Jazz em Agosto: concerto de abertura alterado

A organização do Jazz em Agosto acaba de anunciar que, por motivos de saúde, o baterista Milford Graves não vai actuar no concerto inaugural do festival, no dia 27 de Julho. Em vez do trio constituído por John Zorn, Thurston Moore e Milford Graves, o concerto de abertura do festival será apresentado num novo formato: a Zorn (saxofone) e Moore (guitarra eléctrica) irão juntar-se vários músicos que vão tocar nesta 35.ª edição do festival, numa noite de improvisação intitulada “Stone Improv Night”.

Out.Fest 2018 apresenta primeiros nomes

Acabam de ser anunciados os primeiros nomes para o Out.Fest. A edição 2018 do Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro realiza-se entre os dias 5 e 6 de Outubro, numa co-programação da OUT.RA e Filho Único. O Out.Fest 2018 vai apresentar concertos de HHY & The Macumbas, João Pais Filipe, Group A, Fret (aka Mick Harris), Lea Bertucci, Linn da Quebrada, Lotic e Ricardo Rocha – em breve serão anunciados os restantes nomes do cartaz. Os primeiros 100 passes gerais estão à venda por 15€ (locais habituais).

Rafael Toral: odisseia no espaço

[Fotografia: Vera Marmelo]

Rafael Toral acaba de editar um novo disco, Space Quartet, gravado com Hugo Antunes, João Pais Filipe e Ricardo Webbens (edição Clean Feed). Em paralelo, a editora Drag City, de Chicago, acaba de reeditar em vinil dois discos que já se tornaram clássicos da música ambiental: Sound Mind Sound Body (de 1994) e Wave Field (de 1995). No momento em que assistimos a estas edições, Toral concede uma entrevista exclusiva: faz uma retrospectiva sobre o seu Space Program, apresenta o novo trabalho em quarteto e fala sobre as reedições.

Podes contextualizar, explicar o percurso e as etapas do Space Program?
Quando saí do período de transição (entre 2002 e 2004) em que defini como iria funcionar a nova abordagem musical, tracei todo o plano de uma vez. Assumi um compromisso com um mapa de acção. Comecei por lançar Space, que serviu como enunciar de intenções e apresentação de matérias, sob a forma de uma orquestra electrónica em que eu toquei todos os instrumentos (excepto a participação de Sei Miguel e Fala Mariam). Depois duas séries de discos, uma de gravações a solo (Space Solo 1 e 2) e outra de composições minuciosas com colaboradores próximos como César Burago, Riccardo Dillon Wanke ou Manuel Mota, e convidados, como David Toop, Tatsuya Nakatani ou Evan Parker. Desta série resultaram os álbuns Space Elements I, II III. Ao vivo, estabeleci uma série de mapas de exploração de possibilidades em fraseado para cada instrumento a que chamei Space Studies, acho que foram oito. Mais tarde, comecei a dirigir formações cujo número indicava de quantas pessoas se compunha — o Space Collective, cuja aparição mais recente produziu o Moon Field. Estas formações tocavam num regime mais ou menos aberto quanto ao conteúdo das partes individuais mas estas eram cronometradas e aplicadas segundo uma partitura. Daí deu-se o salto para o Space Quartet, que opera de modo semelhante quanto aos materiais, mas cujas partes já são decididas autonomamente pelos músicos, sem partitura e sem sincronismo. No plano pedagógico, tenho oferecido o Space Program Workshop, dirigido a músicos de electrónica na óptica do hacking ou circuit bending, que trata não da tecnologia mas do que fazer com ela. Um trabalho sobre escuta, articulação e estruturação de discurso musical. Hoje, o programa discográfico está completo e encerrado, mas o trabalho que continuo a desenvolver cresce a partir do que fiz nestes últimos 15 anos.

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Disco: “Turbamulta” de Turbamulta

Turbamulta
“Turbamulta”
(Clean Feed, 2018)

Primeiro chegou-nos a música a solo de Joana Sá. O primeiro contacto chegou com o “Elogio da Desordem” (2013, Shhpuma), o piano sozinho, original e desafiante. Depois juntou-se Luís José Martins, com a guitarra, e nasceu o duo Almost a Song. Da experiência dos Deolinda, Martins trouxe o dedilhar aportuguesado da guitarra, a vontade de aventurar em caminhos novos, entrelaçando guitarra e piano num improvável e surpreendente diálogo (disco homónimo “Almost a Song”, 2013). Com a harpa de Eduardo Raon o projecto evoluiu para Powertrio, tendo esse encontro ficado registado no disco “Di Lontan”, de 2015 (novamente edição Shhpuma). E agora, com o acrescento de dois novos músicos, Luís André Ferreira (violoncelo) e Nuno Aroso (percussão), evolui-se para quinteto. (…)

Texto completo no site Bodyspace:
bodyspace.net/discos/3321-turbamulta