Festival Jazz de Berlim: a nova directora faz a apresentação

A 55ª edição do Festival Jazz de Berlim realiza-se de 1 a 4 de Novembro e apresenta um cartaz ambicioso. Por Berlim vão passar nomes como Mary Halvorson, Jason Moran, Nicole Mitchell, World Service Project, Jaimie Branch e Roscoe Mitchell, entre outros. A nova directora do festival, Nadin Deventer, fala sobre as suas ideias para o festival e apresenta a programação.

Quais foram as directrizes que definiram esta sua primeira programação?
Para mim, os festivais devem criar o seu próprio universo ou microcosmos, convidando o público a participar numa viagem. Durante o meu processo de pesquisa mergulhei em diferentes cenas musicais e acabei por decidir dar um foco especial nas cenas de Chicago (com sete projectos) e da Europa (com quinze projectos). Também nos focámos nos desenvolvimentos da música afro-americana: com um projecto de Jason Moran dedicado ao músico e soldado James Reese Europe, que integrou o famoso Harlem Hellfighters Regiment na Primeira Guerra Mundial; continuando com Roscoe Mitchell, músico pioneiro e co-fundador do AACM de Chicago no final dos anos 60; e finalmente dando espaço a duas importantes vozes afro-futuristas, Nicole Mitchell e Moor Mother. Também estamos muito felizes por recebermos a Mary Halvorson como artista em residência no festival. Além dos concertos, desenvolvemos também um programa complementar que inclui debates, instalações, workshops e filmes.

Pode indicar alguns destaques do programa?
Na noite de abertura do festival os músicos vão tomar conta de todos os espaços do teatro, vamos ter dez concertos em cinco palcos; alguns músicos irão ficar durante vários dias, a desenvolver novos trabalhos, como será o caso da Exploding Star Orchestra; uma instalação com remistura em tempo real pelo colectivo berlinense KIM Collective; duas vozes fortes da música em colaboração com spoken word, Moor Mother e Roscoe Mitchell; a saxofonista estónia Maria Faust com o seu ensemble de música de câmara; a canadiana Kara-Lis Coverdale a explorar o orgão de igreja… e, claro, a guitarrista Mary Halvorson, que se vai apresentar com três formações diferentes.

O programa do festival inclui muitas artistas mulheres, o que não acontece na maior parte dos festivais. A igualdade de género é uma pioridade para o festival? 
Sim, nós temos essa atenção para que o programa seja equilibrado em termos de género, ao longos de todos os quatro dias de festival. Para mim, esta é a forma mais natural de juntar um programa diverso, artisticamente interessante e desafiante.

Tem conhecimento da carta aberta/movimento “We have voice“?  Pode comentar?
Sim, tenho conhecimento. Penso que nós, como sector, deveremos estar muito alerta e afirmarmo-nos contra qualquer forma de discriminação, assédio e abuso sexual, particularmente quando é causado por pessoas em posições de poder.

O que diria a um fã português de jazz para o convencer a ir ao festival de Berlin?
Venha fazer parte da nossa primeira viagem, ofereça-nos quatro dias do seu tempo e venha descobrir novos artistas e nova música, criada por músicos oriundos de mais de quinze países!