que aqui que se possibilita de um modo estruturado a sedimentação do trabalho criativo e se dá aos artistas/grupo um período de concentração. Parece-nos também que este tipo de projetos permite que haja uma interação muito desejável entre artistas em residência e músicos/artistas/escolas locais. Neste caso iremos realizar um workshop de improvisação com um ensemble de 13 alun@s do Conservatório Gulbenkian de Braga. Estamos a preparar com bastante interesse esta dimensão da residência pois identificamos uma falta muito grande de práticas de improvisação musical no contexto académico. No contexto académico português há a ideia de que a improvisação é um parente pobre da composição e da interpretação e que quando surge é uma prática exclusiva do Jazz. Interessa-nos desenvolver estes workshops tanto em torno da improvisação livre como de lógicas de improvisação mais orientadas.

Valença acolhe ciclo de jazz


Mariana Vergueiro

Nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março realiza-se em Valença um ciclo de jazz, apresentando dois concertos por mês. O Ciclo de Jazz de Valença terá lugar entre a Quinta do Caminho e o Auditório CILV e o programa é assegurado exclusivamente por músicos ligados à Porta-Jazz: Alexandre Coelho, Mariana Vergueiro, Renato Dias, MAP, Luis Lapa & Pé de Cabra e Miguel Ângelo. Os concertos começam sempre às 21h30 e têm entrada livre. Aqui fica o programa completo.

3 Jan: Alexandre Coelho Quarteto (Quinta do Caminho)
27 Jan: Mariana Vergueiro Quarteto (Auditório CILV)
10 Feb: Renato Dias Trio (Quinta do Caminho)
17 Feb: MAP (Quinta do Caminho)
10 Mar: Luis Lapa & Pé de Cabra Quinta do Caminho
24 Mar: Miguel Ângelo Quarteto (Auditório CILV)

Sirius apresentam disco de estreia na ZDB

[Fotografia: Vera Marmelo]

Sirius é um duo que junta o trompete de Yaw Tembe com a percussão de Monsieur Trinité (que se considera “manipulador de objectos diversos”). O duo trabalha uma música improvisada e acaba de publicar o seu disco de estreia, “Acoustic Main Suite plus The Inner One“, editado pela Clean Feed. Assinalando a edição do disco, a dupla apresenta-se ao vivo na Galeria ZDB no próximo dia 17 de Janeiro (bilhetes a 6€).

O projecto, que rouba o nome a um disco de Coleman Hawkins, nasceu quando Trinité se juntou como convidado ao projecto a solo de Yaw, “Círculo de 3Pontas”. Conta o trompetista: “Vimos que havia potencial para criarmos algo de raiz e desde cedo sentimos a necessidade em seguirmos por um processo de depuração dos sons ao encontro de fundamentos básicos da matéria, do sopro e do gesto”.

O disco agora editado é o resultado de um longo caminho, como confessa Yaw: “Durante estes seis anos passamos por diversos estados (acústico, electrónico, utilização de samples) e recentemente constatamos que apesar dessas mudanças a identidade do duo sempre se manteve. The Inner Suite… é assim um eco dessas mudanças, tendo ela também ocorrido num tempo bastante próprio e singular.”

Conta Monsieur Trinité: “O disco foi gravado no Panteão Nacional pelo sonoplasta e músico Tiago Varela, tendo sido editado no Namouche com produção de Sei Miguel e Joaquim Monte, tendo também participado o sonoplasta Cristiano Nunes.” Segundo Yaw, Sei Miguel “foi como que um terceiro elemento de Sirius, paciente e minucioso na escuta”.

O duo Sirius apresenta-se ao agora vivo na ZDB, celebrando a edição do disco. Sobre o concerto, Trinité não faz previsões, mas diz que “vai depender do humor do dia e da psicogeografia do espaço”.

El Intruso: 10th Annual Critics Poll

Fui mais uma vez convidado a participar na votação anual do site El Intruso, que reúne as escolhas de 58 críticos de jazz e música improvisada de diversos países. Aqui estão os resultados finais:

Músico do ano: Wadada Leo Smith
Músico revelação: Jaimie Branch
Grupo do ano: Vijay Iyer Sextet
Grupo revelação: Irreversible Entanglements
Disco do ano: “Far From Over” – Vijay Iyer Sextet (ECM)

Votações completas no site El Intruso:
http://elintruso.com/2018/01/05/encuesta-2017-periodistas-internacionales/

Trio The Selva em tour

O trio The Selva vai arrancar o ano novo com uma digressão que vai passar por Portugal e pela Galiza.​ O trio de Ricardo Jacinto (violoncelo), Gonçalo Almeida (contrabaixo) e Nuno Morão (bateria) trabalha uma música abertamente improvisada e lançou o seu disco de estreia no ano passado, com edição Clean Feed. Em Portugal esta tour vai passar por Lisboa, Porto, Braga, Viseu e São Gregório (Caldas da Rainha). Aqui fica a agenda completa do trio.

4 Jan: Sabotage, Lisboa
5 Jan: Sonoscopia, Porto
6 Jan: Liceo Mutante, Pontevedra
7 Jan: Bétun, Tui
12 Jan: gnration, Braga
13 Jan: Carmo 81, Viseu
14 Jan: Osso, São Gregório (Caldas da Rainha)

Bodyspace: Melhores momentos do ano

Concerto do ano: a inesquecível actuação do quinteto Life and Other Transient Storms no Jazz em Agosto, projecto liderado pela trompetista Susana Santos Silva.

A estrondosa estreia de João Barradas em dose dupla: com o disco “Directions” e com o grupo Home.

A confirmação da excelente dupla João Hasselberg & Pedro Branco, com o disco “From Order to Chaos” e um concerto memorável na SMUP.

O regresso ao Angrajazz, com concertos magníficos (Jon Irabagon, Ensemble Super Moderne, Matt Wilson) e mergulhos no mar dos Açores.

A edição em vinil de “Slow” de Minta & The Brook Trout (que a cada audição se aproxima da perfeição) e o concerto de apresentação na ZDB.

Mais uma boa edição do festival JIGG, óptima improvisação nos fins de tarde de verão, especialmente o concerto do Liquid Trio de Agustí Fernandez, Albert Cirera e Ramon Prats.

Ouvir as canções imaculadas de Marisa Monte pela voz de Silva no Rio de Janeiro.

A actuação épica (já foram tantas) de Evan Parker em Braga, no GNRation.

O grande regresso de João Paulo Esteves da Silva: o excelente “Brightbird” e a estreia do duo Silent Words (com Afonso Pais), além de múltiplas colaborações.

As sessões de culto no Nimas e a oportunidade de ver o belíssimo “One from the Heart” no grande ecrã, recordando a banda-sonora perfeita de Tom Waits.

Artigo completo no site Bodyspace:
http://bodyspace.net/artigos/302-os-melhores-momentos-de-2017/